Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 13 a 19 de agosto:

Os valores do etanol subiram em 12 estados e os da gasolina em 24 unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso em São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Paraná e Minas Gerais
O preço do etanol hidratado teve alta nas usinas mato-grossenses, paulistas e goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 449 cidades brasileiras, uma a mais do que na semana anterior
Os preços médios do etanol tiveram uma alta nos postos brasileiros após cinco semanas seguidas de queda, enquanto os da gasolina subiram pela segunda semana consecutiva. Entre 13 e 19 de agosto, o biocombustível aumentou 0,6%, de R$ 3,59 por litro para R$ 3,61/L, enquanto o de seu concorrente fóssil acresceu 2,2%, de R$ 5,53/L para R$ 5,65/L.
Os números divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) levam em conta não somente o que é observado nos postos, mas também os volumes vendidos – desta forma, grandes mercados consumidores têm maior representatividade no resultado.
Como o aumento para o etanol foi inferior ao da gasolina, a vantagem comercial do renovável cresceu no período. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 63,9% na média nacional, inferior aos 64,9% de uma semana antes.
Com isso, o biocombustível se manteve dentro da faixa considerada economicamente vantajosa para o consumidor. Além disso, esta é a menor relação entre os preços desde julho de 2019.
Os valores correspondem a um levantamento feito pela ANP em 449 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Nas médias estaduais, o etanol é competitivo em São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e, também, Paraná, que passou a elencar a lista na análise mais recente.

Na última terça-feira, 15, a Petrobras anunciou um aumento nos preços da gasolina e do diesel para as distribuidoras, que passou a valer a partir da quarta-feira, 16. O litro da gasolina teve uma alta de R$ 0,41/L, chegando a R$ 2,93/L.
Os aumentos da semana analisada não necessariamente têm ligação direta com o incremento nas refinarias, uma vez que os preços nos postos são afetados por impostos, mistura de etanol e margem de lucro.
Além disso, para a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a gasolina deveria ter tido uma alta de R$ 0,86/L para chegar ao preço internacional, que estava defasado em 26% na segunda-feira, 14.
Por sua vez, a Datagro diz que há possibilidade de uma reversão da tendência observada nas últimas semanas de redução do preço do etanol aos produtores após o reajuste anunciado. Isso ocorreria mesmo com os estoques de etanol hidratado administrados pelas usinas da região Centro-Sul atualmente 10,5% acima do volume registrado há um ano, disse em nota.
Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,0794/L para R$ 2,1556/L. A alta foi de 3,7%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve aumento de 4,4% nas produtoras goianas e de 3,8% nas mato-grossenses.
Em relação ao valor nos postos, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 449 cidades, uma a mais do que na semana anterior.
Segundo a ANP, de 13 a 19 de agosto, os preços do etanol caíram em 12 estados e no Distrito Federal, subiram em 12 e ficaram estáveis em dois. Já os da gasolina baixaram em uma unidade da federação, ficaram estáveis em duas e aumentaram em 24.

Em São Paulo, o biocombustível teve incremento de 0,9%, custando R$ 3,43/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,43/L, com aumento de 2,5% no comparativo semanal. Com isso, a relação entre os preços foi de 63,2%, abaixo de uma semana antes e em um patamar considerado economicamente favorável para o renovável.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,58/L, alta de 4,7%. A gasolina, por sua vez, subiu 4,7%, para R$ 5,62/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 63,7%, um resultado vantajoso para o consumo de etanol.
Por sua vez, Minas Gerais registrou um aumento de 0,6% no preço médio do biocombustível, para R$ 3,53/L, enquanto a gasolina subiu 3,1%, para R$ 5,38/L. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 65,6% do preço do combustível fóssil, também dentro do patamar economicamente favorável.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol reduziu 1,2%, para R$ 3,25/L – o menor entre todos os estados. No período, o valor da gasolina teve um aumento 2%, para R$ 5,58/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 58,2%, mesmo índice visto uma semana antes e se mantendo como o mais competitivo para o biocombustível no país.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol teve uma redução de 0,3%, para R$ 3,61/L. A gasolina, por sua vez, subiu 2,9%, indo a R$ 5,36/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 67,4% do preço de seu concorrente fóssil, em uma relação favorável para o renovável e abaixo da observada na semana anterior.
Por fim, no Paraná, o etanol custou o equivalente a 69,1% do preço da gasolina, o mais alto índice entre os seis principais estados produtores de etanol, mas também favorável ao renovável. No período, o biocombustível retraiu 0,3%, indo a R$ 3,94/L, enquanto a gasolina subiu 1,2%, para R$ 5,7/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro de 2022 e o cronograma previa um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
O levantamento mais recente, entretanto, totalizou 449 municípios.
Sobre o assunto, a agência justifica: “É possível que a abrangência geográfica sofra variações em determinadas semanas, devido a problemas operacionais pontuais”.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana