Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 30 de julho a 5 de agosto:

Os valores do etanol caíram em 17 estados e no Distrito Federal e os da gasolina em 13 unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso em São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais
O preço do etanol hidratado teve baixa nas usinas mato-grossenses e aumento nas paulistas e goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 446 cidades brasileiras, oito a mais do que na semana anterior
Os preços médios do etanol e da gasolina tiveram uma retração na média dos postos brasileiros pela quarta semana seguida. Entre 30 de julho a 5 de agosto, o biocombustível caiu 1,6%, de R$ 3,68 por litro para R$ 3,62/L – o menor valor desde outubro do ano passado –, enquanto o de seu concorrente fóssil reduziu 0,5%, de R$ 5,55/L para R$ 5,52/L.
Os números divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) levam em conta não somente o que é observado nos postos, mas também os volumes vendidos – desta forma, grandes mercados consumidores têm maior representatividade no resultado.
Como a redução para a gasolina foi inferior a do etanol, a vantagem comercial do renovável melhorou no período. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 65,6% na média nacional, inferior aos 66,3% de uma semana antes.
Com isso, o biocombustível se manteve dentro da faixa considerada economicamente vantajosa para o consumidor. Além disso, esta é a menor relação entre os preços desde agosto de 2020.
Os valores correspondem a um levantamento feito pela ANP em 446 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Nas médias estaduais, o etanol é competitivo em São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, que entrou na listagem na análise mais recente.

A Petrobras vem recebendo críticas de que está vendendo gasolina e diesel a preços inferiores aos de mercados internacionais. Em nota, a petroleira disse que “eventuais reajustes, quando necessários, serão realizados suportados por análises técnicas e independentes”.
Conforme divulgado na última quarta-feira, 2, entretanto, a diretoria da Petrobras admitiu internamente uma defasagem de 13% nos preços da gasolina em relação ao mercado internacional, de acordo com fontes não reveladas.
Na última sexta-feira, 4, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que os preços de combustíveis praticados internamente estão “no limite” e que, se houver oscilação para cima da cotação do petróleo, repasses serão feitos pela Petrobras. O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, entretanto, rebateu a fala.
Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,1072/L para R$ 2,1297/L. A alta foi de 1,1%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve aumento de 0,2% nas produtoras goianas e queda de 1,7% nas mato-grossenses.
Em relação ao valor nos postos, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 446 cidades, oito a mais do que na semana anterior.
Segundo a ANP, de 30 de julho a 5 de agosto, os preços do etanol caíram em 17 estados e no Distrito Federal, subiram em cinco e ficaram estáveis em quatro. Já os da gasolina baixaram em 13 unidades da federação, ficaram estáveis em sete e aumentaram em sete.

Em São Paulo, o biocombustível teve redução de 2%, custando R$ 3,43/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,32/L, com retração de 0,9% no comparativo semanal. Com isso, a relação entre os preços foi de 64,5%, abaixo de uma semana antes e em um patamar considerado economicamente favorável para o renovável.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,45/L, queda de 2,5%. A gasolina, por sua vez, reduziu 0,4%, para R$ 5,39/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 64%, um resultado vantajoso para o consumo de etanol.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma baixa de 2,2% no preço médio do biocombustível, para R$ 3,55/L, enquanto a gasolina caiu 0,8%, para R$ 5,25/L. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 67,6% do preço do combustível fóssil, também dentro do patamar favorável.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol reduziu 1,2%, para R$ 3,30/L – o menor entre todos os estados. No período, o valor da gasolina teve uma ampliação de 0,5%, para R$ 5,49/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 60,1%, índice inferior ao visto uma semana antes, quando era de 61,2%, mantendo a relação mais vantajosa para o biocombustível no país.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol teve uma redução de 2,4%, para R$ 3,60/L. A gasolina, por sua vez, caiu 1%, indo a R$ 5,19/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 69,4% do preço de seu concorrente fóssil, em uma relação favorável para o renovável e abaixo da observada na semana anterior.
Por fim, no Paraná, o etanol custou o equivalente a 70,6% do preço da gasolina, o mais alto índice entre os seis principais estados produtores de etanol. No período, o biocombustível retraiu 1,5%, indo a R$ 3,97/L, enquanto a gasolina baixou 0,4%, para R$ 5,62/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro de 2022 e o cronograma previa um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
O levantamento mais recente, entretanto, totalizou 446 municípios.
Sobre o assunto, a agência justifica: “É possível que a abrangência geográfica sofra variações em determinadas semanas, devido a problemas operacionais pontuais”.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana