Resultados trimestrais indicam entressafra mais fraca que a vista em 2015/16, mas bom momento do setor se refletiu nos números anuais
Os resultados da Raízen no 4º trimestre da safra 2016/17 demonstram um cenário bem diferente do que o vivenciado na entressafra anterior, quando as usinas se mantiveram em pleno funcionamento. Mas, apesar do período mais fraco, os resultados anuais da companhia registraram o bom momento de setor, especialmente em relação aos melhores preços médios de venda do açúcar e do etanol vistos ao longo do ano.
Entre os destaques das demonstrações financeiras da Raízen Energia, divulgadas na semana passada pela Cosan, sócia da empresa junto com a Shell, está que o lucro líquido da Raízen teve um crescimento significativo, cerca de 48%, em 2016/17. O indicador atingiu R$ 1,2 bilhão ao final da safra.
O lucro bruto da companhia, oriundo da receita das vendas menos os custos de comercialização dos produtos, terminou praticamente estável na comparação com a última safra. Dessa maneira, o indicador resultado financeiro – que inclui outros rendimentos, como valores recebidos e resultados de investimentos – foi o que mais contribuiu para que o lucro líquido da companhia apresentasse crescimento em relação à última temporada.
Leia mais:
- Resultados financeiros da Raízen Energia
- Resultados agrícolas de 2016/17
- Números da entressafra
- Investimentos
- Indicadores de vendas do período
Os resultados da Raízen no 4º trimestre da safra 2016/17 demonstram um cenário bem diferente do que o vivenciado na entressafra anterior, quando as usinas se mantiveram em pleno funcionamento. Mas, apesar do período mais fraco, os resultados anuais da companhia registraram o bom momento de setor, especialmente em relação aos melhores preços médios de venda do açúcar e do etanol vistos ao longo do ano.
Entre os destaques das demonstrações financeiras da Raízen Energia, divulgadas na semana passada pela Cosan, sócia da empresa junto com a Shell, está que o lucro líquido da Raízen terminou com um crescimento significativo, cerca de 48%, em 2016/17.
O lucro bruto da companhia, oriundo da receita das vendas menos os custos de comercialização dos produtos, terminou praticamente estável na comparação com a última safra, em R$ 2,6 milhões. Dessa maneira, o indicador resultado financeiro – que inclui outros rendimentos, como valores recebidos e resultados de investimentos –, foi o que mais contribuiu para que o lucro líquido da companhia apresentasse crescimento em relação à última temporada. O resultado financeiro no ano foi de R$ 456,9 milhões, frente ao resultado negativo de mais de R$ 177 milhões registrado no ciclo anterior.
Na safra 2016/17, a receita operacional líquida da Raízen Energia atingiu R$ 12,18 bilhões, com um crescimento de 2,6%. No que se refere aos custos dos produtos vendidos, ao final da safra, o indicador atingiu R$ 9,5 bilhões (+3%), apesar do volume de produtos comercializados ter sido menor que em 2015/16.
Números do campo
Em relação aos resultados agrícolas, a moagem final da Raízen Energia na safra 2016/17 foi de 59,4 milhões de toneladas, uma redução anual de 5% do volume. Segundo a Cosan, a menor moagem é reflexo do menor rendimento nos canaviais, que ficou em 80 ton/ha versus 89 ton/ha na safra anterior, tendo sido afetada pelo menor volume de chuvas. Além disso, a companhia alega que iniciou a safra em março, mas as 2,8 milhões de toneladas do período foram incluídas nos resultados do ano-safra anterior.
O ATR médio da safra foi de 129 kg/ton, acima dos 128 kg/ton de 2015/16. Em linha com a estratégia de comercialização focada na maximização de açúcar, o mix de produção final da Raízen Energia direcionou 57% da matéria-prima para a fabricação de açúcar (contra 55% na safra 2015/16).
Além disso, a safra também viu um aumento nos investimentos – com a maior parte dos valores sendo direcionada para os canaviais. Em 2016/17, o Capex da companhia foi de R$ 2,1 bilhões, sendo que R$ 627,9 milhões – ou 30% do total – foram destinados à manutenção no período de entressafra, um crescimento de 13% em relação aos investimentos feitos na safra anterior.
Entressafra minguada
No que se refere ao resultado da entressafra, a Raízen Energia registrou uma retração na receita operacional líquida em comparação com o 4º trimestre da safra anterior. A queda foi de 22% e o indicador atingiu o valor de, aproximadamente, R$ 3 bilhões, refletindo menor concentração de volumes vendidos e menor preço médio de venda de etanol.
A queda também reflete um cenário bem diferente do que o experenciado na entressafra anterior. Em 2015/16, com um grande volume maior de cana bisada disponível, as usinas do Centro-Sul do Brasil se mantiveram em pleno funcionamento ao longo de toda entressafra, elevando seus indicadores para o período.
Segundo documento divulgado ontem pela Cosan, o quarto trimestre da safra 2016/17 e período de entressafra da Raízen Energia é o período onde se concentra as atividades de manutenção da companhia sucroenergética. “Diferentemente [do 4º trimestre de 2015/16] quando houve encurtamento do período de entressafra pela antecipação do início da moagem, normalmente iniciada em março, não houve moagem no último trimestre de 2016/17”, destaca. Sem moagem, a companhia também não produzir açúcar e etanol.
Na mesma comparação, o custo operacional da companhia retraiu 16%, partindo de R$ 2,6 bilhões na antiga temporada para R$ 2,2 bilhões na safra 2016/17. Dessa maneira, com a maior queda da receita em relação aos custos, o lucro bruto da Raízen terminou em pouco mais de R$ 681 milhões. O resultado é 43% inferior do que o registrado em igual período da safra 2015/16, quando, segundo dados da Cosan, a Raízen Energia lucrou R$1,19 bilhão.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do trimestre caiu 53%, para R$ 704 milhões. O Ebitda representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas em suas atividades operacionais – sem levar em conta os efeitos financeiros de impostos.
Quanto maior o volume de recursos gerados na atividade da empresa, melhor a flexibilidade da empresa quando a alocação de locação de ativos, assim como melhor será sua liquidez.
Indicadores de vendas
A companhia vendeu no 4º trimestre da safra 1,076 milhão toneladas de açúcar. O volume é 28% menor do que o comercializado no mesmo período da safra passada (1,499 milhão de toneladas). No mesmo período, o preço médio do açúcar vendido caiu 2,5%, saindo de R$ 1.231 para R$ 1.200 por tonelada.
Por isso, a companhia registrou nova queda nas receitas obtidas pela venda do açúcar. As vendas totalizaram, no quarto trimestre de 2016/17, R$ 1,29 bilhão, frente a R$ 1,8 bilhão no mesmo período da safra 2015/16.
O montante vendido de etanol no trimestre também recuou. Com uma venda de 825 milhões de litros, o volume representa um recuo de um pouco mais de 19% na quantidade vendida na entressafra passada, quando foram comercializados 1 bilhão de litros.
Assim como aconteceu com o açúcar, o trimestre representou queda nos preços do biocombustível. O valor médio praticado no 4º trimestre da safra foi 2,2% menor do que no mesmo intervalo da temporada passada. No etanol, isso resultou em uma queda nas receitas de 21%, passando de R$ 1,9 bilhão para R$ 1,5 bilhão.
Já a receita líquida obtida através da venda de energia produzida por cogeração alcançou R$ 41 milhões no trimestre. O valor representa uma queda em relação ao mesmo período da safra do ano anterior, refletindo o volume 24% menor no volume vendido.
Marina Gallucci – NovaCana