No geral, as exportações caíram 18% em relação ao mesmo período de 2017; relação completa traz as maiores exportadoras do ano, com os volumes, portos de saída e destinos
Açúcar em excesso no mercado global, queda dos preços internacionais da commodity, dívidas elevadas das usinas brasileiras e necessidade de liquidez, problemas na produtividade dos canaviais, maior competitividade do etanol nos postos de combustível. Estes fatores refletem na queda das exportações brasileiras do adoçante bruto via navio.
De acordo com a agência marítima Williams, que verifica as saídas de açúcar pelos portos brasileiros, no primeiro semestre de 2018, os embarques somaram 8,45 milhões de toneladas. No ano passado, considerando o mesmo período, a quantia foi de 10,34 milhões – 18,3% a mais. Além disso, o volume do primeiro semestre é o mais baixo dos últimos seis anos.
Do total, 15,29% é originário das usinas da Raízen. A companhia é a primeira no ranking de exportação, com um montante de 1,29 milhão de toneladas.
O ranking das maiores exportadoras, além dos portos de saída e principais destinos do açúcar brasileiro – geral e por companhia – estão disponíveis na reportagem completa.

Leia mais:
- Ranking das 30 maiores exportadoras de açúcar
- Volumes totais exportados no primeiro semestre de 2018
- Histórico e detalhamento das exportações das cinco maiores empresas
- Exportação do adoçante por porto
- Principais destinos do açúcar brasileiro
Açúcar em excesso no mercado global, queda dos preços internacionais da commodity, dívidas elevadas das usinas brasileiras e necessidade de liquidez, problemas na produtividade dos canaviais, maior competitividade do etanol nos postos de combustível. Estes fatores refletem na queda das exportações brasileiras do adoçante bruto via navio.
De acordo com a agência marítima Williams, que verifica as saídas de açúcar pelos portos brasileiros, no primeiro semestre de 2018, os embarques somaram 8,45 milhões de toneladas. No ano passado, considerando o mesmo período, a quantia foi de 10,34 milhões – 18,3% a mais.
Além disso, o volume do primeiro semestre é o mais baixo dos últimos seis anos. Apenas em 2012 os portos brasileiros despacharam um montante menor: 7,09 milhões de toneladas do adoçante.

Ranking: maiores exportadoras
Do volume de 8,45 milhões de toneladas despachadas no período, 15,3% são originárias das usinas da Raízen. A companhia é a primeira no ranking de exportação, com um montante de 1,29 milhão de toneladas.
A segunda colocada é a Copersucar, que enviou pouco mais da metade do volume da líder – 652,58 mil toneladas. Em terceiro, quarto e quinto lugares estão São Martinho (613,16 mil t), Santa Terezinha (472,77 mil t) e Biosev (448,69 mil t), respectivamente.

No primeiro semestre de 2017, quem liderava o ranking era a Copersucar, exportando 1,6 milhão de toneladas – a Raízen vinha logo em seguida com um volume de 1,5 milhão de toneladas.
A São Martinho já ocupava o terceiro lugar (634,04 mil t) e a Biosev estava em quarto (599,59 mil t). O quinto lugar, no entanto, era da Coruripe (537,07 mil t) e a Santa Terezinha, que neste ano está o quarto lugar, ocupava o oitavo no primeiro semestre de 2017 (345,07 mil t).

Quem comprou de quem?
A líder do ranking, Raízen, comercializou 594,19 mil toneladas para a Wilmar – com quem a empresa possui uma joint venture, a RaW; em seguida, a segunda maior compradora do adoçante do grupo é a Nolis, com 267,51 mil toneladas. Sucden, Louis Dreyfus, Ed&F Man também estão entre as compradoras da Raízen, que realizou seus 49 embarques pelo Porto de Santos.
Já a Copersucar, que registrou 39 embarques no período, teve cinco pelo de Porto de Paranaguá. A companhia vendeu 267,55 mil toneladas para a Alvean, que levou o açúcar para oito diferentes destinos. Sua segunda maior compradora foi a Copa Shipping, com 206,99 mil toneladas do adoçante.
A São Martinho, apesar de ter comercializado um volume total menor, foi responsável por 63 embarques, todos por Santos. No caso, a Wilmar foi sua maior compradora: 226,73 mil toneladas. Já a paranaense Santa Terezinha fez todos seus 19 embarques por Paranaguá, sendo que 184,98 mil toneladas foram adquiridas pela Alvean.
Por fim, a Biosev fez 42 embarques, sendo 31 por Santos e onze por Paranaguá. A maior compradora da usina foi a trading Louis Dreyfus – ambas as companhias fazem parte da mesma holding –, adquirindo 141,31 mil toneladas. A Wilmar, por sua vez, adquiriu 63,29 mil toneladas do adoçante produzido pelo grupo.
Portos de saída
Os dois principais portos de saída de açúcar do país, Santos e Paranaguá, foram utilizados no envio de 93,31% do açúcar brasileiro em 2018 – o equivalente a 7,89 milhões toneladas. Deste total, 6,59 milhões de toneladas iniciaram a viagem por Santos e 1,3 milhões por Paranaguá, o equivalente a 77,98% e 15,33% do total, respectivamente.
No início de julho, de acordo com informações da Williams divulgadas pela Reuters, a fila de navios para embarcar açúcar por Paranaguá era praticamente nula por conta da menor oferta do adoçante para exportação no estado e da incerteza dos custos com fretes. Apesar de Santos concentrar a maior parte dos embarques, o porto paranaense normalmente tem papel importante, especialmente no pico da safra do Centro-Sul.

Em comparação com os volumes exportados no primeiro semestre de 2017, as exportações em Santos caíram 16,91%, enquanto Paranaguá viu uma queda de 19,4%. Enquanto o porto paulista não via uma diminuição de volume no semestre desde 2015, a opção de escoamento sulista registra declínios sucessivos desde 2014.
No caso de Paranaguá, o resultado do semestre representa o pior da série histórica da Williams, iniciada em 2011. Já em Santos, esse é o desempenho mais fraco desde as 4,46 milhões de toneladas vistas em 2012.
Principais destinos do açúcar brasileiro
Do total exportado no primeiro semestre de 2018, 824,82 mil toneladas da commodity têm a Argélia como destino – deste montante, 255,2 mil toneladas são produzidas pela Raízen. Em seguida, o Iraque recebeu 482,78 mil toneladas do açúcar brasileiro, sendo que 144,9 mil toneladas se originam da usina Santa Terezinha.
Um volume próximo é exportado para a Nigéria: 461,4 mil toneladas provindas, em maior parte, da Raízen (48,1 mil toneladas). Na sequência, Canadá, Arábia Saudita e Venezuela, receberam 422,18 mil, 305,18 mil e 304,26 mil toneladas, respectivamente, do adoçante nacional.
Ao mesmo tempo, o relatório da Williams apresenta um montante muito maior sem informações de país de desembarque: 3,49 milhões de toneladas.
NovaCana DATA
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
