Os preços do açúcar negociados na bolsa de Nova York atingiram mínimas de cinco anos pelo quarto dia consecutivo nesta quinta-feira, 30, com as preocupações sobre um excedente crescente prevalecendo e os preços do petróleo pressionados, com os investidores avaliando as notícias de uma trégua comercial entre os EUA e a China.
Os futuros do açúcar bruto na bolsa ICE, usados como referência para a precificação do açúcar físico em todo o mundo, caíram 0,14 centavo de dólar, ou 1%, a 14,28 centavos de dólar por libra-peso, tendo atingido anteriormente seu nível mais baixo desde outubro de 2020, a 14,07 centavos de dólar por libra-peso.
Já os contratos futuros do açúcar branco caíram 0,9%, para US$ 414,00 a tonelada, depois de atingirem o valor mais baixo desde dezembro de 2020, a US$ 410 a tonelada.

O analista independente de açúcar Michael McDougall observou que as previsões climáticas nas principais regiões produtoras de açúcar ainda são benignas, aumentando as perspectivas de safra, enquanto os preços do petróleo permanecem sob pressão em meio à falta de detalhes no acordo comercial entre EUA e China.
Ele acrescentou, no entanto, que os preços do açúcar continuam de dois a três centavos abaixo da paridade com o valor do etanol no Brasil, o que significa que o sinal geral para as usinas de cana do Brasil é produzir menos açúcar e mais etanol.
“A tendência é de queda e alguns estão falando agora de 10 a 13 centavos, mas quando muitos olham mais para baixo, esse é um sinal preliminar de que não veremos isso”, disse McDougall.
Reforçando as opiniões sobre o superávit, dados mostraram que a produção de açúcar no Brasil, o maior país produtor, cresceu mais do que o esperado na primeira quinzena de outubro, aumentando 1,25%, em comparação com o aumento projetado de 0,6%. Mas as usinas reduziram a quantidade de cana que estão destinando ao açúcar, aumentando a produção de etanol.
Os dados foram apresentados depois que a consultoria Datagro, sediada no Brasil, previu na semana passada que o mercado global de açúcar global passará de um déficit de 5 milhões de toneladas para um superávit de 1,98 milhão de toneladas em 2025/26.
May Angel e Marcelo Teixeira