Etanol: Mercado

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[Atualizado] Datagro faz suas estimativas para a safra 2015/16


Agência Estado - Publicado: 29 Jan 2015 - 14:00 | Atualizado: 29 Jan 2015 - 15:58

A produção de etanol pelo Brasil deve bater recorde na safra 2014/15, que se encerra oficialmente em 31 de março. De acordo com a Datagro, deverão ser produzidos 29,11 bilhões de litros, 3,3% acima da safra 2014/15. Desse total, 13,11 bilhões de litros serão de anidro (+6,9%) e 16 bilhões de litros, de hidratado (+0,4%).

Considerando-se o Brasil, o mix de produção penderá novamente para o etanol, com 57,2% de cana destinada para o biocombustível. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira, 29, pela consultoria, em São Paulo.

Moagem

A Datagro prevê que a moagem de cana-de-açúcar pelas usinas do Centro-Sul do Brasil deve aumentar em torno de 2,5% na safra 2015/16, que se inicia em 1º de abril, para 584 milhões de toneladas. A variação é sobre o ciclo 2014/15, fortemente prejudicado pela estiagem. No Brasil a expectativa é que alcance 642 milhões na safra 2015/16, 1,9% mais na comparação com 2014/15.

"Do ponto de vista da cana, neste momento a safra está se desenvolvendo de forma regular", afirmou o presidente da Datagro, Plínio Nastari. "Em novembro tivemos chuvas acima da média em São Paulo. Em dezembro, ficou na média, enquanto em janeiro, abaixo, o que nos leva a crer que a safra se desenvolva de forma regular." Ainda segundo Nastari, nove usinas devem deixar de operar em 2015/16.

Corte na estimativa de déficit de açúcar na safra global 2014/15

A Datagro cortou sua estimativa para o déficit de açúcar na safra global 2014/15, que se encerra em 30 de setembro, de 3,24 milhões de toneladas para 2,05 milhões de toneladas. Caso se confirme, seria o primeiro ciclo com demanda superando a produção desde 2009/10, quando o déficit ficou em 3,61 milhões de toneladas.

Mesmo assim, os estoques globais permanecem amplos e poderão suprir a demanda. De acordo com Nastari, as reservas globais podem abastecer até 43% do consumo em 2014/15. Na temporada 2013/14, que terminou em 30 de setembro do ano passado, houve superávit de 2,35 milhões de toneladas.

Produção de açúcar

Com relação à fabricação de açúcar, espera-se um recuo de 37,6 milhões de toneladas em 2013/14 para 35,5 milhões de toneladas na atual temporada. A moagem de cana no ciclo atual também caiu, para 627,6 milhões de toneladas (-3,8%).

Segundo o presidente da Datagro, Plínio Nastari, a oferta de Açúcares Totais Recuperáveis (ATRs) na safra 2014/15 foi 1% maior na comparação com o ciclo imediatamente anterior, com 85,4 kg por tonelada. Entretanto, os níveis de impurezas no momento da moagem chegaram a 7,8% por tonelada de cana.

Possibilidades de preço

Ao analisar o impacto da Cide, que dentro de 90 dias entra em vigor com a taxação de R$ 0,22 sobre a gasolina, Nastari diz que o valor não deve ser capturado totalmente pelas usinas, que devem ficar com ganho das entre R$ 0,7 a R$ 0,12 por litro, pois as margens serão distribuídas também com refinarias, distribuidores e consumidores. O calculo vale para o etanol hidratado, cujo no preço tem relação o da gasolina, por ser produto de uso alternativo nos veículos flex. “No caso do álcool anidro, misturado à gasolina, a possibilidade é de captura dos R$ 0,22/litro”, diz ele.  

Nastari diz que o aumento na Cide ajuda, mas não resolve o problema do endividamento das usinas. Ele afirmou que na próxima safra mais nove usinas devem suspender a moagem da cana, totalizando 92 unidades paralisadas desde 2008. Na opinião do especialista, a retomada dos investimentos somente ocorrerá a partir de uma política de longo prazo, que leve o setor confiar de novo governo.

"Proer"

O presidente da Datagro concorda com a proposta do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, presidente do conselho da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), que defende um “Proer” (renegociação) para as dívidas das empresas, que segundo cálculos do setor privado chegam a R$ 77 bilhões. Plínio argumenta que o endividamento é resultado de um conjunto de fatores, como exigência de mecanização na colheita da cana; quebras provocadas pelas adversidades climáticas, impacto da crise financeira internacional de 2008; e a defasagem dos preços da gasolina pratica pelo governo.

Segundo os cálculos da Datagro, nos período de 2002 a 2014 os preços a da gasolina apresentam uma defasagem de 26,8% considerando o IGPDI. O preço passou de R$ 1,999/litro para R$ 2,904/litro, quando se corrigido pela inflação deveria custar R$ 3,968/litro. No caso do álcool anidro a defasagem no período foi de 11,07% e no hidratado de 10%. Corrigidos pela inflação, o anidro custaria hoje na usina R$ 1,593/litro e o hidratado R$ 1,407.