Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 5 a 11 de fevereiro:

Os valores do etanol caíram em 13 estados e os da gasolina em 19 unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso
O preço do etanol hidratado teve redução nas usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 351 cidades brasileiras, três a menos em relação à semana anterior
Depois de três semanas consecutivas de queda e uma de alta, os preços dos combustíveis do ciclo Otto tiveram nova redução na média nacional dos postos brasileiros.
Entre 5 e 11 de fevereiro, o valor do etanol caiu 0,5%, saindo de R$ 3,82 por litro para R$ 3,80/L. A gasolina, por sua vez, registrou uma queda de 0,8%, indo de R$ 5,12/L para R$ 5,08/L.
Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a um levantamento feito em 351 cidades, incluindo as capitais brasileiras.
Com isso, o etanol segue em desvantagem comercial na média nacional. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 74,8% na média nacional, pouco acima dos 74,6% de uma semana antes. Assim, o índice supera o limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.
Nas médias estaduais, o renovável segue competitivo somente em Mato Grosso.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,7071/L para R$ 2,6481/L. A redução foi de 2,2%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve baixa de 0,9% nas produtoras goianas e de 0,5% nas mato-grossenses.
Com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 351 cidades, três a menos do que uma semana antes. Com a mudança no número de municípios, a comparação fica comprometida.
Segundo a ANP, de 5 a 11 de fevereiro, os preços do etanol subiram em nove estados e no Distrito Federal, caíram em treze e ficaram estáveis em quatro. Já os da gasolina tiveram alta em seis unidades da federação, queda em 19 e estabilidade em dois.

Em São Paulo, o biocombustível teve uma queda de 0,3%, custando R$ 3,72/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,98/L, baixa de 0,2%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 74,7%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável e o mesmo visto uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,55/L na média, queda semanal de 2,7%. A gasolina baixou 2,2%, para R$ 4,85/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73,2%, desfavorável ao etanol, ainda que abaixo dos 73,6% do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma estabilidade no preço médio do etanol em R$ 3,79/L, enquanto a gasolina caiu 0,6%, sendo vendida por R$ 4,98/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 76,1% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve baixa de 3,9%, indo a R$ 3,41/L – o menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina caiu 0,8%, para R$ 5,07/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 67,3%, abaixo de uma semana antes, quando o valor era de 69,5%, e mantendo a relação vantajosa para o biocombustível.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol teve incremento 0,8%, para R$ 3,83/L. A gasolina, por sua vez, baixou 0,4%, para R$ 4,86/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 78,8% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice acima do observado uma semana antes e a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 77,4% do preço da gasolina. No período, o renovável e a gasolina ficaram estáveis, o primeiro em R$ 4,04/L e a segunda em R$ 5,22/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 351 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana