O mercado internacional de açúcar está vivenciando uma sequência de safras com excedente de produção em relação ao consumo. Das 16 empresas consultadas pelo NovaCana em fevereiro, a expectativa média é que 4,26 milhões de toneladas superavitárias sejam registradas no ciclo 2022/23.
Ainda assim, um equilíbrio entre produção e consumo é estimado pelo banco BTG Pactual. Em seguida, a menor perspectiva é da hEDGEpoint Global Markets, que prevê um superávit de 1,1 milhões de toneladas no período.
A analista de açúcar e etanol da empresa, Lívea Coda, relata que a consultoria considerou uma redução recente de perspectiva de Índia e Tailândia a partir de conversas com participantes do mercado e empresas parceiras. Em entrevista ao NovaCana, ela diz que qualquer pequena alteração do Brasil, em uma quinzena, já teria potencial de gerar um possível déficit.
“Com 1 milhão de tonelada [de superávit], temos certa sensibilidade; pode virar para um lado ou para outro. Nossa visão está um pouco mais altista para preços, então, estamos um pouco pessimistas do que possa ocorrer com o superávit e o nosso viés é de baixa”, Lívea Coda (hEDGEpoint)
Porém, essa não é uma perspectiva unânime entre as consultadas. A S&P Global Commodity, por exemplo, estima que 3,77 milhões de toneladas sobrarão no ciclo 2022/23.
Já a FG/A reduziu sua expectativa anterior de superávit de 5 milhões de toneladas para 3 milhões de toneladas. Os motivos foram as maiores incertezas sobre a safra indiana, os impactos prováveis na Tailândia e os resultados de outros produtores.
Para a StoneX, que prevê 5 milhões de toneladas de superávit, a alta produtiva na Ásia deve se fortalecer: os menores volumes exportados pela Índia devem ser substituídos parcialmente pelos despachos tailandeses. O superávit promete vir com mais intensidade no segundo semestre do ano, momento em que as exportações brasileiras são maiores. As informações foram divulgadas em relatório lançado no final de janeiro e assinado pelos analistas Filipe Cardoso, Marcelo Di Bonifácio e Rafael Borges.
O volume, entretanto, está levemente abaixo da visão da empresa divulgada em novembro dado o cenário incerto para a produção indiana, que não parece ser capaz de ultrapassar a do ciclo 2021/22. Ainda assim, a revisão segue um viés otimista para a safra 2023/24 de cana-de-açúcar do Centro-Sul brasileiro (abril a março), que tem chance de impactar o comércio internacional de forma considerável e com influência baixista para os preços futuros.
Já a consultoria com a maior expectativa de superávit é a Green Pool, com 8,4 milhões de toneladas.
Para o ciclo que se encerrou, 2021/22, dez empresas estimaram 960 mil toneladas de superávit, com números oscilando entre um déficit de 3,9 milhões de toneladas e um saldo positivo de 7,11 milhões de toneladas.
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