NovaCana

Rabobank detalha como mercado global de açúcar irá de superávit para déficit

Segundo o banco holandês, é esperado um excedente de 1,1 milhão de toneladas em 2018/19, que será seguido por déficit de 4,3 milhões de toneladas

NovaCana 8 min de leitura

O mercado de açúcar parece estar perto de uma estabilidade entre oferta e demanda. Após um superávit estimado em 11,3 milhões de toneladas no ciclo 2017/18, o banco holandês Rabobank projeta um excedente considerado “modesto”, de 1,1 milhão de toneladas, para a temporada 2018/19.

Já para a safra 2019/20, é esperado um déficit de 4,3 milhões. Conforme relatório trimestral lançado em 22 de março, os motivos seriam, principalmente, as projeções de queda na produção da Índia, Tailândia e União Europeia – grandes produtores mundiais. Elas seriam apenas parcialmente contrabalanceadas por um pequeno aumento da produção brasileira.

No quesito preço, o banco espera que a commodity varie entre 11,5 e 14 centavos de dólar por libra-peso nos próximos meses. Caso fique abaixo de cUS$ 11/lb, o Rabobank acredita que as exportações indianas desacelerariam ou até mesmo parariam – no movimento contrário, acima dos cUS$ 14/lb, seria possível ver um crescimento na oferta do Brasil.

Confira, no conteúdo completo, estimativas e análises do banco sobre moagem, produção, preços, consumo e exportação dos principais produtores de açúcar do mundo.

O mercado de açúcar parece estar perto de uma estabilidade entre oferta e demanda. Após um superávit estimado em 11,3 milhões de toneladas no ciclo 2017/18, o banco holandês Rabobank projeta um excedente considerado “modesto”, de 1,1 milhão de toneladas, para a temporada 2018/19.

Já para a safra 2019/20, é esperado um déficit de 4,3 milhões. Conforme relatório trimestral lançado em 22 de março, os motivos seriam, principalmente, as projeções de queda na produção da Índia, Tailândia e União Europeia – grandes produtores mundiais. Elas seriam apenas parcialmente contrabalanceadas por um pequeno aumento da produção brasileira.

rabobank1Q19 balanco 272032019

No quesito preço, o banco espera que a commodity varie entre 11,5 e 14 centavos de dólar por libra-peso nos próximos meses. Caso fique abaixo de cUS$ 11/lb, o Rabobank acredita que as exportações indianas desacelerariam ou até mesmo parariam – no movimento contrário, acima dos cUS$ 14/lb, seria possível ver um crescimento na oferta do Brasil.

rabobank1Q19 preco acucar 272032019

Clima, moagem e produção – no Brasil e no mundo

Conforme o relatório, no Brasil, uma seca em dezembro e janeiro gerou incertezas em relação ao rendimento dos canaviais. Mas os fornecedores de cana puderam ficar mais tranquilos após as chuvas de fevereiro e março. Por outro lado, as preocupações apenas mudaram de lugar: a qualidade da cana pode ser comprometida com a perspectiva de tempo úmido nos primeiros meses da colheita.

A partir disso, o banco estima uma moagem de 560 a 570 milhões de toneladas de cana para a safra 2019/20, que iniciou oficialmente no início deste mês no Centro-Sul. Além disso, projeta uma produção entre 28 e 29 milhões de toneladas de açúcar, frente à projeção de 26,5 milhões de toneladas para 2018/19.

Enquanto isso, a moagem indiana está a plenos vapores. Segundo a Indian Sugar Mills Association (Isma), o ritmo da safra no país tem sido mais intenso do que o esperado, com a produção até o final de fevereiro registrando um crescimento de 7% no comparativo anual. O progresso da moagem foi mais rápido em duas regiões produtivas, Maharashtra e Karnataka, após o início da colheita, sinalizando a antecipação do fim da safra.

Levando em conta estes números, o Rabobank prevê uma produção de açúcar de 34 milhões de toneladas em 2018/19 – um milhão a menos que o montante produzido na safra anterior, considerada “gigantesca”. Para a temporada 2019/20, o banco holandês espera uma segunda queda, para 31,8 milhões de toneladas, por conta do impacto negativo do tempo seco no país.

Um cenário semelhante – boa produção em 2018/19 seguida de queda em 2019/20 – também é traçado na Tailândia. O relatório conta que a moagem teve um aumento de 15% em 2018/19, com o início da temporada 11 dias antes do usual. Mesmo assim, a produção de açúcar para a safra está prevista em 14,6 milhões de toneladas, 1,1 milhão abaixo do recorde de 2017/18.

Ainda segundo o banco, a produção tailandesa está se encaminhando para uma queda significativa em 2019/20. O motivo está na combinação de preços baixos da cana e altos da mandioca, o que desestimula a produção da primeira em detrimento da segunda.

O Rabobank também estima uma redução de cerca de 10% na área plantada da União Europeia em 2019/20. Ainda assim, é possível que a região atinja entre 17 e 18 milhões de toneladas de açúcar se o rendimento médio for alcançado. No ano passado, isso não foi possível devido ao tempo seco. Para a temporada 2018/19, o banco holandês estima a produção de 18,1 milhões de toneladas de açúcar.

Já a produção chinesa está projetada entre 10,3 e 10,5 milhões de toneladas de açúcar na safra atual. Mesmo com o aumento da área plantada de beterraba ao norte, as chuvas e temperaturas baixas afetaram a produção de cana em Guangxi, região autônoma chinesa.

As questões climáticas também pesaram na produção australiana. Houve certa preocupação no início do ano por conta da seca seguida de enchentes ao nordeste de Queensland, um dos seis estados australianos.

Entretanto, a água foi drenada rapidamente, reduzindo os danos mais extensos às plantações, que podem ser favorecidas com as chuvas. Por conta disso, o Rabobank projeta safras robustas com uma produção de 34 milhões de toneladas de cana e um volume de açúcar entre 4,6 e 4,7 milhões de toneladas para temporada de 2018/19.

Para a América do Norte, por sua vez, a situação climática oferece ainda mais riscos. Há a perspectiva de uma menor safra de beterraba no Vale do Rio Vermelho, região que abrange o Canadá e os Estados Unidos. Os motivos são os solos já saturados com o clima úmido do último outono e o inverno frio e úmido, o que aumenta a chance de inundações significativas durante a primavera.

Estes fatores retardam o plantio e podem até mesmo reduzir a área plantada. Em 2018, condições adversas em Minnesota impactaram nas receitas e nas margens dos produtores.

Já no México, o Rabobank estima uma produção de 6,2 milhões de toneladas de açúcar em 2018/19, o que poderia elevar os estoques do país. Porém, há uma circunstância com potencial de afetar o relacionamento entre as usinas e o mercado: os produtores estão descontentes com os preços domésticos e bloquearam alguns estoques de açúcar em busca de valores mais favoráveis.

Preços e consumo

No Brasil, as vendas de etanol aumentaram no período de entressafra, com volumes mensais 35% maiores em relação ao ano anterior. Por conta da oferta em excesso – uma vez que os produtores estavam com estoques bem elevados –, o preço do etanol ficou mais competitivo nas bombas.

Por isso, embora os preços no período tenham sido “decepcionantes”, como coloca o relatório, eles estimularam um consumo mais alto, o que ajudará a absorver a produção da safra que recém-começou.

Inclusive, o mix brasileiro é considerado um ponto crucial para esta temporada. Segundo o Rabobank, considerando que o preço do barril de petróleo brent passaria de US$ 60 para US$ 65, e o dólar ficaria em R$ 3,80, os futuros do açúcar em Nova York teriam que atingir ou passar dos cUS$ 14/lb para que o mix do país sofresse uma oscilação considerável.

rabobank1Q19 precos brasil 272032019

Já na Índia, em meados de fevereiro, o governo aumentou o preço mínimo de venda do açúcar para 31 rúpias por quilo, valor acima das 29 rúpias anteriores, o que deve ajudar as usinas a pagarem os US$ 2,8 bilhões devidos aos produtores de cana.

Por sua vez, os produtores da União Europeia também tiveram um alívio nos preços após terem suas margens pressionadas. Com a redução da oferta, os preços spot do açúcar branco alcançaram 450 euros por tonelada, dando um alento aos agricultores que tiveram problemas com as margens pressionadas graças a uma queda produtiva de quase 3 milhões de toneladas. Por outro lado, uma quantia considerável já havia sido negociada meses antes por valores menores.

Nos próximos anos, a expectativa é que os preços baixos devem ajudar a reduzir a área plantada de beterraba, empurrando a produção para volumes abaixo de 10 milhões de toneladas já na safra 2019/20.

Exportações em baixa

O Rabobank ainda estima que as exportações indianas fiquem em 1,6 milhão de toneladas em 2018/19, distante da meta de 5 milhões, mesmo com o anunciado esforço governamental para vender o excedente do adoçante.

Já na China, a partir de 22 de maio, as tarifas sobre o açúcar exportado além da cota deverão cair de 90% para 85%. Com isso, as importações oficiais da commodity deverão ser mais baixas no primeiro semestre de 2019, com recuperação no segundo.

Além disso, houve uma redução da cota americana para importação de açúcar mexicano em 2018/19. A previsão de exportação está em 800 mil toneladas e, se a cota permanecer, ela será a menor desde 2009/10.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

Compartilhar: