Depois de uma pequena retração na quinzena anterior, os preços dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, voltaram a subir.
De acordo com cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da bolsa de valores brasileira (B3) – única entidade registradora do programa –, nas primeira metade de agosto, o preço médio dos CBios foi de R$ 136,16, acréscimo de 5,1% em relação à quinzena anterior.
O valor também ficou 21,8% acima da média de 2023, de R$ 111,83, e 64% além da média histórica do programa, de R$ 83,02.

Ainda segundo a B3, na primeira quinzena de agosto, foram comercializados 2,14 milhões de CBios. O número representa uma alta de 52,7% ante os 1,05 milhão negociados no mesmo período de 2022.
Na quinzena, os preços diários dos créditos variaram entre R$ 129,10 e R$ 140. O valor mais baixo foi visto no primeiro dia do mês, enquanto o maior foi registrado no dia 15.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
A registradora afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estão disponíveis em seu sistema. De acordo com a entidade, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
Na primeira quinzena de agosto, as usinas certificadas no RenovaBio registraram um aumento anual de 14,1% na emissão de títulos, totalizando 1,03 milhão de CBios. No acumulado de 2023, a geração de créditos já soma 20,43 milhões, alta de 10,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

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Contando os créditos emitidos desde o começo de 2022, por sua vez, já foram colocados em circulação 51,66 milhões de CBios.
Este montante ultrapassa em 43,6% a meta estabelecida para o ano passado, de 35,98 milhões de créditos, e que deverá ser comprovada até setembro de 2023.
As obrigações de 2023, de 37,47 milhões de CBios, deverão ser entregues até março do próximo ano.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 325 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Desde o início do programa até agora, 101,04 milhões de CBios já foram emitidos pelas usinas.

No dia 16 de agosto, a B3 iniciou a sessão com 30,62 milhões de créditos em circulação. Do total, 72,8%, ou 22,3 milhões de CBios, estava em posse das distribuidoras que têm metas a cumprir no programa.
Já as usinas certificadas detinham 7,18 milhões de CBios, o equivalente a 23,4% do montante. Por fim, os 1,15 milhão restantes (3,8%) estavam com investidores sem metas.

Entre 1º de janeiro e 15 de agosto, 15,18 milhões de títulos foram aposentados, com 434,31 mil saindo de circulação na última quinzena. Levando em conta o acumulado desde o início de 2022, por sua vez, 31,47 milhões de CBios foram retirados de circulação.
Desta forma, considerando os CBios aposentados desde janeiro de 2022 e os que se encontram atualmente no mercado, o total de créditos chega a 62,1 milhões. Este volume seria suficiente para cobrir a meta de 2022 com um excedente de 26,11 milhões de CBios, ou 69,7% do objetivo de 2023.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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