A produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil caiu 27,1% na primeira quinzena de outubro ante igual período do ano passado, para 1,87 milhão de toneladas, em momento em que os trabalhos de moagem de cana-de-açúcar estão sendo prejudicados por chuvas, mostraram nesta quarta-feira, 28, dados publicados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A moagem de cana-de-açúcar no período somou 27,3 milhões de toneladas, queda de 21,3% na comparação anual, segundo os números, fornecidos pelas usinas ao ministério.
O total processado e a produção de açúcar ficaram abaixo de uma projeção da Platts, elaborada com números de 11 analistas. A pesquisa havia apontado uma moagem de cana de 28,48 milhões de toneladas na primeira metade do mês, enquanto a fabricação do adoçante foi estimada em cerca de 2 milhões de toneladas.
Conforme a Platts, o Centro-Sul perdeu o equivalente a 5,6 dias de moagem por chuvas no período.
Já a fabricação de etanol, que inclui o combustível de cana e milho, recuou 26,1%, para 1,53 bilhão de litros, versus expectativa da Platts, de 1,69 bilhão de litros.
As precipitações, associadas ao El Niño, também reduziram a moagem e a produção de açúcar no acumulado da safra. Desde abril, a moagem atingiu 509,7 milhões de toneladas, redução de 2,9%.
A produção acumulada de açúcar alcançou 30,8 milhões de toneladas até 15 de outubro, queda de 14,6% ante o mesmo período da temporada anterior.
Já a produção de etanol avançou 4,3% no acumulado da temporada, para 26,4 bilhões de litros, contando com o impulso da expansão das usinas de milho em meio à redução da moagem de cana.
Segundo especialistas, mais recentemente, com a alta dos preços do açúcar, as indústrias passaram a destinar mais cana para o adoçante após iniciarem a temporada com um mix de produção mais alcooleiro.
Os estoques disponíveis de etanol no Centro-Sul totalizavam 7,341 bilhões de litros em 15 de outubro, considerando a soma dos volumes anidro e hidratado. O total representa queda de 10,3% ante os totais disponíveis na mesma data do ano passado, uma vez que as vendas estão aquecidas.
Os estoques disponíveis de etanol anidro, usado na mistura à gasolina, somavam 2,68 bilhões de litros, recuo de 19,7% na comparação anual. Já os estoques disponíveis de etanol hidratado, utilizado diretamente nos veículos flex, atingiam 4,66 bilhões de litros, queda de 3,7% ante 15 de outubro de 2025.
André Romani e Roberto Samora