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Quanto sua usina pode lucrar com o RenovaBio?

Entenda quantos litros são necessários para obter um CBio e a variação entre os diferentes biocombustíveis. E mais: as rotas de produção que entram na primeira fase do RenovaBio e sua correspondência em CBios

NovaCana 8 min de leitura

Imagine que o RenovaBio está em vigor e que você quer aproveitar as possibilidades de lucro que o programa traz. Você sabe quantos litros de biocombustível sua usina deve produzir para gerar um CBio? Será que a sua produção atual renderia uma quantidade significativa de CBios, ou até que ponto é interessante investir para melhorar sua nota de eficiência ambiental?

Para isso, é preciso projetar quanto custará um CBio no mercado brasileiro, o potencial de geração de CBio de cada biocombustível e como é o processo de produção das usinas. O NovaCana aproveitou os cenários traçados pelo MME em relação ao preço do CBio e, com base na nota de uma usina genérica, que representa uma unidade média do setor, foram calculados os valores mais relevantes para as usinas.

O resultado é apresentado em uma série de tabelas e gráficos. Eles incluem:

- Quantos litros de etanol são necessários para gerar um CBio
- Receita obtida pelo setor (por produto) se o RenovaBio estive em vigor em 2017
- Os três cenários de preços do CBio
- As diferenças entre anidro e hidratado nos cenários apresentados
- Comparação prática entre as diferentes rotas de produção de etanol

BL RenovaBio renovacalc combustíveis 14052019

BL RenovaBio mercado cbios 14052019

BL RenovaBio fossil x biocombustível 14052019

BL Renovabio etapas producao nota 14052018

Imagine que o RenovaBio está em vigor e que você quer aproveitar as possibilidades de lucro que o programa traz. Você sabe quantos litros de biocombustível sua usina deve produzir para gerar um CBio? Será que a sua produção atual renderia uma quantidade significativa de CBios, ou até que ponto é interessante investir para melhorar sua nota de eficiência ambiental?

Para isso, é preciso projetar quanto custará um CBio no mercado brasileiro, o potencial de geração de CBio de cada biocombustível e como é o processo de produção das usinas. O NovaCana aproveitou os cenários traçados pelo MME em relação ao preço do CBio e, com base na nota de uma usina genérica, que representa uma unidade média do setor, foram calculados os valores mais relevantes para as usinas.

Os três cenários possíveis para o “mercado de papel” projetados pelo MME incluem um médio, um otimista e outro pessimista para as usinas.

Com base na nota “média” das usinas, seriam necessários 669 litros de etanol anidro ou 704 litros de hidratado de cana-de-açúcar para gerar um CBio. Como comparação, o mesmo CBio poderia ser obtido com apenas 539 litros de E2G anidro.

Considerando o cenário médio de preço do CBio, é possível estimar o lucro das usinas com a comercialização de CBios.

Na safra passada, o Grupo São Martinho produziu 487 milhões de litros de anidro. Se o programa estivesse em vigor, a empresa teria uma receita adicional de aproximadamente R$ 24 milhões apenas com o anidro. Com o hidratado, o ganho seria de R$ 22,5 milhões, considerando a produção de 466 milhões de litros.

Os combustíveis do RenovaBio

A princípio, nove biocombustíveis e rotas de produção entram no RenovaBio:

  • Etanol de cana-de-açúcar de primeira geração
  • Etanol de primeira e segunda geração em usina integrada
  • Etanol de segunda geração em usina dedicada
  • Etanol de cana-de-açúcar e milho em usina integrada (flex)
  • Etanol de milho em usina dedicada
  • Etanol de milho importado
  • Biodiesel
  • Bioquerosene de aviação por HEFA (Hydro-processed Esters and Fatty Acids) de soja
  • Biometano de resíduos

Considerando as outras possibilidades para os preços do CBio, a São Martinho poderia receber entre R$ 23,6 milhões e R$ 203 milhões com sua produção total de etanol. Esses cálculos indicam que, mesmo com o CBio correspondendo a um valor mais pessimista, o “mercado de papel” faria grande diferença no balanço final da empresa.

É importante ressaltar que esta seria a receita adicional caso as usinas do grupo obtivessem uma nota de eficiência energético-ambiental de acordo com os valores sugeridos pelo governo, calculados com base na média do mercado. Supondo que a empresa resolva entrar no RenovaBio, a nota do RenovaCalc dela deve ser diferente da média.

O mercado do RenovaBio

Pelas mesmas contas, em 2017, o Brasil produziu 10,4 bilhões de litros de etanol anidro e 15,7 bilhões de litros de hidratado. Com esses volumes, teriam sido gerados aproximadamente 37,7 milhões de CBios no mercado apenas com anidro e hidratado (supondo que todas as usinas entrassem no RenovaBio com os valores médios).

Economicamente, isso significaria uma receita de R$ 1,287 bilhão para as usinas, considerando apenas o cenário médio de preço do CBio.

Já no cenário mais baixo de preços para os certificados, a produção brasileira teria gerado R$ 378,67 milhões apenas com o etanol anidro em 2017. No cenário de preços mais altos, o mercado de anidro teria chegado a R$ 3,25 bilhões.

O valor estimado pelo MME faz parte da consulta pública lançada pelo ministério para a determinação das metas de redução das emissões.

RenovaBio mercado cbios 14052019 1

Vale destacar que os CBios serão negociados em bolsa e, portanto, terão preços variáveis de acordo com o mercado.

Para chegar a estes resultados, o NovaCana utilizou as notas hipotéticas para cada rota de produção de biocombustível, dispostas na RenovaCalc. Segundo o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), os valores correspondem a unidades de desempenho médio.

Também foram considerados os valores de massa e poder calorífico de cada biocombustível, informados nos anexos da minuta da resolução divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na última quinta-feira (10).

Quantos litros de combustível são necessários para obter um CBio?

O etanol anidro de cana-de-açúcar tem intensidade de emissão de carbono de 20,5 gCO₂eq/MJ na usina hipotética média considerada pelo governo. Esse valor se refere a intensidade energética dos gases de efeito estufa (GEE) que são emitidos nas etapas agrícola, industrial, de transporte e de uso de todo o processo produtivo.

O combustível fóssil equivalente ao etanol anidro é a gasolina, que emite 87,4 gCO₂eq/MJ. Ao produzir o biocombustível, há uma diminuição de 77% de GEE, ou 66,9 gCO₂eq/MJ. Portanto, a nota dessa usina hipotética para o que fosse produzido de anidro seria de 66,9. Essa é a quantidade de gases que estão deixando de entrar na atmosfera em comparação às emissões do correspondente fóssil.

Considerando que o interesse das usinas vai além do sustentável, a compra de CBios pode ocorrer a cada tonelada de CO₂ equivalente mitigada. Assim, no caso da usina hipotética média, ela precisaria produzir 668,69 litros de etanol anidro para obter um CBio – levando em consideração a massa específica e o poder calorífico do biocombustível.

RenovaBio fossil x biocombustível 14052019 1

Comparativamente, o biodiesel é o combustível que mais rende CBios. Afinal, nesse caso, com apenas 492 litros é possível obter um certificado.

Ao mesmo tempo, o etanol hidratado de segunda geração é o combustível que menos emite GEE em comparação a seu equivalente fóssil – a gasolina – com uma redução de 95%. Isso acontece porque o processo agrícola não participa do cálculo, uma vez que a produção se dá por meio de resíduos. Dessa forma, há um melhor rendimento de CBios do que na produção do etanol de primeira geração.

RenovaBio renovacalc combustíveis 14052019 V2

Impacto dos biocombustíveis na meta do RenovaBio

Para a consulta pública – que receberá comentários até 25 de maio –, a equipe responsável disponibilizou uma versão adiantada da calculadora. A ferramenta é importante para as usinas, pois é a responsável por determinar as notas individuais de eficiência energético-ambiental, que funcionarão como um fator multiplicador no mercado de CBios. Ou seja, quanto melhor a nota, maior o número de certificados pela mesma quantidade de etanol produzida.

O Grupo de Trabalho de Avaliação do Ciclo de Vida do RenovaBio (GT-ACV) inclui profissionais da Embrapa Meio Ambiente, do CTBE, da Unicamp e da Agroicone.

Por sua vez, a meta de redução das emissões para o RenovaBio, que também está em processo de consulta pública, propõe uma redução de 10,01% até 2028. Esse valor será ‘traduzido’ anualmente em metas de aquisição de CBios para as distribuidoras, com o objetivo de movimentar o mercado de certificados, estimulando a produção de biocombustíveis com rotas produtivas cada vez mais limpas.

Neste cenário, o MME propõe que os biocombustíveis passarão a pesar 28,6% na matriz energética frente aos 20% atuais. Já os combustíveis fósseis cairiam de 80% para 71,4% em 2028, assim como a dependência do combustível externo: uma queda de 11,5% para 7% no mesmo comparativo.

Com isso, os preços de aquisição dos fósseis aumentariam. Considerando uma demanda estimada total de 69,5 bilhões de litros para o Ciclo Otto em 2028, o MME projeta que a gasolina A sofreria impacto de 0,7%, que seria anulado por uma redução de 2,3% no etanol anidro, gerando uma queda de 0,1% na gasolina C. Por sua vez, o preço do litro do etanol hidratado reduziria em 2,1%.

Em relação à demanda, o esperado é que aumente a procura pelos biocombustíveis, um reflexo natural da queda nos preços. A expectativa do ministério é de um crescimento para o etanol hidratado, de 15,2 bilhões de litros para 36 bilhões de litros.

Já sobre a adesão das empresas, o MME espera que, em 2019, 28% da capacidade produtiva nacional faça parte do RenovaBio. Em uma meta bastante otimista, em 2028, 98% da capacidade nacional deve estar inclusa no programa.

Renovabio etapas producao nota 14052018 1

Gabrielle Rumor Koster e Rafaella Coury – NovaCana

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