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Série de problemas deixam usinas brasileiras à mercê do mercado mundial de açúcar

graf acucar brazil 280514"[A indústria brasileira de cana] deveria estar numa posição de controlar o seu destino, mas no caso do Brasil, é o mercado que controla o país."
NovaCana 5 min de leitura
Quando operadores e executivos do setor açucareiro se reuniram este mês para o seu habitual encontro anual da indústria, em Nova York, o clima no salão estava tão carregado quanto os céus de Manhattan.

O motivo para tanta cara amarrada entre os delegados presentes no cavernoso Waldorf Astoria Hotel era bem claro: o Brasil e a contínua deterioração do seu setor sucroalcooleiro.

O país luta contra a inflação e os custos ascendentes. Para levantar caixa, as endividadas usinas brasileiras vendem açúcar a valores abaixo do preço de custo, provocando quedas nas cotações mundiais do produto.

"Nesta safra os brasileiros vão continuar a vender por qualquer preço, determinando assim a cotação global", diz Jonathan Kingsman, fundador da consultoria homônima.

Quando operadores e executivos do setor açucareiro se reuniram este mês para o seu habitual encontro anual da indústria, em Nova York, o clima no salão estava tão carregado quanto os céus de Manhattan.

O motivo para tanta cara amarrada entre os delegados presentes no cavernoso Waldorf Astoria Hotel era bem claro: o Brasil e a contínua deterioração do seu setor sucroalcooleiro.

O país luta contra a inflação e os custos ascendentes. Para levantar caixa, as endividadas usinas brasileiras vendem açúcar a valores abaixo do preço de custo, provocando quedas nas cotações mundiais do produto.

"Nesta safra os brasileiros vão continuar a vender por qualquer preço, determinando assim a cotação global", diz Jonathan Kingsman, fundador da consultoria homônima.

Embora a cotação tenha se elevado brevemente — no rescaldo dos temores com a seca no Brasil — e ultrapassado os US$ 0,18/libra, maior cotação em quatro semanas, após realização de lucros o mercado voltou a recuar.

O Brasil é o país-chave na definição das cotações internacionais do açúcar: é o principal player do mercado, respondendo por 20% da oferta global e 60% das transações envolvendo a commodity.

Em muitos setores o produtor dominante é capaz de resistir aos altos-e-baixos do mercado e influir nos preços, mas com o açúcar não é bem assim.

"[A indústria brasileira de cana] deveria estar numa posição de controlar o seu destino", diz Jean-Luc Bohbot, que chefia as operações de açúcar da trader agrícola Wilmar, com sede em Cingapura. "Mas no caso do Brasil, é o mercado que controla o país."

O setor padece com excesso de capacidade, problemas de armazenagem e logísticos, acúmulo de dívidas acarretadas pelos custos de produção crescentes, e políticas governamentais desfavoráveis.

Há meia década o mercado assistiu ao ingresso de vários novos competidores, atraídos pelo entusiasmo do governo com os biocombustíveis e pela promessa de uma maior demanda para o etanol de cana — biocombustível que pode ser misturado com a gasolina ou usado puro na frota de veículos flex-fuel.

Usinas de açúcar e etanol foram compradas e novas foram construídas, tanto por grupos locais como internacionais.

A seca de 2010, entretanto, fez com que faltasse cana para processar, agravando a ociosidade na indústria, ao mesmo tempo em que os valores da mão-de-obra e das terras aumentavam.

Os custos para produzir açúcar no Brasil já foram os menores do mundo. Mas esses custos não pararam de crescer nos últimos anos, variando hoje num patamar de US$ 0,20 a US$ 0,24 por libra, dependendo do tamanho e da idade da unidade produtiva.

Buscando reduzir a ociosidade e melhorar a eficiência das plantas, os usineiros ampliaram a produção de cana. Mas para seu alarme, o governo brasileiro, preocupado com a inflação, limitou os preços dos combustíveis e acabou achatando as margens de lucro do etanol.

Ao contrário de vários outros países fabricantes de açúcar onde os produtores são generosamente subsidiados, no Brasil os usineiros recebem pouca ajuda do governo. Para fazer caixa, muitos são forçados a vender o produto ao preço que estiver disponível.

Eles também carecem de armazéns. Ao contrário, por exemplo, dos tailandeses, que optaram por aguardar até que os preços melhorassem, viram-se obrigados a vender o que produziram.

"A logística no Brasil dá muita pouca margem de flexibilidade. Você produz e tem que exportar", diz Bohbot, da Wilmar.

Executivos e analistas concordam que, a não ser que o setor consiga se reestruturar e o governo libere os preços dos combustíveis, as vendas brasileiras continuarão a afligir o mercado.

Muitos estão pessimistas de que a indústria consiga persuadir o governo em Brasília a repensar sua política para os combustíveis.

O setor sucroalcooleiro no Brasil é um conjunto desencontrado de grupos nacionais e internacionais dos ramos agrícola, comercial e energético. "Eles já não falam mais com uma única voz", observa Michael McDougall, da trader Newedge.

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Há sinais de racionalização.

Antes do evento em Nova York, o conglomerado Odebrecht anunciou que paralisaria algumas de suas plantas até que o governo alterasse sua política de combustíveis.

Outras usinas também foram obrigadas a fechar ou passam por dificuldades financeiras. A trader Bunge já colocou à venda as suas deficitárias operações de açúcar no país.

Ainda assim, a expectativa é que o processo seja lento. Empresários do setor dizem que os bancos locais, credores das dívidas das usinas, vêm se provando um obstáculo para a reestruturação.

Um executivo do grupo Gulfood, que tentou adquirir uma usina recentemente, revelou: "Não vale a pena. Os bancos não querem saber de negociar um desconto."

Tradução e adaptação NovaCana
Fonte: Financial Times
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