A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualizou as metas das distribuidoras no programa RenovaBio, acrescentando o volume não cumprido de 2022. Segundo a agência, ao final de setembro, data limite para apresentação dos objetivos referentes a 2022, 50 companhias não haviam cumprido suas metas individuais.
Agora, as distribuidoras precisarão aposentar 40,95 milhões de créditos de descarbonização (CBios) até março de 2024, referentes a 2023. A partir do próximo ano, o objetivo voltará a ser atendido até dezembro de cada ano.
No dia 3 de novembro, a B3 iniciou a sessão com 30,11 milhões de CBios em circulação. Do total, 65,6%, ou 19,74 milhões de créditos, estavam em posse das distribuidoras que têm metas a cumprir no programa.
Já as usinas certificadas detinham 9,15 milhões de CBios, o equivalente a 30,4% do montante. Por fim, o 1,22 milhão restante (4%) estavam com investidores sem metas.

Os créditos atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 73,5% da meta total de 2023, de 40,95 milhões de CBios.
Em outubro, foram aposentados 1,14 milhão de créditos, com 100 mil saindo de circulação na última quinzena. Em comparação com os 668,89 mil títulos que foram aposentados no final de outubro de 2022, houve uma retração de 85%.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Na segunda quinzena de outubro, os preços CBios subiram 3,5%, com os papéis sendo negociados, em média, a R$ 112,20. Em relação ao ano passado, houve um acréscimo de 22,2%.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana com base nos dados divulgados pela bolsa de valores brasileira (B3), única entidade registradora do programa.
Com esta elevação, o preço ficou 0,9% abaixo da média de 2023, de R$ 113,18. O valor, entretanto, está 31,4% além da média histórica do programa, de R$ 85,38.

Segundo a B3, na quinzena, foram comercializados 4,19 milhões de CBios, representando uma alta anual de 6,1%. No mesmo recorte de tempo em 2022, foram negociados 3,95 milhões de créditos.
Ao final de outubro, os preços oscilaram entre R$ 100,50 e R$ 115. O valor mais baixo foi visto no dia 16, enquanto o mais alto apareceu nos dias 17, 18 e 31.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
A registradora afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estão disponíveis em seu sistema. De acordo com a entidade, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
Na segunda quinzena de outubro, as usinas certificadas no RenovaBio emitiram 2,23 milhões de créditos. Em comparação com os 1,86 milhão de CBios disponibilizados no ano passado, houve uma alta de 15,1%.

Considerando o acumulado do ano, por sua vez, foram escriturados 28,24 milhões de créditos.
De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre janeiro e outubro, as usinas certificadas cadastraram notas fiscais suficientes para a geração de 27,99 milhões de CBios. Sendo assim, as unidades emitiram por volta de 248,35 mil créditos a mais do que o acompanhamento da agência, o que pode significar um excedente de lastros, referente ao ano anterior.

Desde o início do programa até agora, 108,84 milhões de créditos já foram emitidos pelas usinas.

Ainda segundo a ANP, 325 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Giully Regina – NovaCana
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