Os contratos futuros de açúcar tiveram quedas na ICE nesta quarta-feira, 2. Em Nova York, o açúcar bruto com vencimento em outubro fechou com retração de 0,19 centavo de dólar, ou 0,78%, indo a 24,2 centavos de dólar por libra-peso. Já o contrato de açúcar branco para outubro, negociado em Londres, teve declínio de US$ 2,50, ou 0,36%, para US$ 697,20 por tonelada.
Segundo negociadores, uma queda de 2% nos preços do petróleo provocou uma liquidação nos contratos futuros de açúcar. A fraqueza do óleo tem o potencial de reduzir os preços da gasolina, tornando o etanol ainda menos competitivo e levando usinas de cana pelo mundo a desviar mais matéria-prima para a produção de açúcar em vez de biocombustível, aumentando a oferta.
Também pesou sobre os preços do açúcar o declínio do real brasileiro em relação ao dólar, com uma baixa de duas semanas. O real mais fraco incentiva as exportações pelos produtores do Brasil.

Inicialmente, entretanto, os preços do açúcar subiram, uma vez que a Associação de Usinas de Aúcar da Índia (Isma) projetou que a produção da commodity no país em 2023/24 cairia 3,3%, para 31,68 milhões de toneladas. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Além disso, os preços do adoçante seguem sustentados pela seca excessiva na Tailândia, terceiro maior produtor mundial de açúcar. Até agora neste ano, as chuvas no país estão bem abaixo do mesmo período do ano passado e o início do El Niño pode reduzir ainda mais a precipitação nos próximos dois anos. A trading Czarnikow prevê que a produção tailandesa de açúcar pode cair pela primeira vez em três anos, indo para o segundo nível mais baixo desde 2009/10.
Já entre os fatores baixistas está a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), na primeira quinzena de julho, a fabricação aumentou 8,9%, para 3,241 milhões de toneladas. No acumulado da safra 2023/24, por sua vez, a alta é de 21,9%, para 15,47 milhões de toneladas. Além disso, 48,14% da cana moída foi utilizada para a produção de açúcar na atual temporada, ante 43,54% na safra anterior.
As condições climáticas favoráveis do Brasil levaram a Czarnikow a aumentar sua previsão de produção de açúcar no Centro-Sul para 38,2 milhões de toneladas. Já a Datagro projetou, em 29 de junho, que o Centro-Sul chegará a um recorde de 39,1 milhões de toneladas de açúcar no ano comercial 2023/24, um aumento anual de 16%.
Rich Asplund
Com tradução e adaptação NovaCana