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Raízen tem prejuízo líquido no trimestre com menores margens de mobilidade e renováveis


Reuters - Publicado: 13 Nov 2024 - 08:21

A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 158,3 milhões no segundo trimestre da safra 2024/25, impactada por menores margens no segmento de mobilidade, que envolve postos de combustível e lojas Shell, e renováveis, que inclui a marca de energia elétrica Raízen Power e etanol.

O resultado se compara a um lucro líquido de R$ 28,4 milhões no mesmo trimestre da safra 2023/24, de acordo com balanço financeiro divulgado nesta terça-feira, 12. Em termos ajustados, o prejuízo somou R$ 96,7 milhões no período, após lucro de R$ 181,3 milhões no segundo trimestre da safra 2023/24.

A empresa do setor sucroenergético apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 3,66 bilhões, recuo de 1,7% na comparação com o mesmo período da safra anterior e abaixo de expectativa média de analistas de R$ 4,03 bilhões, segundo dados da Bolsa de Valores de Londres (LSEG).

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Os segmentos de renováveis e açúcar, agrupados, geraram uma receita operacional líquida de R$ 21,75 bilhões no trimestre, com elevação anual de 42,8%. Já o Ebitda ajustado foi de R$ 2,49 bilhões, alta de 22,9% em relação ao mesmo período da safra anterior.

O desempenho foi possível porque o açúcar teve uma alta de 55,9% na receita líquida, para R$ 14,45 bilhões, e de 76,4% no Ebitda ajustado, indo a R$ 2,08 bilhões. Já a área de renováveis – que inclui etanol e energia – teve uma elevação de 22,3% na receita, a R$ 7,29 bilhões, mas uma queda de 51,8% no Ebitda ajustado, para R$ 407,3 mil.

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O presidente da Raízen, Ricardo Mussa, afirmou em relatório de resultados que, apesar da redução de expectativas quanto a safra atual, diante de forte estiagem e incêndios de grandes proporções ocorridos no Brasil, é esperado desempenho em torno de 78,5 a 80 milhões de toneladas de cana.

A projeção é “substancialmente maior do que tivemos em outros anos de eventos climáticos semelhantes”, disse Mussa, que deixará o cargo amanhã, 14. Ele acrescentou que “os novos patamares de preços de açúcar e a recuperação dos preços do etanol, em todas as suas modalidades”, trazem confiança quanto à evolução da rentabilidade à frente.

No acumulado de seis meses da safra 2024/25, a moagem soma 63,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, queda de 0,9% na comparação anual. Considerando que 51% da matéria-prima foi direcionada para a produção de açúcar – ante 55% a um ano –, o volume da commodity chegou a 4,26 milhões de toneladas, retração de 7,4%.

Por sua vez, a produção de etanol de primeira geração somou 2,49 bilhões de litros, alta de 5,9%, e a de segunda geração (E2G) alcançou 31,2 milhões de litros, aumento de 91,4%.

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Com isso, a alavancagem da Raízen, medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, encerrou setembro em 2,6 vezes, ante 1,9 vez um ano antes, patamar que a empresa considerou “coerente com a sazonalidade do período e níveis de estoques”.

A companhia anunciou, paralelamente, acordo pela controlada Raízen Energia para venda de até 900 mil toneladas de cana-de-açúcar por cerca de 381 milhões de reais. O efeito contábil da transação será um ganho líquido, após tributos, estimado em 300 milhões de reais, a ser reconhecido ainda no ano safra 2024/25.

A Raízen também disse que deu início às operações de testes e comissionamento de duas novas plantas de E2G nos parques de bioenergia Univalem e Barra, localizadas, respectivamente, nas cidades de Valparaiso e Barra Bonita, ambas no estado de São Paulo.

“Em breve, as plantas Barra e Univalem iniciarão suas operações, já incorporando o aprendizado que obtivemos até aqui”, afirmou Mussa. A expectativa é de que o início da produção e dos embarques aos clientes aconteça ainda na safra 2024/25.

Patricia Vilas Boas
Com informações adicionais NovaCana