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Produtores de cana do Brasil amargam prejuízo apesar de margem de lucro

cana caida 210714Estudo mostra que mesmo tendo margem de lucro na safra 2013/14, fornecedores de cana não conseguiram sair do vermelho

NovaCana 5 min de leitura

A safra 2013/14 não foi ruim apenas para as usinas, que registraram margens negativas para o açúcar e o etanol. Os fornecedores de cana também ficaram no prejuízo, mesmo obtendo margens líquidas positivas.

Segundo relatório sobre os custos de produção da cana, açúcar e etanol, elaborado pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Esalq/USP, o prejuízo é uma realidade para todos os produtores.

Veja a seguir os destaques do trabalho sobre os fornecedores de cana brasileiros.

A safra 2013/14 não foi ruim apenas para as usinas, que registraram margens negativas para o açúcar e o etanol. Os fornecedores de cana também ficaram no prejuízo, mesmo obtendo margens líquidas positivas.

Segundo relatório sobre os custos de produção da cana, açúcar e etanol, elaborado pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Esalq/USP, o prejuízo é uma realidade para todos os produtores.

“Na análise dos custos totais, ou seja, incorporando os custos de capital aos custos operacionais, a situação é de prejuízo para todas as regiões analisadas”, diz o documento.

Segundo os pesquisadores do Pecege, a rentabilidade dos fornecedores da matéria-prima diminuiu, tendo em vista uma queda de R$4/t no preço da cana, em função, basicamente, “da redução dos índices de qualidade da matéria-prima e dos preços do ATR”.

Relacionando os custos com os preços praticados, observa-se que, mesmo com uma queda na rentabilidade, as margens dos fornecedores mantiveram-se positivas. As margens líquidas foram de R$ 1,82/t nas áreas tradicionais e R$ 5,81/t nas áreas de expansão, 2,99% e 9,55%, respectivamente.

Confirmando as projeções feitas no ano passado, os custos mais elevados foram registrados no nordeste. Os custos dos plantadores de cana da região ficaram na faixa de R$ 81/t, em função de uma menor produtividade agrícola e de uma queda na rentabilidade, com margem negativa de R$ 14/t ou 21%.

“O principal motivo foi a queda na qualidade da matéria-prima, que em função das chuvas, teve um decréscimo de 8%, quando comparado a safra 2012/13”, analisa a pesquisa, financiada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Custos de produção

No Centro-Sul, os custos de produção operacionais dos fornecedores de cana ficaram em patamares semelhantes aos da safra passada.

Nas áreas tradicionais e de expansão, as despesas ficaram em torno de R$ 59/t e R$ 55/t, apresentando “uma sensível queda em função do aumento de produtividade”, o que na análise dos pesquisadores do Pecege teria “compensado eventuais aumentos, como o preço do diesel e salários relacionados à mão de obra”.

O gráfico abaixo dá uma ideia da distribuição relativa dos fatores de formação dos custos de produção de cana-de-açúcar, sob a perspectiva dos insumos de produção.

graf custo cana v2 031014

*Outros: Somatório dos fatores: arrendamento, capital de giro, depreciaçào com benfeitorias e equipamentos de irrigaçào, remuneração do proprietário e remuneraçào do capital. Fonte: Pecege

Nota-se uma participação relevante do maquinário agrícola na formação dos custos dos fornecedores, seguida pelos insumos agrícolas, que representam de 20 a 25% das despesas totais.

Na opinião do pesquisador Renato Harbs, embora o produtor tenha mantido um custo operacional total similar ao da safra anterior, “ele foi prejudicado pelo preço do ATR e pela própria queda na qualidade de sua matéria-prima, encurtando sua margem líquida”.

Para ele, a alternativa para reverter este quadro seria aumentar a produtividade. “Com uma produtividade maior, haveria a diluição do custo por tonelada e um preço maior pela cana, o que aumentaria a margem líquido e o lucro dos plantadores de cana”, disse.

O pesquisador do Pecege também ressalta que outro fator preponderante é a escala de produção. “Regiões com pequenas áreas de produção têm gastos excessivos, especialmente com custos administrativos”, destaca.

Produtividade, ATR e colheita mecanizada

Quanto a produtividade agrícola, houve um aumento de cerca de 3 t/ha para todas as regiões, ao passo em que os níveis de ATR mostraram um recuo, com destaque para a região nordeste que, em função da elevada quantidade de chuvas, apresentou queda de 8%.

Nas regiões tradicionais, a colheita mecanizada atingiu 77%, enquanto que nas áreas de expansão e no nordeste estes índices foram de 100 e 0%, respectivamente. A tabela abaixo mostra um panorama dos indicadores de produção da safra 2013/14. Com exceção da nova fronteira, ou área de expansão, percebe-se que o plantio mecanizado é praticamente nulo.

Indicadores de produção na safra 2013/14 para os modelos macrorregionais

Indicador

Unidade

Tradicional

Expansão

Nordeste

Área total

ha

170

550

143

Área arrendada

%

9%

21%

7%

Produtividade média

t/ha

80

84

52

Produção total

t

11.227

36.896

5.880

Cortes

n

5

5

5

Teor de ATR

kg/t

133,28

133,10

126,14

Raio médio

km

25

22

23

Colheita mecanizada

%

77%

100%

0%

Plantio mecanizado

%

0%

81%

0%

Arrendamento

t/ha

21

13

8

Preço do ATR

R$/kg ATR

0,4572

0,4572

0,5408

Fonte: Pecege

Previsões para a safra 2014/15

“Se a safra 2013/14 não foi boa, o próximo ciclo também será complicado”, alerta Harbs.

Os resultados preliminares do programa de pesquisa da Esalq apontam uma queda de produtividade nas regiões tradicionais. “Este cenário foi criado a partir das condições climáticas desta safra. Tivemos quedas expressivas de produtividade nas regiões de Piracicaba e Sertãozinho”, informa Harbs.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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