Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 29 de janeiro a 4 de fevereiro:

Os valores do etanol subiram em 16 estados e os da gasolina em todas as unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso e Amazonas
O preço do etanol hidratado teve aumento nas usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 354 cidades brasileiras, 16 a mais em relação à semana anterior
Após três semanas de queda, os preços dos combustíveis do ciclo Otto tiveram aumento na média nacional dos postos brasileiros.
Entre 29 de janeiro e 4 de fevereiro, o valor do etanol subiu 1,1%, saindo de R$ 3,78 por litro para R$ 3,82/L. A gasolina, por sua vez, registrou uma alta ainda mais substancial, de 3%, indo de R$ 4,97/L para R$ 5,12/L. O aumento começa a refletir o incremento feito pela Petrobras, no último dia 26, no preço da gasolina.
Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a um levantamento em 354 cidades, incluindo as capitais brasileiras.
Por mais que o etanol tenha subido menos que a gasolina nas bombas, o biocombustível segue em desvantagem comercial ante o fóssil na média nacional.
De acordo com a ANP, a relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente nos postos foi de 74,6% na média nacional, pouco abaixo dos 76,1% de uma semana antes. Ainda assim, ela supera o limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.
Nas médias estaduais, o renovável segue competitivo em Mato Grosso e passou a ser vantajoso no Amazonas. No caso do segundo estado, que não tem característica de boa relação de preço para o etanol, a situação inédita se deu por conta de um aumento semanal de 10% para a gasolina, enquanto o valor do biocombustível divulgado pela ANP ficou estável. Com isso, a relação entre os preços passou a ser de 69,9%.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,6898/L para R$ 2,7071/L. O aumento foi de 0,6%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve alta de 2,2% nas produtoras goianas e de 0,6% nas mato-grossenses.
Com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 354 cidades, 16 a mais do que uma semana antes. Com um aumento gradual, a diferença no número compromete a comparação.
Segundo a ANP, de 29 de janeiro a 4 de fevereiro, os preços do etanol subiram em 16 estados, caíram em seis e no Distrito Federal e ficaram estáveis em quatro. Já os da gasolina tiveram alta em todas as unidades da federação.

Em São Paulo, o biocombustível teve um aumento de 1,1%, custando R$ 3,73/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,99/L, alta de 2,3%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 74,7%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável, mas que está levemente abaixo do visto uma semana antes, de 75,6%.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,65/L na média, alta semanal de 2,8%. A gasolina subiu 3,8%, para R$ 4,96/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73,6%, desfavorável ao etanol, ainda que abaixo dos 74,3% do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou um incremento de 0,5% no preço médio do etanol, para R$ 3,79/L, enquanto a gasolina aumentou 2,9%, sendo vendida por R$ 5,01/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 75,6% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma elevação de 6%, indo a R$ 3,55/L – ainda assim, o menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina subiu 4,5%, para R$ 5,11/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 69,5%, acima de uma semana antes, quando o valor era de 68,5%, mas mantendo a relação vantajosa para o biocombustível. Esta é a menor relação registrada entre todos os estados.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 0,5%, para R$ 3,8/L. A gasolina, por sua vez, aumentou 1,2%, para R$ 4,88/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 77,9% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice abaixo do observado uma semana antes, mas a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 77,4% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma alta de 0,5%, sendo vendido por R$ 4,04/L na média estadual, também o maior valor entre os maiores estados fabricantes de etanol e o único acima de R$ 4/L. Já a gasolina subiu 4,6% para R$ 5,22/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 354 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana