Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 22 a 28 de janeiro:

Os valores do etanol caíram em 23 estados e os da gasolina em 16
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso
O preço do etanol hidratado teve redução nas usinas mato-grossenses e aumento nas goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 338 cidades brasileiras, 14 a mais em relação à semana anterior
Pela terceira consecutiva, os preços dos combustíveis do ciclo Otto tiveram redução na média nacional dos postos brasileiros.
Entre 22 e 28 de janeiro, o valor do etanol baixou 1,8%, saindo de R$ 3,85 por litro para R$ 3,78/L. A gasolina, por sua vez, registrou uma queda menos evidente, de 0,2%, indo de R$ 4,98/L para R$ 4,97/L.
Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a um levantamento em 338 cidades, incluindo as capitais brasileiras.
Por mais que o etanol tenha caído mais que a gasolina nas bombas, o biocombustível segue em desvantagem comercial ante o fóssil na média nacional.
De acordo com a ANP, a relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente nos postos foi de 76,1% na média nacional, pouco abaixo dos 77,3% de uma semana antes. Ainda assim, ela supera o limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.
Nas médias estaduais, o renovável voltou a ser competitivo em Mato Grosso. Isso não ocorria desde o período de 13 a 19 de novembro de 2022.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,5597/L para R$ 2,6898 /L. O aumento foi de 5,1%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve alta de 6,1% produtoras goianas e redução de 1,9% nas mato-grossenses.
Na última terça-feira, 24, a Petrobras anunciou um aumento de 7,5% no preço da gasolina que começou a valer na quinta-feira, 26. Assim, o preço médio às distribuidoras passou para R$ 3,31/L, um aumento de R$ 0,23/L, segundo a petroleira.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, o aumento foi insuficiente para que se abra uma janela de importação do combustível. Dados da associação indicaram que o preço da gasolina estava 15% menor em relação ao comercializado no exterior.
Com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 338 cidades, 14 a mais do que uma semana antes. Com um aumento gradual, a diferença no número compromete a comparação.
Segundo a ANP, de 22 a 28 de janeiro, os preços do etanol caíram em 22 estados e no Distrito Federal, subiram em três e ficaram estáveis em um. Já os da gasolina tiveram queda em 16 unidades da federação, registraram alta em oito e ficaram estáveis em três.

Em São Paulo, o biocombustível teve uma baixa de 1,9%, custando R$ 3,69/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,88/L, redução de 0,4%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 75,6%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável, mas que está levemente abaixo do visto uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,55/L na média, retração semanal de 1,9%. A gasolina ficou estável em R$ 4,78/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74,3%, desfavorável ao etanol, ainda que abaixo dos 75,7% do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma baixa de 2,1% no preço médio do etanol, para R$ 3,77/L, enquanto a gasolina reduziu 0,4%, sendo vendida por R$ 4,87/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 77,4% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma retração de 4,3%, indo a R$ 3,35/L – menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina caiu 1,2%, para R$ 4,89/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 68,5%, abaixo de uma semana antes, quando o valor era de 70,7%, e voltando a ser vantajosa para o biocombustível. Esta é a menor relação registrada entre os principais estados produtores de etanol.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 1,8%, para R$ 3,82/L. A gasolina, por sua vez, aumentou 0,6%, para R$ 4,82/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 79,3% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice abaixo do observado uma semana antes.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 80,6% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve uma baixa de 1,7%, sendo vendido por R$ 4,02/L na média estadual, também o maior valor entre os maiores estados fabricantes de etanol e o único acima de R$ 4/L. Já a gasolina teve ficou estável em R$ 4,99/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 338 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana