Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 24 a 30 de janeiro:

Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 1,78% e o do etanol, 0,84%
Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 69,1% do preço de comercialização do fóssil
O consumo de etanol segue economicamente vantajoso apenas em algumas cidades de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso
O biocombustível segue subindo nas usinas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás
A semana de 24 a 30 de janeiro foi de aumentos para os motoristas do Brasil. Conforme dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço dos combustíveis nos postos subiu, o que pode ser um reflexo do cenário nas unidades produtoras.
Na análise mais recente, o etanol subiu 0,84%, saindo de R$ 3,211 por litro para R$ 3,238/L. A gasolina, por sua vez, aumentou 1,78%, passando de R$ 4,604/L para R$ 4,686/L.
Com ambos os aumentos, a relação entre os preços dos combustíveis caiu para 69,1%, ficando mais uma vez abaixo da linha comercialmente estabelecida como favorável para o biocombustível, de 70%. Este é o segundo menor valor para o indicador desde o retorno da pesquisa, na segunda quinzena de outubro.

No caso do etanol, o aumento nas bombas acompanha o das usinas. De acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o hidratado segue subindo nos principais estados produtores. Em São Paulo, o aumento foi de 0,91%. Já em Goiás e Mato Grosso, ele foi de 1,48% e 0,98%, respectivamente.
Este incremento nas produtoras do biocombustível, conforme os pesquisadores do Cepea, está relacionado ao aumento na demanda – consequência da retomada das atividades com o afrouxamento do isolamento pela pandemia de coronavírus. As usinas, assim, estariam valorizando seus estoques.
A gasolina também registrou elevações nas refinarias no período, mas isto pode não ter reflexo direto no valor cobrado nas bombas, que leva em consideração outros fatores, como impostos. Ainda assim, a elevação afeta o mercado e favorece acréscimos para o renovável.
Mesmo com essas alterações, é importante lembrar que o levantamento dos preços de combustíveis realizado pela ANP ficou em pausa por dois meses em 2020 e ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.
Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 142 municípios, apenas cinco a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.
Na semana de 24 a 30 de janeiro, o preço do etanol subiu em 19 estados e no Distrito Federal, caiu em cinco, manteve-se em Alagoas e, mais uma vez, não pôde ser comparado no Amapá. Já a gasolina só não registrou aumento no Acre e no Distrito Federal.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, o renovável subiu 0,95% e chegou a R$ 3,079/L, ainda o menor valor da análise. Como a gasolina teve elevação de 1,1%, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 70,1%.
No comparativo semanal do indicador no estado, o biocombustível foi favorecido, mas o valor ainda está acima do limite comercialmente estabelecido. No período, o número de cidades paulistas pesquisadas teve um acréscimo e ficou em 40.
Já Minas Gerais teve uma redução nos municípios pesquisados, voltando para 11. Neles, em média, o etanol subiu 0,53% e ficou em R$ 3,251/L. Como a gasolina teve um aumento ainda maior, de 2,47%, a relação entre os preços caiu para 67,7%. O indicador é o mais baixo do país, reafirmando onde o renovável é mais competitivo.
Em Goiás, o etanol segue competitivo, porém o indicador subiu no comparativo semanal, chegando a 68,3%. Para isso, o renovável teve elevação de 1,13% e ficou em R$ 3,299/L, enquanto a gasolina registrou um acréscimo de apenas 0,29%. O número de municípios goianos participantes da pesquisa aumentou e ficou em quatro.
Mato Grosso, por sua vez, manteve as mesmas duas cidades no levantamento, a capital Cuiabá e Várzea Grande. Nelas, o etanol subiu 0,03% no comparativo semanal e ficou em R$ 3,187/L – o segundo menor valor da análise. Como a gasolina aumentou 0,57%, a relação entre os preços caiu para 69,3%, competitiva para o renovável.
Já Mato Grosso do Sul apresentou aumento para ambos os combustíveis, de 0,93% para o etanol e de 2,12% para a gasolina. Assim, a relação entre eles caiu para 70,1%, levemente acima da linha favorável para o biocombustível, mas o menor valor desde setembro de 2015 e um dos mais baixos da análise. No estado, a pesquisa está sendo realizada apenas na capital Campo Grande e em Dourados.
No Paraná, o número de cidades pesquisadas aumentou e chegou a nove. Na média delas, o renovável apresentou aumento de 1,53% e a gasolina, de 2,24%. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 73,4%, ainda acima do limite considerado economicamente favorável para o biocombustível, mas novamente mais baixa que a registrada na semana anterior.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 24 e 30 de janeiro, 142 cidades foram pesquisadas, apenas cinco a mais do que no período anterior. O número inclui todas as capitais, exceto Macapá (AP), no caso do etanol. O estado não apresenta qualquer dado desde o retorno da análise. Além disso, algumas localidades deixaram de ser pesquisadas no comparativo semanal.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Rafaella Coury – novaCana.com