Combustível que é misturado à gasolina está sendo negociado por 13% a mais sobre etanol hidratado; distribuidoras estão preferindo antecipar volumes já acordados
Por Nicolle Monteiro de Castro*
Ontem, 6, o prêmio do etanol anidro sobre o hidratado no mercado à vista do Centro-Sul foi negociado a 13%, aponta uma avaliação da S&P Global Platts. O resultado está abaixo da média de 14% vista nos contratos para a safra de cana-de-açúcar 2021/22.
Para seus cálculos, a Platts considerou o hidratado e o anidro isentos de impostos.
Desde o início da safra, em 1º de abril, até 5 de julho, o prêmio médio do etanol anidro sobre o hidratado no mercado à vista foi de 15%. Este é considerado o nível máximo para os contratos segundo participantes do mercado.
Conforme regra estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as distribuidoras de combustíveis e as usinas de etanol que comercializaram anidro no ano anterior precisam fechar contratos de um volume equivalente a 90% do total vendido no período. A medida foi criada para garantir que haverá anidro suficiente no mercado para a mistura obrigatória de 27% de biocombustível na gasolina.
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Por Nicolle Monteiro de Castro*
Ontem, 6, o prêmio do etanol anidro sobre o hidratado no mercado à vista do Centro-Sul foi negociado a 13%, aponta uma avaliação da S&P Global Platts. O resultado está abaixo da média de 14% vista nos contratos para a safra de cana-de-açúcar 2021/22.
Para seus cálculos, a Platts considerou o hidratado e o anidro isentos de impostos.
Desde o início da safra, em 1º de abril, até 5 de julho, o prêmio médio do etanol anidro sobre o hidratado no mercado à vista foi de 15%. Este é considerado o nível máximo para os contratos segundo participantes do mercado.
Conforme regra estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as distribuidoras de combustíveis e as usinas de etanol que comercializaram anidro no ano anterior precisam fechar contratos de um volume equivalente a 90% do total vendido no período. A medida foi criada para garantir que haverá anidro suficiente no mercado para a mistura obrigatória de 27% de biocombustível na gasolina.
Disponibilidade do anidro
Em anos anteriores, o prêmio médio do etanol anidro sobre o hidratado nos contratos era fixado entre 10,5% e 11%. Desta forma, o prêmio de 14% visto em 2021 já indicava que as distribuidoras estavam dispostas a pagar mais para garantir o produto.
Este ano, o volume que precisou ser comprometido previamente foi calculado a partir das vendas feitas em 2020, quando o consumo brasileiro de gasolina foi de 35 bilhões de litros, 6% abaixo de 2019. Assim, aumentos na demanda do combustível fóssil em relação ao ano passado não estão incluídos nas negociações já firmadas.
Uma análise da S&P Global Platts estima que a demanda brasileira de combustíveis do ciclo Otto aumentará 3,4% no comparativo anual. Ao mesmo tempo, o crescimento na produção total de etanol durante a safra 2020/21 pode estar limitado a cerca de 3,5 bilhões de litros, o que explica o apetite das distribuidoras em pagar prêmios mais elevados nos contratos fechados até meados de abril.
Visão do mercado
Participantes do mercado ouvidos pela Platts consideraram que a queda no prêmio do etanol anidro sobre o hidratado no mercado à vista é um reflexo da falta de liquidez para o anidro.
“Estamos totalmente fora do mercado à vista e antecipamos nossos contratos a prazo para suprir qualquer demanda adicional”, disse o representante de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil.
Por outro lado, outra grande compradora de combustíveis optou por executar a estratégia oposta, favorecendo a compra de qualquer volume adicional necessário no mercado à vista. “Como estamos vendo um mercado apertado no último trimestre de 2021 e no primeiro trimestre de 2022, entendemos que é melhor comprar à vista agora e garantir nossos contratos para a demanda futura”, disse o trader.
Do ponto de vista das usinas – apesar dos estoques de anidro em meados de junho estarem em 1,45 bilhão de litros, queda anual de 20,6% –, há a preocupação de que ocorra uma estratégia ampla de carrego com o objetivo de impedir um movimento de alta de preços no último trimestre do ano. Outro temor é a entrada de volumes importados no país, o que colocaria um teto sobre o valor à vista.
Em 6 de julho, a Platts avaliou o etanol anidro nas usinas de Ribeirão Preto (SP) em R$ 3.445 por metro cúbico. O preço ficou logo abaixo das ofertas mais competitivas registradas na mesma região, de R$ 3.500/m³.
* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana