Perspectiva já reflete os esperados sinais positivos do RenovaBio, iniciativa lançada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) que visa expandir a produção de biocombustíveis no Brasil
Todo ano, o governo brasileiro lança um documento detalhando como ele espera que o Brasil produzirá e consumirá energia na próxima década. Trata-se do Plano Decenal de Energia (PDE), publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
No ano passado este plano (2016-2025) não saiu, pois a EPE ficou insatisfeita com os números depois o relatório já estava finalizado. Para não divulgar números defasados, a empresa vinculada ao MME decidiu se concentrar na nova versão, a 2017-2026.
Na segunda-feira (10), finalmente, foi possível conhecer a visão dos técnicos do governo sobre o futuro energético do Brasil. O momento é propício, pois é este documento que influencia — e é influenciado — pelo RenovaBio.
Conforme ressalta o trabalho, a perspectiva já reflete os esperados sinais positivos resultantes do RenovaBio, iniciativa lançada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que visa expandir a produção de biocombustíveis no Brasil.
Apesar dos ares de otimismo, os números finais estimados para 2026 são menores que os apontados dois anos antes, quando a EPE estendia suas projeções até 2024. Mesmo que o Renovabio tenha sido percebido como um elemento positivo para o futuro dos biocombustíveis, o programa não impactou fortemente a visão do governo sobre a oferta e a demanda do etanol. Com isso, a visão da EPE é de que o país produzirá menos etanol em 2026 do que o previsto há dois anos.
Os destaques da nova projeção e os gráficos comparando o PDE atual com o anterior estão disponíveis ao longo do texto.
Todo ano, o governo brasileiro lança um documento detalhando como ele espera que o Brasil produzirá e consumirá energia na próxima década. Trata-se do Plano Decenal de Energia (PDE), publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
No ano passado este plano (2016-2025) não saiu, pois a EPE ficou insatisfeita com os números depois o relatório já estava finalizado. Para não divulgar números defasados, a empresa vinculada ao MME decidiu se concentrar na nova versão, a 2017-2026.
Na segunda-feira (10), finalmente, foi possível conhecer a visão dos técnicos do governo sobre o futuro energético do Brasil. O momento é propício, pois é este documento que influencia — e é influenciado — pelo RenovaBio.
Conforme ressalta o trabalho, a perspectiva já reflete os esperados sinais positivos resultantes do RenovaBio, iniciativa lançada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que visa expandir a produção de biocombustíveis no Brasil.
Apesar dos ares de otimismo, os números finais estimados para 2026 são menores que os apontados dois anos antes, quando a EPE estendia suas projeções até 2024. Mesmo que o Renovabio tenha sido percebido como um elemento positivo para o futuro dos biocombustíveis, o programa não impactou fortemente a visão do governo sobre a oferta e a demanda do etanol. Com isso, a visão da EPE é de que o país produzirá menos etanol em 2026 do que o previsto há dois anos.
Em relação à oferta prevista até 2026, a EPE destaca que o etanol deve alcançar 44 bilhões de litros. Comparado com a atual oferta de etanol, de 29 bilhões de litros, o número representa um crescimento de 52%.

Isso mostra que, nos anos finais do prazo estabelecido pela COP 21, o setor vai ter que trabalhar com mais intensidade do que o previsto anteriormente. Segundo o antigo plano decenal, 44 bilhões de litros de etanol seriam ofertados em 2024, permitindo que a meta de consumo de 50 bilhões de litros fosse atingida com um crescimento constante de 1 bilhão de litros anuais na produção nacional a partir de 2020. Com a nova perspectiva da EPE, seriam necessários crescimentos anuais de, em média, 1,5 bilhão de litros entre 2020 e 2030. Isso, claro, considerando que a necessidade de combustíveis líquidos não caia até lá.
Neste sentido, a EPE parece apostar no carro elétrico, porém, não nos próximos dez anos. Para ela a penetração do elétrico deve vir com força depois de 2026.

No que se refere especificamente ao etanol hidratado, o PDE 2026 projeta a oferta de 31 bilhões de litros anuais ao final do período, ou seja, mais de 82% de crescimento em relação aos 17 bilhões de litros de etanol hidratado vistos no ano de 2016.
Segundo a EPE, para atender à demanda do Ciclo Otto, o mercado nacional de etanol carburante deve vivenciar uma trajetória de expansão até 2026. Também é esperado que investimentos das usinas no campo e na indústria, adicionados aos sinais produtivos provenientes de políticas públicas como o RenovaBio, desdobrem-se em um aumento da competitividade do etanol frente à gasolina.
Na área industrial, três fatores deverão proporcionar o crescimento da oferta de etanol. Um deles é a perspectiva de novas unidades produtoras. O governo federal espera uma ampliação de 4,8% no número de usinas em atividade, que deve ir de 378 unidades em 2016 para 396 no prazo de 10 anos – número que inclui novas unidades e a reabertura de usinas paradas.
Ainda haveria ganho na capacidade de produção por meio da expansão das unidades existentes. Além disso, o governo indica a perspectiva de empreendimentos direcionados a facilitar e a reduzir os custos de transporte e de armazenagem de etanol.
Também foi considerada a introdução da cana-energia em pequenos percentuais e que a produção de etanol celulósico será significativa somente no final do período de 10 anos, atingindo 634 milhões de litros em 2026.

Demanda de etanol
Em relação à demanda interna de etanol anidro e hidratado, estabelecida em 27 bilhões de litros em 2016, a EPE prevê que o consumo deve crescer, em média, 3,8% ao ano. Dessa maneira, o indicador deve atingir 39 bilhões de litros em 2026.
“Esse aumento da demanda carburante se justifica pelo aumento da competitividade do hidratado frente à gasolina, em parte por conta dos sinais positivos provenientes do RenovaBio, em parte por conta da melhoria dos fatores de produção realizada pelos empresários do setor”, destaca o documento.
No entanto, vale registrar novamente que a perspectiva é similar ao que se previa no Plano Decenal de dois anos atrás. A grosso modo, a EPE apenas adiou sua previsão de demanda em dois anos. Os 44 bilhões de litros etanol que antes seria necessário em 2024, agora só em 2026.

Mercado de açúcar
As perspectivas da EPE, ainda que sejam focadas na oferta e demanda de etanol, não podem se distanciar muito do mercado internacional de açúcar. O trabalho afirma que o mix ficará mais alcooleiro, saltando de 54% 2016 para 61% em 2026, atendendo a “maior demanda pelo biocombustível”. Porém, esta divisão do ATR foi feita considerando a maior rentabilidade do açúcar. Assim, as usinas direcionarão a cana essencialmente para o açúcar para atender o mercado mundial e, o que sobrar, será destinado ao etanol. Dessa forma a EPE espera que as usinas atenderão o mercado global de açúcar com folga e ainda se beneficiarão da necessidade maior por etanol.

A EPE espera que o Brasil corresponda, em média, a 43% do fluxo do comércio internacional de açúcar.
Ainda que não traga cálculos detalhados sobre essa oferta e demanda, os números apresentados indicam que a EPE não é particularmente otimista em relação ao cenário para o açúcar. A produção nacional total foi estimada em 43,8 milhões de toneladas em 2026 – um crescimento de 12,6% em relação às 38,9 milhões de toneladas de 2016.

Segundo o relatório, a projeção da produção brasileira de açúcar é composta por duas partes: consumo interno e exportação. A parcela dedicada ao mercado externo – que representa o principal destino da produção nacional –, foi estimada com base no aumento da demanda, no crescimento da produção em países como Tailândia e no fim das cotas de produção de açúcar, a partir de 2017, pela União Europeia.
No cenário apresentado, a participação nacional no mercado externo foi calculada como sendo superior a 45% em 2016. Ela deve cair especialmente nos dois anos seguintes, mantendo certa estabilidade a partir de 2019.
Além disso, de acordo com a EPE, o consumo interno considera a evolução do consumo per capita brasileiro e está relacionado aos aspectos de renda, envelhecimento da população e mudanças de hábitos alimentares. No período analisado, a produção direcionada ao mercado doméstico deve apresentar crescimentos anuais até 2019, permanecendo praticamente estável a partir dessa data, sem superar a marca de 15 milhões de toneladas.
E se tudo der errado?
Buscando antecipar possíveis ameaças ao abastecimento nacional de combustíveis para os veículos leves, a EPE realizou uma análise de sensibilidade para a oferta e demanda de etanol, considerando um cenário menos favorável para o setor sucroenergético. O recorte pessimista prevê os reflexos de um contexto menos favorável para o setor sucroalcooleiro com relação às políticas públicas, ou seja, sem o Renovabio ou outro programa similar.
Para tal, a EPE criou um cenário onde reduziu a diferenciação tributária entre a gasolina e o etanol. A perda de competitividade do etanol hidratado frente à gasolina C resultaria em um quadro onde o setor optaria por não realizar os investimentos de implantação de novas unidades, expansão e reativações anteriormente considerados pelo estudo.
Com isso, a estimativa de cana processada em 2026 seria de 775 milhões de toneladas, o que resultaria em uma oferta total de etanol de 39 bilhões de litros – 4,5 bilhões de litros a menos do que no cenário de referência.
Considerando a visão de assegurar o abastecimento energético nacional, esta análise tomou como base a demanda Ciclo Otto que advém da trajetória de maior licenciamento de veículos leves. Nesse caso, a EPE constatou que os volumes de gasolina A e de etanol anidro alcançariam, respectivamente, 31,2 bilhões de litros (aumento de 2,8 bilhões de litros) e 11,5 bilhões de litros (aumento de 1,1 bilhão de litros).
Esse aumento é consequência do menor volume de etanol hidratado disponibilizado pelos produtores para o mercado carburante. O volume seria de aproximadamente 23 bilhões de litros, um valor 5,6 bilhões de litros inferior ao do cenário de referência.
Destaques do novo Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE):
- Os biocombustíveis continuarão a ter participação relevante na matriz energética brasileira no próximo período decenal. O setor sucroenergético já possui papel de destaque na produção de etanol e vem aumentando sua contribuição na matriz elétrica com a bioeletricidade
- Espera-se uma recuperação dos indicadores de produção da cana (produtividade agrícola e rendimento industrial em ATR/tc), devido aos investimentos em renovação do canavial e tratos culturais e à evolução da mecanização dessa cultura
- Devido aos investimentos em renovação do canavial e tratos culturais e à evolução da mecanização dessa cultura, espera-se redução de custos de produção e aumento da competitividade do etanol frente à gasolina, o que, associado à necessidade de incremento da capacidade de moagem, motivará investimentos em unidades greenfields e na expansão de algumas unidades existentes.
- Considera-se, também, a introdução da cana-energia em pequenos percentuais e que a produção de etanol 2G será significativa somente no final do período (634 milhões de litros em 2026).
- A oferta de etanol total alcança 44 bilhões de litros em 2026, sendo 39 bilhões de litros relativos ao etanol hidratado.
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Marina Gallucci e Renata Bossle – NovaCana