Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 15 a 21 de janeiro:

Os valores do etanol caíram em 17 estados e os da gasolina em 22
O consumo do biocombustível não é considerado economicamente vantajoso em nenhuma unidade da federação
O preço do etanol hidratado teve redução nas usinas paulistas, mato-grossenses e goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 324 cidades brasileiras, 13 a mais em relação à semana anterior
Pela segunda semana consecutiva, os preços dos combustíveis do ciclo Otto tiveram queda na média nacional.
De 15 a 21 de janeiro, o valor do etanol baixou 2,3%, saindo de R$ 3,94 por litro para R$ 3,85/L. A gasolina, por sua vez, registrou uma queda de 1,2%, indo de R$ 5,04/L para R$ 4,98/L.
Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a um levantamento em 324 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
De acordo com reportagem da Agência Estado, a redução nos preços da gasolina está vinculada à baixa no etanol anidro. Na média das usinas paulistas, o preço do insumo teve queda acumulada de 9,3% nas últimas três semanas, até 20 de janeiro. Os números são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.
Além disso, dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) publicados pelo jornal O Globo apontam que o valor da gasolina vendida pela Petrobras está 14% (R$ 0,49 por litro) abaixo do comercializado no exterior.
Conforme o presidente da associação Sergio Araujo, números inferiores à cotação internacional dificultam o avanço das importações, que são quase um terço do mercado. Além disso, ele relembrou em entrevista ao Globo que a Petrobras está há 45 dias sem alterar os preços nas refinarias.
Ainda que o etanol tenha caído mais que a gasolina nas bombas, o biocombustível segue em desvantagem comercial ante o fóssil. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente nos postos foi de 77,3% na média nacional, pouco abaixo dos 78,2% de uma semana antes. Ainda assim, ela supera o limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.
Nas médias estaduais, por sua vez, o renovável também não é considerado competitivo.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,5896/L para R$ 2,5597/L. A redução foi de 1,2%, conforme dados do Cepea. Além disso, houve baixa de 2,4% produtoras goianas e de 1,6% nas mato-grossenses.
Com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 324 cidades, 13 a mais do que uma semana antes. Com um aumento gradual, a diferença no número compromete a comparação.
Segundo a ANP, de 15 a 21 de janeiro, os preços do etanol subiram em sete estados e no Distrito Federal, caíram em 17, ficaram estáveis em um e não foram apresentados em um. Já os da gasolina caíram em 22 unidades da federação, tiveram alta em três e ficaram estáveis em duas.

Em São Paulo, o biocombustível teve uma baixa de 2,3%, custando R$ 3,76/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,90/L, redução de 1%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 76,7%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável, mas que está levemente abaixo do visto uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,62/L na média, retração semanal de 3,7%. A gasolina caiu 3,4%, para R$ 4,78/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 75,7%, desfavorável ao etanol, ainda que abaixo dos 76% do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma baixa de 2% no preço médio do etanol, para R$ 3,85/L, enquanto a gasolina reduziu 0,8%, sendo vendida por R$ 4,89/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 78,7% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma retração de 3%, indo a R$ 3,50/L – menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina reduziu 1,4%, para R$ 4,95/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 70,7%, abaixo de uma semana antes, mas ainda desvantajosa para o biocombustível. Apesar disso, esta é a menor relação registrada entre os principais estados produtores de cana-de-açúcar.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 1,3%, para R$ 3,89/L. A gasolina, por sua vez, caiu 0,2%, para R$ 4,79/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 81,2% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice acima do observado uma semana antes.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 82% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve uma baixa de 4,2%, sendo vendido por R$ 4,09/L na média estadual, também o maior valor entre os maiores estados fabricantes de etanol. Já a gasolina teve uma redução de 4%, para R$ 4,99/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 324 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana