Carro elétrico

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Programa E-motion tenta acelerar a eletromobilidade na América Latina


EPBR - Publicado: 22 Abr 2021 - 08:20

Com a proposta de acelerar a implantação de veículos elétricos na América Latina, o E-Motion: E-Mobility and Low Carbon Transportation pretende mobilizar um total de € 914 milhões para financiar frotas e infraestrutura necessária para carregamento de veículos elétricos de uso intensivo (ônibus, táxis e veículos comerciais leves).

O projeto, desenhado por agências de desenvolvimento europeias, planeja utilizar aportes do Fundo Clima – o Green Climate Fund (GCF), financiado por meio de depósitos de diversos países.

O objetivo é “dar o pontapé inicial no desdobramento em massa de veículos elétricos” e permitir uma transição regional em larga escala para a mobilidade elétrica em diversos países da América Latina, por meio de assistência financeira e técnica. Isso inclui o Brasil.

Segundo a proposta à qual a EPBR teve acesso, o programa funciona como um acelerador do mercado, permitindo absorção mais rápida da eletromobilidade frente ao cenário de crescimento (lento) estimado atualmente.

“O programa preenche a lacuna entre os pilotos iniciais já existentes na região e as metas de longo prazo. Estas intervenções são feitas em uma época em que a mobilidade elétrica ainda não é comercialmente viável e, portanto, requer apoio ao investimento inicial”, explica a proposta.

  • O foco é em veículos comerciais puramente elétricos, ou seja, ônibus, táxis e veículos de carga urbana, além de atualizações de infraestrutura de carga e rede
  • Nenhum veículo de uso privado é financiado
  • A principal área de investimento são os ônibus elétricos
  • Os investimentos estão ligados a novos modelos de negócios, baseados na separação da propriedade de ativos e operações, que foram desenvolvidos em países da região (Chile e Colômbia) e estruturas de prestação de serviços

O E-motion foi desenhado para implementação no Brasil, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, México e Peru, em estreita coordenação com o Banco de Desenvolvimento da América Latina.

Uma proposta similar deverá ser apresentada para Argentina, Uruguai, Paraguai e Panamá, também sob o selo E-motion.

O programa tem ainda um plano de ação de gênero, com foco em melhorar a igualdade de gênero e reduzir o assédio sexual no transporte público.

Prioridade nos biocombustíveis

Os países alvos do projeto do GCF têm o direito de se manifestar sobre eventuais objeções, para evitar o risco de interferência nas políticas nacionais.

No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) se posicionou favoravelmente, desde que o plano não interfira no planejamento nacional, que prioriza os biocombustíveis.

Além dos biocombustíveis tradicionais – etanol e biodiesel –, de uso consolidado e com políticas públicas definidas, o MME está lançando o programa Combustível do Futuro, formalizado por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

E apesar do discurso a favor dos biocombustíveis, no curto prazo, o governo tem interrompido a política federal de expansão da mistura de biodiesel no diesel devido ao impacto do preço para os consumidores – em especial os caminhoneiros –, o que levanta questões sobre a garantia, do ponto de vista ambiental, dessa política.

Há ainda uma discussão sobre qual modelo seria mais eficiente. No caso de veículos pesados, como ônibus e caminhões, biometano e hidrogênio são apontados como alternativas que melhor se adequam à realidade brasileira.

Já no caso de veículos leves, grandes marcas como Nissan, Volvo e Mercedes oferecem veículos totalmente elétricos, mas também desenvolvem híbridos plug-in e apostam na tecnologia da célula a combustível alimentada por etanol.

Raio-X do E-motion

  • Volume total de recursos do programa: € 914 milhões
  • Investimento do GCF: € 341 milhões, dos quais € 207,4 milhões serão empréstimo concessional, e € 133,3 milhões de subvenção (assistência técnica e financeira)
  • Financiamento de pelo menos um projeto em cada país participante
  • Pipeline inicial de projetos focado em financiamento não soberano, com cerca de 1/3 dos projetos com financiamento público soberano e 2/3 com financiamento não soberano
  • Impacto da mitigação ao longo da vida útil dos ativos de 3,03 milhões de toneladas de CO2 equivalente diretamente dos projetos de investimento, e 94,9 milhões de toneladas de CO2 equivalente como total do programa
  • Custo de intervenção de projetos de investimento: € 112 por tonelada de CO2 equivalente e € 4 por tonelada de CO2 equivalente do programa total
  • 39 bilhões de litros de combustível fóssil economizados
  • Benefícios econômicos devido à redução de emissões avaliados em € 4,6 bilhões

O projeto é desenvolvido pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AfD), em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), com a Proparco – braço privado de financiamento da AfD – e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

O Green Climate Fund (GCF) foi criado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). O Brasil não é um dos financiadores do GCF, que conta com compromissos de aportes de US$ 9,7 bilhões anunciados desde 2014. A França fez o segundo maior, de US$ 1,7 bilhão.

A AfD espera aprovar o E-Motion na reunião do GCF em outubro de 2021.

Nayara Machado