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Preço do etanol deve bater recorde nas usinas do Centro-Sul, chegando a R$ 4 por litro

Açúcar em alta retira vantagem para a produção de anidro; ao mesmo tempo, consumidores do Sudeste estão preferindo o hidratado ante a gasolina

NovaCana 6 min de leitura

Por Phillip Herring*

Os preços do etanol no Centro-Sul continuam batendo recordes diários devido à alta demanda, aos pequenos volumes ofertados no mercado à vista e aos estoques restritos de maneira geral.

“Os preços do etanol permanecem firmes e em uma trajetória de alta, uma vez que os estoques estão relativamente baixos dado que a demanda atual está subindo para níveis pré-pandêmicos, o que deve empurrar os preços no Centro-Sul acima de R$ 4.000 por metro cúbico”, disse um trader de São Paulo. “O etanol precisará atingir um valor que efetivamente neutralize a demanda para que o impulso da alta dos valores tenha fim”.

Várias geadas no Centro-Sul, alto prêmio para a produção de açúcar, relatórios de oferta altistas e um preço favorável ante a gasolina foram os motivos dos aumentos na maior parte de 2021.

Em 16 de agosto, a S&P Global Platts avaliou o preço do etanol hidratado nas usinas de Ribeirão Preto (SP) em R$ 3.855/m³. Trata-se de um valor recorde, com ampliação de R$ 2.255/m³, ou seja 141%, em relação ao valor baixo observado em abril de 2020.

A Platts avaliou também o etanol anidro doméstico em R$ 3.900/m³ nas usinas de Ribeirão Preto, outro preço recorde, com alta de R$ 2.265/m³, seja ou 138%, em relação ao baixo valor de maio de 2020.

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Por Phillip Herring*

Os preços do etanol no Centro-Sul continuam batendo recordes diários devido à alta demanda, aos pequenos volumes ofertados no mercado à vista e aos estoques restritos de maneira geral.

“Os preços do etanol permanecem firmes e em uma trajetória de alta, uma vez que os estoques estão relativamente baixos dado que a demanda atual está subindo para níveis pré-pandêmicos, o que deve empurrar os preços no Centro-Sul acima de R$ 4.000 por metro cúbico”, disse um trader de São Paulo. “O etanol precisará atingir um valor que efetivamente neutralize a demanda para que o impulso da alta dos valores tenha fim”.

Várias geadas no Centro-Sul, alto prêmio para a produção de açúcar, relatórios de oferta altistas e um preço favorável ante a gasolina foram os motivos dos aumentos na maior parte de 2021.

Em 16 de agosto, a S&P Global Platts avaliou o preço do etanol hidratado nas usinas de Ribeirão Preto (SP) em R$ 3.855/m³. Trata-se de um valor recorde, com ampliação de R$ 2.255/m³, ou seja 141%, em relação ao valor baixo observado em abril de 2020.

A Platts avaliou também o etanol anidro doméstico em R$ 3.900/m³ nas usinas de Ribeirão Preto, outro preço recorde, com alta de R$ 2.265/m³, seja ou 138%, no comparativo com o baixo valor de maio de 2020.

platts precos 1 usinas

“A terceira geada da safra 2021/22 na região Centro-Sul, ocorrida na segunda quinzena de julho, reduziu drasticamente as previsões de moagem de cana e produção de etanol”, apontou uma análise realizada pela S&P Global Platts Analytics. “A estimativa revisada da moagem de cana do Centro-Sul Brasil 2021/22 é de 522 milhões de toneladas, uma queda de 11,5% em relação à estimativa original de 590 milhões de toneladas no início da safra, o que acabará levando à uma produção menor de etanol”.

Prêmio do etanol anidro fica negativo

Segundo outro trader ouvido pela Platts, as usinas do Centro-Sul aproveitaram a vantagem de preço existente até então para a produção de anidro. O prêmio para este tipo de etanol atingiu um pico de 200 pontos sobre o prêmio do açúcar durante os últimos meses, com o objetivo de atender à demanda pelo combustível.

“Mas, agora, com o recente aumento nos contratos futuros de açúcar de outubro rompendo os 20 centavos de dólar por libra-peso, o prêmio ficou negativo para o anidro e o hidratado. A maior parte das usinas irá maximizar sua produção de açúcar em relação a qualquer tipo de produção de etanol”, afirmou.

Em 17 de agosto, a Platts avaliou o etanol anidro das usinas de Ribeirão Preto, convertido em açúcar bruto, em cerca de 20 centavos de dólar por libra-peso. Na mesma data, o contrato futuro de açúcar com vencimento em outubro fechou a 20,03 centavos por libra, fornecendo um prêmio de 0,02 centavos por libra ao anidro em relação ao açúcar bruto.

O valor do etanol anidro nas usinas de Ribeirão Preto, convertido em açúcar bruto, é sempre maior que o valor do hidratado, uma vez que o anidro está isento do ICMS de 13,3%, um imposto estadual sobre vendas cobrado sobre a movimentação física de mercadorias.

A Platts avaliou o hidratado nas usinas Ribeirão Preto, também convertido em açúcar bruto, a 17,89 centavos de dólar por libra-peso. Assim, a diferença ante o preço do açúcar fornece um prêmio de 2,13 centavos por libra ao hidratado.

platts precos 2 premio

“Com a região Centro-Sul entrando nos últimos meses de produção antes da entressafra e a região Nordeste se preparando para o início da temporada, a produção de anidro e hidratado será minimizada pelas usinas em favor da produção máxima de açúcar para o aproveitamento dos preços elevados”, disse um terceiro trader de São Paulo.

Consumidores preferem etanol à gasolina

Na semana encerrada em 14 de agosto, a diferença absoluta nos preços entre a gasolina e o etanol hidratado era de R$ 1,522 por litro na maioria dos postos do Centro-Sul do Brasil. Assim, ela estava acima de R$ 1/L, o que normalmente incentiva os consumidores a abastecerem seus carros com hidratado.

No período, o preço médio do etanol no Sudeste foi de R$ 4,281/L, contra o valor de R$ 5,803/L da gasolina.

A diferença entre os preços na primeira quinzena de agosto foi de R$ 1,545/L, uma ligeira queda em relação ao R$ 1,551/L registrado na segunda metade de julho. Ainda assim, o valor é superior ao visto na primeira quinzena de julho, de R$ 1,478/L.

platts precos 3 gasolina
“Os preços da gasolina no Sudeste, próximos a R$ 6/L, estão levando os consumidores a abastecer seus carros com o etanol hidratado, que está mais barato, ainda que cada vez mais próximo de R$ 4/L”, disse um quarto trader de São Paulo.

Embora os preços do etanol no Centro-Sul estejam em patamares históricos, o repasse dos aumentos nas usinas do Centro-Sul para os consumidores tem uma defasagem média de cinco a 15 dias, dependendo da velocidade e da extensão das variações registradas nas unidades produtoras.

* Phillip Herring é especialista de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana

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