Reunindo informações de 2006 a 2015, o NovaCana compilou os dados de uma forma inédita, identificando faixas de rendimento agrícola e sua participação na safra de cada região
Mais cana, mas com menor rendimento agrícola. Essa estranha fórmula está presente em quase todos os principais estados produtores do Brasil. Ao longo dos últimos dez anos, a evolução na produção se deu, em parte, por um aumento na área plantada, apesar da involução da quantidade de cana-de-açúcar produzida por hectare.
Segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio dos canaviais brasileiros caiu de 75,1 ton/ha em 2006 para 74,2 ton/ha em 2015. Ao mesmo tempo, a produção total de cana-de-açúcar aumentou de 477,5 milhões para 748 milhões de toneladas (os dados consideram todos os canaviais do país, não apenas os destinados às indústrias sucroenergéticas, e são referentes aos períodos de janeiro a dezembro).
Por mais que a expectativa natural seja a de que novas áreas apresentem um rendimento inicial menor, a queda afetou áreas já estabelecidas. Assim, os números trazem os impactos climáticos e, principalmente, os resultados da falta de investimentos nos canaviais.
Reunindo informações de 2006 a 2015, o NovaCana compilou os dados de uma forma inédita, identificando faixas de rendimento agrícola e sua participação – absoluta e relativa – na safra de cada região.
Em gráficos exclusivos, entenda a evolução do rendimento agrícola e identifique tendências a partir dos seguintes recortes:
- Brasil
- São Paulo (todo o estado)
- SP: Região de Ribeirão Preto
- SP: Região de São José do Rio Preto
- SP: Região de Bauru
- SP: Região de Araraquara
- SP: Região de Araçatuba
- SP: Região de Piracicaba
- SP: Região de Campinas
- SP: Região de Assis
- SP: Região de Presidente Prudente
- SP: Região de Itapetininga
- SP: Região de Marília
- Goiás
- Minas Gerais
- Paraná
- Mato Grosso do Sul
- Alagoas
- Mato Grosso
Mais cana, mas com menor rendimento agrícola. Essa estranha fórmula está presente em quase todos os principais estados produtores do Brasil. Ao longo dos últimos dez anos, a evolução na produção se deu, em parte, por um aumento na área plantada, apesar da involução da quantidade de cana-de-açúcar produzida por hectare.
Segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio dos canaviais brasileiros caiu de 75,1 ton/ha em 2006 para 74,2 ton/ha em 2015. Ao mesmo tempo, a produção total de cana-de-açúcar aumentou de 477,5 milhões para 748 milhões de toneladas (os dados consideram todos os canaviais do país, não apenas os destinados às indústrias sucroenergéticas, e são referentes aos períodos de janeiro a dezembro).
Por mais que a expectativa natural seja a de que novas áreas apresentem um rendimento inicial menor, a queda afetou áreas já estabelecidas. Assim, os números trazem os impactos climáticos e os resultados de uma carência de investimentos nos canaviais.
Brasil
A verdade é que a evolução da produtividade no país traz um resultado claro da crise vivida pelas usinas. Especialmente a partir de 2010, houve uma redução de áreas com produtividade elevada – acima de 90 toneladas de cana por hectare – e um claro aumento da faixa entre 70 ton/ha e 80 ton/ha. Apesar dessa faixa ainda ser considerada como de bom resultado, ela caracteriza a perda de espaço relativo das áreas mais produtivas, que passaram a significar menos no resultado total da safra brasileira.
Assim, enquanto as áreas com rendimento inferior a 80 ton/ha geraram 37,72% da cana-de-açúcar moída em 2006, elas representaram 53,92% do total em 2015. Em volume, o número se torna ainda mais significativo, indo de 179,9 milhões para 406,7 milhões de toneladas (+126,1%).

São Paulo
Como o maior produtor de cana-de-açúcar do país, o estado de São Paulo apresenta um quadro similar ao nacional. São as diferenças, entretanto, que deixam claro o papel do estado no setor sucroenergético do país.
Observando os números paulistas, os efeitos da crise ficam bastante evidentes a partir de 2011, especialmente com a queda na participação das áreas de alta produtividade. Em 2008, por exemplo, as faixas acima de 90 ton/ha chegaram a representar 43,57% do total de cana-de-açúcar moída, com 179,79 milhões de toneladas. Em 2014 – um ano marcante para o estudo devido às quedas de produção provocadas pelo El Niño –, essa participação foi de apenas 6% (23,98 milhões de toneladas).
Aliás, postos em comparação com outros resultados anuais, os números de 2014 ainda assustam. Os rendimentos dos canaviais sofreram quedas drásticas e a produtividade média ficou em 72,1 ton/ha. Para efeitos de comparação, esse índice foi de 80,4 ton/ha em 2013 e de 76,6 ton/ha em 2015, um ano que também foi prejudicado pelo El Niño, ainda que em menores proporções.
Ainda assim, São Paulo é um dos estados com maior rendimento do país quando o assunto é cana-de-açúcar. As áreas com rendimento abaixo de 50 ton/ha possuem uma participação praticamente insignificante no total. Além disso, as faixas de rendimento superior a 70 ton/ha apresentam resultados melhores que a média nacional.

Para entender melhor o estado, contudo, é preciso olhar para suas regiões principais produtoras. Elas são (por ordem de volume de cana-de-açúcar moído em 2015): Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru, Presidente Prudente, Araçatuba, Araraquara, Assis, Campinas, Marília, Itapetininga, Piracicaba e, por fim, a região Macro Metropolitana Paulista.












Goiás
Em 2015, o segundo estado que mais produziu cana-de-açúcar no Brasil foi Goiás, com 70,41 milhões de toneladas. Esse total demonstra a intensa expansão na área plantada de cana que ocorreu na região. Ao longo do período analisado, a produção goiana aumentou em 269,63%, indo de 19,05 milhões para 70,41 milhões de toneladas de cana.
Esses números, entretanto, são acompanhados de um rendimento agrícola que vem decaindo. Em 2009, o estado chegou a uma média de 83,36 ton/ha, mas esse número foi de 77,22 ton/ha em 2015. O que aconteceu na região, entretanto, difere-se do quadro de São Paulo.
Em Goiás, as áreas de produtividade elevada – acima de 90 ton/ha – conseguiram se manter relativamente constantes ao longo dos últimos anos, registrando uma queda pequena no período de crise, mas acompanhando a expansão da área canavieira. Dessa forma, no período de auge, em 2008, as áreas de maior rendimento representavam 26,92% da produção de cana-de-açúcar do estado (8,91 milhões de toneladas). Em 2015, esse número era de 23,25% (16,37 milhões de toneladas).
Contudo, as áreas de rendimento baixo apresentaram uma expansão relativa significa. Em 2011, quando o estado chegou a registrar uma redução da área plantada de cana, os municípios de rendimento médio abaixo de 80 ton/ha passaram a ser responsáveis por 38,74% do total produzido, somando 21,32 milhões de toneladas. Mesmo com a leve recuperação vista no ano seguinte, esse índice voltou a crescer, até chegar a 46,91% em 2015, com 33,0 milhões de toneladas.

Minas Gerais
Assim como aconteceu com São Paulo, Minas Gerais foi gravemente afetado pelo El Niño em 2014. A diferença, no entanto, é que o estado não apresentou uma recuperação – pelo contrário, a tendência de queda na produtividade apenas se acentuou em 2015.
Antes desse período, entretanto, é possível notar duas tendências que afetavam fortemente o estado. Uma delas era o aumento gradual das áreas de alta produtividade (acima de 90 ton/ha), que cresciam mesmo com a crise e, em 2013, representavam 43,26% do total produzido, equivalente a 30,98 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Inclusive, durante todo o período entre 2009 e 2013, as áreas com rendimento acima de 100 ton/ha acumularam mais de 10% da produção estadual da cultura.
Ao mesmo tempo, as áreas de baixo rendimento agrícola (inferior a 80 ton/ha) se mantiveram relativamente estáveis até 2009. Entre 2010 e 2013, o estado começou a sentir um aumento gradual, especialmente das áreas entre 60 ton/ha e 80 ton/ha.
Em 2014, com o impacto do clima, boa parte das áreas de rendimento entre 70 ton/ha e 80 ton/ha registrou uma nova queda na produtividade. Com isso, as áreas com rendimento entre 80 ton/ha e 90 ton/ha passaram a representar a maior parte da produção mineira, sendo responsáveis por 58,51% da cana-de-açúcar moída em 2015 (40,38 milhões de toneladas).

Paraná
Outro estado que caminhava para uma predominância das áreas de alto rendimento agrícola, o Paraná começou a sentir os efeitos de uma mudança na maré do setor sucroenergético já em seus resultados de 2010. No período de um ano, a produtividade média do estado caiu de 90,42 ton/ha para 77,27 ton/ha, chegando ao seu valor mais baixo em 2011, com 69,98 ton/ha.
Em 2009, as faixas de produtividade de 90 ton/h a 100 ton/ha e acima de 100 ton/ha representavam, respectivamente, 44,76% (24,10 milhões de toneladas) e 25,11% (13,52 milhões de toneladas) da produção de cana-de-açúcar. No ano seguinte, esses números caíram bruscamente, indo para 10,17% (4,92 milhões de toneladas) e 6,15% (2,97 milhões de toneladas).
Ainda que esses números tenham ensaiado uma recuperação em 2013, as baixas produtividades ganharam espaço na produção paranaense, caracterizando uma dificuldade maior de recuperação entre os produtores que já apresentavam rendimentos medianos. Em 2014, por exemplo, 19,64 milhões de toneladas de cana-de-açúcar – o equivalente a 40,96% da safra – vieram de áreas com rendimento abaixo de 70 ton/ha. Em 2009, esse número era de 1,69 milhões de toneladas, ou 14,21% do total.

Mato Grosso do Sul
Caracterizado por uma grande expansão canavieira nos últimos anos, Mato Grosso do Sul teve praticamente todos os seus municípios classificados com rendimentos médios abaixo de 80 ton/ha. Ainda que a baixa produtividade seja esperada em áreas novas, o índice negativo foi alimentado por uma queda muito grande do rendimento nas plantações já estabelecidas.
Os locais com rendimento acima de 100 ton/ha, por exemplo, chegaram a produzir 7,93 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2010. Contudo, desde 2012, rendimentos como esse se tornaram raridade no estado, representando menos de 686 mil toneladas em 2015.
A notícia positiva é que 2015 trouxe uma melhora considerável da produtividade como um todo. As faixas de rendimento abaixo de 70 ton/ha passaram a representar apenas 6,2% da produção (2,72 milhões de toneladas), ante 60,59% no ano anterior. Por sua vez, as áreas de produtividade média acima de 80 ton/ha passaram para 52,34% do total (22,99 milhões de toneladas).
Caso o rendimento agrícola no estado continue a aumentar, é provável que o Mato Grosso do Sul não demore em ultrapasse a produção do Paraná – que tem apresentado números absolutos de produção relativamente estáveis nos últimos seis anos analisados –, tornando-se o quarto maior estado produtor do país.

Alagoas
O ano de 2015 também trouxe boas novas para os produtores de cana-de-açúcar do Alagoas. Essa foi a única vez, dentre os 10 anos analisados, que municípios do estado conseguiram superar a produtividade média de 90 ton/ha. Mesmo que um volume de 951,8 mil toneladas pareça pequeno em relação a outras unidades da federação, ele representa 4,6% da produção total de Alagoas.
No estado, predominam os canaviais de rendimento mediano-baixo, especialmente na faixa de 60 ton/ha a 70 ton/ha, que, em 2011, chegaram a representar 99,89% da produção total. Em 2015, além do surgimento dos canaviais com produtividade acima de 90 ton/ha, grande parte dos canaviais melhorou seus resultados, com a faixa entre 70 ton/ha e 80 ton/ha tornando-se mais significante, alcançando 9,29 milhões de toneladas (44,84% da produção).
O aumento, contudo, vem com uma ressalva importante. A área dedicada à cana-de-açúcar sofreu uma grande redução no estado, indo de 450,6 mil hectares em 2014 para 308 mil hectares em 2015, o que resultou em uma queda na produção – de 28,7 milhões de toneladas para 20,7 milhões de toneladas. Com a reativação de algumas usinas, é provável que os números de 2016 sofram um aumento, mas a crise produtiva no estado ainda está longe de ser superada.

Mato Grosso
Por fim, Mato Grosso é um estado que tem mantido um rendimento médio entre 68,95 ton/ha e 69,61 ton/ha nos últimos quatro anos analisados – um valor abaixo da média nacional. Durante esse período, a maior parte da produção está concentrada em canaviais com produtividade entre 60 ton/ha e 80 ton/ha.
Especificamente, a faixa entre 70 ton/ha e 80 ton/ha está ganhando espaço, demonstrando uma recuperação em relação aos resultados de 2011. Naquele ano, o estado atingiu seu menor rendimento médio, com 61,9 ton/ha, dando continuidade à queda já vista em 2010. Contudo, a carência de investimentos está impedindo que áreas de alto rendimento voltem aos patamares anteriores.
Em 2009, 47,27% da cana-de-açúcar veio de áreas com produtividade acima de 80 ton/ha, somando 7,66 milhões de toneladas. Já em 2015, essa participação foi de apenas 6,65%, com 1,34 milhões de toneladas.

O panorama nacional completo de rendimento agrícola, por cidade e estado, está disponível no NovaCana DATA por meio de planilhas com tabelas e gráficos interativos (exclusivo para assinantes). Para gráficos relacionados com as faixas de produtividades apresentadas nesse texto, acesse a planilha “Rendimento Médio”.
Renata Bossle – NovaCana