Com a proposta de acelerar a implantação de veículos elétricos na América Latina, o E-Motion: E-Mobility and Low Carbon Transportation pretende mobilizar um total de € 914 milhões para financiar frotas e infraestrutura necessária para carregamento de veículos elétricos de uso intensivo (ônibus, táxis e veículos comerciais leves).
O projeto, desenhado por agências de desenvolvimento europeias, planeja utilizar aportes do Fundo Clima – o Green Climate Fund (GCF), financiado por meio de depósitos de diversos países.
O objetivo é “dar o pontapé inicial no desdobramento em massa de veículos elétricos” e permitir uma transição regional em larga escala para a mobilidade elétrica em diversos países da América Latina, por meio de assistência financeira e técnica. Isso inclui o Brasil.
Segundo a proposta à qual a EPBR teve acesso, o programa funciona como um acelerador do mercado, permitindo absorção mais rápida da eletromobilidade frente ao cenário de crescimento (lento) estimado atualmente.
“O programa preenche a lacuna entre os pilotos iniciais já existentes na região e as metas de longo prazo. Estas intervenções são feitas em uma época em que a mobilidade elétrica ainda não é comercialmente viável e, portanto, requer apoio ao investimento inicial”, explica a proposta.
O E-motion foi desenhado para implementação no Brasil, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, México e Peru, em estreita coordenação com o Banco de Desenvolvimento da América Latina.
Uma proposta similar deverá ser apresentada para Argentina, Uruguai, Paraguai e Panamá, também sob o selo E-motion.
O programa tem ainda um plano de ação de gênero, com foco em melhorar a igualdade de gênero e reduzir o assédio sexual no transporte público.
Os países alvos do projeto do GCF têm o direito de se manifestar sobre eventuais objeções, para evitar o risco de interferência nas políticas nacionais.
No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) se posicionou favoravelmente, desde que o plano não interfira no planejamento nacional, que prioriza os biocombustíveis.
Além dos biocombustíveis tradicionais – etanol e biodiesel –, de uso consolidado e com políticas públicas definidas, o MME está lançando o programa Combustível do Futuro, formalizado por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
E apesar do discurso a favor dos biocombustíveis, no curto prazo, o governo tem interrompido a política federal de expansão da mistura de biodiesel no diesel devido ao impacto do preço para os consumidores – em especial os caminhoneiros –, o que levanta questões sobre a garantia, do ponto de vista ambiental, dessa política.
Há ainda uma discussão sobre qual modelo seria mais eficiente. No caso de veículos pesados, como ônibus e caminhões, biometano e hidrogênio são apontados como alternativas que melhor se adequam à realidade brasileira.
Já no caso de veículos leves, grandes marcas como Nissan, Volvo e Mercedes oferecem veículos totalmente elétricos, mas também desenvolvem híbridos plug-in e apostam na tecnologia da célula a combustível alimentada por etanol.
O projeto é desenvolvido pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AfD), em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), com a Proparco – braço privado de financiamento da AfD – e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).
O Green Climate Fund (GCF) foi criado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). O Brasil não é um dos financiadores do GCF, que conta com compromissos de aportes de US$ 9,7 bilhões anunciados desde 2014. A França fez o segundo maior, de US$ 1,7 bilhão.
A AfD espera aprovar o E-Motion na reunião do GCF em outubro de 2021.
Nayara Machado