Se aprovada, nova classificação pode tornar o etanol de melaço três vezes mais atrativo que o produto brasileiro convencionalApesar da enxurrada de críticas que recebeu, a Raízen não é a única que está querendo emplacar o etanol de melaço e dominar o cobiçado mercado da Califórnia. O portal NovaCana encontrou outras três empresas que querem tirar vantagem desta nova classificação.
Para saber mais sobre o etanol de melaço da Raízen e as críticas que recebeu, inclusive da Odebrecht, clique aqui.
Abaixo os detalhes das demais empresas que também querem aproveitar o mercado que se abre para a nova classificação do biocombustível: o etanol de melaço.
A iniciativa da Raízen para liberar a entrada de um novo etanol, que seria produzido a partir do melaço, no principal mercado norte-americano rendeu uma série de contestações, uma delas da Odebrecht Agroindustrial. Mas a solicitação de uma nova classificação junto ao governo da Califórnia (EUA) para o etanol produzido na usina Costa Pinto tem precedentes.
O Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (California Air Resources Board - CARB), que regula a entrada de combustíveis no estado, já havia recebido três solicitações de classificação para a produção de etanol partir do melaço, produto residual da fabricação de açúcar. O pedido da Raízen para a Costa Pinto veio na esteira de empresas da Guatemala, Indonésia e Nicarágua.
Até o momento, o conselho não aprovou nenhum "caminho" – como o Carb denomina a classificação – para o etanol de melaço, embora tenha emitido recomendação favorável a todos os quatro pedidos. Se for aprovado, o etanol de melaço da Costa Pinto teria a menor intensidade de carbono (CI, na sigla em inglês) entre os demais postulantes.
Em relação às demais concorrentes brasileiras, a maioria associada à Copersucar, essa diferença poderia trazer uma larga vantagem para a entrada do etanol da Costa Pinto na Califórnia, além de uma maior remuneração. Não é por acaso que dos sete comentários enviados ao Carb durante consulta pública todos contestaram a iniciativa da Raízen
Comparada à menor intensidade do etanol brasileiro convencional, de 58,4, a nova via seria mais de três vezes menor. A Raízen aponta uma intensidade de carbono de 14,93 gCO2e/MJ para o etanol de melaço. Já a percursora de um caminho para o etanol de melaço, a PT Indolampung Distillery, da Indonésia, que apresentou a sua solicitação em 2011, defende um CI de 29,19 para o etanol que produz. Depois dela os pedidos da Pantaleon Sugar Holdings, da Guatemala, com a solicitação de 22,75, e da Nicaragua Sugar Estates Limited, da Nicarágua, de 21,47.
Lista completa com as usinas cadastradas na Califórnia
A Raízen seria a primeira empresa brasileira a produzir em escala comercial etanol usando somente o melaço na fermentação, já que a Unica desconhece a existência de unidades brasileiras que utilizem exclusivamente esta matéria-prima para o carburante, conforme apurou o portal NovaCana.
O modelo adotado pelas destilarias da Guatemala, Indonésia e Nicarágua é semelhante entre si, mas difere do processo usual às usinas brasileiras, como a Costa Pinto. Como nesses países o mercado doméstico para o biocombustível é inexistente ou muito restrito, a produção do etanol é secundária à fabricação de açúcar e não é curioso que apenas o melaço seja utilizado como matéria-prima do biocombustível.
Essas empresas possuem plantas industriais diferentes para produção de açúcar e para a produção de etanol. Nesse modelo, todo o caldo da cana é destinado à produção de açúcar e, após o processamento, o melaço restante é transportado até uma destilaria, "onde é convertido em etanol anidro usando um processo que é essencialmente idêntico ao do processo utilizado em usinas de etanol no Brasil".
As usinas brasileiras, com as destilarias anexas às refinarias, têm por padrão o uso do caldo e alguma fração adicional de melaço, mas não o seu uso exclusivo para a produção de etanol, o que torna o processo menos eficiente.
O Carb foi questionado por e-mail sobre as solicitações e a previsão do parecer final para o etanol de melaço da Costa Pinto, mas não retornou até a publicação desta matéria.
Amanda SchArr – NovaCana
Para saber mais sobre o etanol de melaço da Raízen e as críticas que recebeu, inclusive da Odebrecht, clique aqui.
Abaixo os detalhes das demais empresas que também querem aproveitar o mercado que se abre para a nova classificação do biocombustível: o etanol de melaço.
A iniciativa da Raízen para liberar a entrada de um novo etanol, que seria produzido a partir do melaço, no principal mercado norte-americano rendeu uma série de contestações, uma delas da Odebrecht Agroindustrial. Mas a solicitação de uma nova classificação junto ao governo da Califórnia (EUA) para o etanol produzido na usina Costa Pinto tem precedentes.
O Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (California Air Resources Board - CARB), que regula a entrada de combustíveis no estado, já havia recebido três solicitações de classificação para a produção de etanol partir do melaço, produto residual da fabricação de açúcar. O pedido da Raízen para a Costa Pinto veio na esteira de empresas da Guatemala, Indonésia e Nicarágua.
Até o momento, o conselho não aprovou nenhum "caminho" – como o Carb denomina a classificação – para o etanol de melaço, embora tenha emitido recomendação favorável a todos os quatro pedidos. Se for aprovado, o etanol de melaço da Costa Pinto teria a menor intensidade de carbono (CI, na sigla em inglês) entre os demais postulantes.
Em relação às demais concorrentes brasileiras, a maioria associada à Copersucar, essa diferença poderia trazer uma larga vantagem para a entrada do etanol da Costa Pinto na Califórnia, além de uma maior remuneração. Não é por acaso que dos sete comentários enviados ao Carb durante consulta pública todos contestaram a iniciativa da Raízen
Comparada à menor intensidade do etanol brasileiro convencional, de 58,4, a nova via seria mais de três vezes menor. A Raízen aponta uma intensidade de carbono de 14,93 gCO2e/MJ para o etanol de melaço. Já a percursora de um caminho para o etanol de melaço, a PT Indolampung Distillery, da Indonésia, que apresentou a sua solicitação em 2011, defende um CI de 29,19 para o etanol que produz. Depois dela os pedidos da Pantaleon Sugar Holdings, da Guatemala, com a solicitação de 22,75, e da Nicaragua Sugar Estates Limited, da Nicarágua, de 21,47.
Lista completa com as usinas cadastradas na Califórnia
A Raízen seria a primeira empresa brasileira a produzir em escala comercial etanol usando somente o melaço na fermentação, já que a Unica desconhece a existência de unidades brasileiras que utilizem exclusivamente esta matéria-prima para o carburante, conforme apurou o portal NovaCana.
O modelo adotado pelas destilarias da Guatemala, Indonésia e Nicarágua é semelhante entre si, mas difere do processo usual às usinas brasileiras, como a Costa Pinto. Como nesses países o mercado doméstico para o biocombustível é inexistente ou muito restrito, a produção do etanol é secundária à fabricação de açúcar e não é curioso que apenas o melaço seja utilizado como matéria-prima do biocombustível.
Essas empresas possuem plantas industriais diferentes para produção de açúcar e para a produção de etanol. Nesse modelo, todo o caldo da cana é destinado à produção de açúcar e, após o processamento, o melaço restante é transportado até uma destilaria, "onde é convertido em etanol anidro usando um processo que é essencialmente idêntico ao do processo utilizado em usinas de etanol no Brasil".
As usinas brasileiras, com as destilarias anexas às refinarias, têm por padrão o uso do caldo e alguma fração adicional de melaço, mas não o seu uso exclusivo para a produção de etanol, o que torna o processo menos eficiente.
O Carb foi questionado por e-mail sobre as solicitações e a previsão do parecer final para o etanol de melaço da Costa Pinto, mas não retornou até a publicação desta matéria.
Amanda SchArr – NovaCana