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Rabobank analisa guerra na Europa e seus efeitos para as sucroenergéticas do Brasil

Os impactos do conflito podem chegar à produção de açúcar, ao preço do etanol e até à produtividade da cana-de-açúcar em 2022/23

NovaCana 8 min de leitura

Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, no final de fevereiro, vários setores da economia já previam impactos a níveis globais. Um deles foi o sucroenergético, afinal, além de ser uma das grandes produtoras globais de petróleo, a Rússia também é uma importante exportadora de fertilizantes e uma das principais fornecedoras do Brasil.

Para completar, o comércio internacional de grãos também ficou comprometido no Mar Negro. Isso afeta a oferta e o preço do milho, importante matéria-prima para o etanol no cenário global.

Neste contexto de incertezas no mercado, o analista da área de pesquisa setorial do Rabobank, Bruno Fonseca, conversou com o estrategista do banco para a área de açúcar e etanol, Andy Duff, no podcast Foco no Agronegócio.

No programa, eles discutiram quais seriam os principais impactos da guerra, no curto e no longo prazo, para o setor sucroenergético, considerando que a próxima safra de cana-de-açúcar já está para começar.

Apesar de Rússia e Ucrânia serem considerados países autossuficientes na produção de açúcar, os analistas apontam que a guerra pode afetar a produção global do adoçante. Com os altos preços dos cereais e das oleaginosas, a beterraba e o açúcar podem perder área de plantio no próximo inverno do hemisfério norte.

Além disso, o mercado de petróleo pode manter a volatilidade vista atualmente, aumentando o preço da gasolina e, consequentemente, o do etanol. Assim, os produtores brasileiros podem priorizar a produção do biocombustível, diminuindo a fabricação de açúcar e, também, afetando os estoques internacionais.

Em outro ponto, a Rússia é uma das principais fontes de fertilizantes para o Brasil. Com as sanções impostas contra o país soviético, é possível que não haja produto suficiente para cobrir a demanda nesta safra, o que também poderá afetar a produção na temporada.

Desta forma, o conflito pode afetar diretamente o setor sucroenergético brasileiro, no curto e longo prazo.

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes, mais detalhes sobre como o mercado de açúcar e de etanol poderá ser afetado a partir dos próximos meses.

Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, no final de fevereiro, vários setores da economia já previam impactos a níveis globais. Um deles foi o sucroenergético, afinal, além de ser uma das grandes produtoras globais de petróleo, a Rússia também é uma importante exportadora de fertilizantes e uma das principais fornecedoras do Brasil.

Para completar, o comércio internacional de grãos também ficou comprometido no Mar Negro. Isso afeta a oferta e o preço do milho, importante matéria-prima para o etanol no cenário global.

Neste contexto de incertezas no mercado, o analista da área de pesquisa setorial do Rabobank, Bruno Fonseca, conversou com o estrategista do banco para a área de açúcar e etanol, Andy Duff, no podcast Foco no Agronegócio.

No programa, eles discutiram quais seriam os principais impactos da guerra, no curto e no longo prazo, para o setor sucroenergético, considerando que a próxima safra de cana-de-açúcar já está para começar.

Apesar de Rússia e Ucrânia serem considerados países autossuficientes na produção de açúcar, os analistas apontam que a guerra pode afetar a produção global do adoçante. Com os altos preços dos cereais e das oleaginosas, a beterraba e o açúcar podem perder área de plantio no próximo inverno do hemisfério norte.

Além disso, o mercado de petróleo pode manter a volatilidade vista atualmente, aumentando o preço da gasolina e, consequentemente, o do etanol. Assim, os produtores brasileiros podem priorizar a produção do biocombustível, diminuindo a fabricação de açúcar e, também, afetando os estoques internacionais.

Em outro ponto, a Rússia é uma das principais fontes de fertilizantes para o Brasil. Com as sanções impostas contra o país soviético, é possível que não haja produto suficiente para cobrir a demanda nesta safra, o que também poderá afetar a produção na temporada.

Desta forma, o conflito pode afetar diretamente o setor sucroenergético brasileiro, no curto e longo prazo.

A guerra e a produção global de açúcar

Duff explica que os dois países envolvidos no confronto apresentam pouca atividade dentro do comércio internacional de açúcar – eles são considerados autossuficientes, com produção e consumo próximos de 1,5 milhão de toneladas. Ou seja, a reação do mercado de açúcar ao conflito foi muito menor em comparação com outras commodities.

Entretanto, com a chegada da época de plantio na Europa, o analista prevê que haverá certo impacto na área a ser cultivada e na perspectiva de produção, mudando o volume a ser importado pela região.

Caso o conflito se mantenha pelos próximos meses, Duff acredita que a produção global de açúcar poderá ser impactada, especialmente no segundo semestre do ano. Segundo ele, quando começar o plantio de inverno na Europa, os preços elevados das oleaginosas podem provocar uma concorrência acirrada por área entre essas commodities e a beterraba.

O impacto no preço dos combustíveis

Além disso, também está em jogo o preço do etanol, especialmente no longo prazo. Com a inconstância do petróleo e os aumentos da gasolina, o bicombustível pode vivenciar uma escalada nos preços, tornando-se mais atrativo para os produtores brasileiros e revisando para baixo a expectativa de produção de açúcar no país.

“O que realmente aconteceu foi a geração de muita incerteza a respeito do preço do petróleo internacional e da gasolina no Brasil”, Duff declara e completa: “Por isso, as consequências para o preço do etanol ao longo dos próximos meses são mais incertas que o normal”.

Ele ainda observa que, no Brasil, o setor deve prestar atenção a fatores como a taxa de câmbio, que também tem influência nos valores dos combustíveis. Para completar, pode ocorrer alguma intervenção governamental para conter a alta dos preços das bombas, como corte de impostos.

Para o curto prazo, Duff explica que, apesar da alta volatilidade do mercado internacional de petróleo, o impacto nos preços ainda não alcançou totalmente as bombas brasileiras. “A Petrobras fez um ajuste relevante, ao redor de 19%, mas ainda deixou um nível de defasagem em comparação ao preço de paridade de importação”, afirma.

Queda no consumo de combustíveis do ciclo Otto

Duff também acredita que a escalada dos preços dos combustíveis já foi o bastante para “destruir o elemento da demanda”. O analista aponta que, no último trimestre de 2021, as vendas de combustíveis do ciclo Otto já começaram a perder a força.

O começo de 2022 também manteve essa tendência de queda. O consumo de etanol caiu 41,1% em janeiro, enquanto a gasolina teve um aumento tímido de 2,5%. A demanda pelo biocombustível foi a menor para o mês desde 2018.

“O volume de vendas de combustíveis do ciclo Otto já está sofrendo as consequências dos altos preços nas bombas”, Andy Duff (Rabobank)

Para as próximas semanas, considerando o começo da safra no fim de abril, ele aponta que novas ofertas de etanol encontrarão um mercado em que a demanda tem “sofrido bastante”. Na visão de Duff, essa pode ser uma oportunidade para o combustível renovável ganhar mais espaço. Mas, para que isso ocorra, os preços precisariam se tornar mais atrativos.

A questão dos fertilizantes

Em um primeiro momento, o preço dos fertilizantes já subiu em decorrência do conflito na Europa. Para completar, Duff acredita que existe a ameaça de desabastecimento em um futuro próximo “se esse aperto de oferta realmente continuar”.

Com menor disponibilidade de fertilizantes no mercado, regiões produtoras importantes, como o próprio Brasil, poderão ter que diminuir suas aplicações de adubo. Isso deve impactar diretamente a produtividade do próximo ciclo e, consequentemente, afetar os preços do etanol e do açúcar. Também estão previstas perdas em área de plantio para as oleaginosas e os cereais.

Fonseca aponta que este será um problema global, para cana e outras culturas, especialmente no segundo semestre de 2022, quando as produtoras iniciam um uso mais intensivo dos adubos. “O mundo vai perceber que não foi construído um estoque [de fertilizantes] suficiente”.

Uma das possibilidades para as sucroenergéticas é apostar na aplicação de resíduos orgânicos nos canaviais. Antes mesmo do conflito estourar, a Raízen já planejava diminuir seu uso de fertilizantes usando vinhaça e torta de filtro, subprodutos da fabricação de etanol e açúcar, que juntos são ricos em fósforo e potássio.

A companhia prevê uma diminuição de 20% no uso de adubos importados para esta próxima safra. Ainda assim, o nitrogênio não está tão presente na vinhaça e na torta e será necessário usar um complemento.

Giully Regina – NovaCana

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