Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 7 a 13 de fevereiro:

Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 1,34% e o do etanol, 0,67%
Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 68,5% do preço de comercialização do fóssil
O consumo de etanol segue economicamente vantajoso apenas em algumas cidades de Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo e Mato Grosso do Sul
O biocombustível segue subindo nas usinas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás
O movimento dos preços dos combustíveis nos postos do país neste início de 2021 está indo no sentido contrário do observado nos últimos anos. Nos primeiros meses de 2020, por exemplo, o etanol apresentava aumento – um reflexo do período de entressafra da cana-de-açúcar –, enquanto a gasolina registrava certa estabilidade, desfavorecendo a competitividade do biocombustível.
Já este ano, o que vem sendo observado desde dezembro é uma contínua valorização do renovável perante o seu concorrente fóssil. Entre a semana de 13 a 19 de dezembro e a passada, o indicador que compara os preços vem apresentando reduções que já acumularam 3,79%.
De acordo com o levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na análise de 7 a 13 de fevereiro, a relação entre os valores dos combustíveis ficou em 68,5%. O resultado é favorável ao etanol, pois fica abaixo do limite comercialmente estabelecido em 70%.
A redução semanal foi de 0,72% e se deveu ao menor aumento para o renovável: enquanto ele subiu 0,67% nos postos, indo de R$ 3,289 por litro para R$ 3,311/L e completando um mês de aumentos, a gasolina subiu 1,34%, passando de R$ 4,769/L para R$ 4,833/L.
É importante reiterar que todas essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.
Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 154 municípios, apenas três a mais do que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

No caso específico do etanol, o aumento para os consumidores também é visto nas usinas. No período entre 8 e 12 de fevereiro, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o hidratado subiu 5,41% em São Paulo, 1,21% em Mato Grosso e 4,88% em Goiás.
Na semana de 7 a 13 de fevereiro, o preço do etanol subiu na média de 19 estados, caiu em seis e no Distrito Federal, e, mais uma vez, não pôde ser comparado no Amapá. Já a gasolina só não registrou aumento em sete estados.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, o renovável novamente se valorizou perante a gasolina e se distanciou um pouco mais do limite comercialmente estabelecido, sendo vendido pelo equivalente a 69% do preço do combustível fóssil. Na semana, a pesquisa foi feita em 43 cidades paulistas, três a menos do que na anterior.
Mesmo com a valorização semanal, o biocombustível subiu 0,48% na média do estado e chegou a R$ 3,142/L, ainda o menor valor do país. Assim, o aumento na sua competitividade se deveu ao maior acréscimo para a gasolina, de 1,63%.
Em Mato Grosso do Sul, o movimento foi similar: ambos os combustíveis subiram – 0,64% no caso do etanol, que ficou em R$ 3,441/L, e 0,88% para a gasolina – e o renovável se valorizou levemente, com a relação entre os preços ficando em 69,8%.
Por mais que ainda esteja bem próximo do limite de 70%, este novamente é o menor valor para o indicador desde outubro de 2015. No estado, a pesquisa segue sendo realizada apenas na capital Campo Grande e em Dourados.
Goiás também apresentou aumento para ambos os combustíveis, porém maior para o renovável, de 3,69%, a segunda maior alta do país. Com isso, o biocombustível ficou, em média, a R$ 3,516/L.
Já a gasolina subiu 1,78% no estado, fazendo com que a relação entre os preços fosse para 70,8%, um resultado onde o etanol não é considerado competitivo. Neste caso, o número de municípios pesquisados caiu novamente, com apenas a capital Goiânia participando do levantamento.
Em Minas Gerais, o biocombustível segue se valorizando, atingindo a relação mais competitiva do país, com 66,4%. Isso se deveu à queda de 0,4% no valor médio do biocombustível nos postos, que ficou em R$ 3,259/L, enquanto a gasolina subiu 0,16%. O número de municípios mineiros participantes da pesquisa novamente subiu e chegou a 13.
Mato Grosso, por sua vez, manteve as três cidades participantes do levantamento: a capital Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. Nelas, o etanol caiu 2,18% no comparativo semanal, a maior redução da análise, e ficou em R$ 3,185/L, o segundo menor valor do país. Como a gasolina subiu 0,42%, a relação entre os preços caiu para 66,9%, a segunda mais favorável para o biocombustível.
No Paraná, o número de cidades pesquisadas se manteve em oito. Na média delas, o renovável apresentou aumento de 0,46% e a gasolina, de 2,27%. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 71,8%, acima do limite considerado economicamente favorável para o biocombustível, mas novamente mais baixa que a registrada na semana anterior.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 7 e 13 de fevereiro, 154 cidades foram pesquisadas, apenas três a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais, exceto Macapá (AP), no caso do etanol. O estado não apresenta qualquer dado desde o retorno da análise. Além disso, algumas localidades deixaram de ser pesquisadas no comparativo semanal.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Rafaella Coury – novaCana.com