Depois de dois aumentos quinzenais seguidos, os preços dos créditos de descarbonização (CBios) vinculados ao RenovaBio apresentaram uma queda na primeira quinzena de março. No período, os CBios foram comercializados por R$ 70,82, retração de 8,9% em relação ao final do mês anterior.
O valor também ficou 6,8% abaixo da média vista até o momento em 2025, de R$ 76,02. Já em relação à média histórica, de R$ 86,84, a queda é de 18,4%.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana com base nos dados da bolsa de valores brasileira B3, a única entidade registradora do programa.

Na primeira quinzena de março, os créditos custaram entre R$ 64 e R$ 80. O maior valor foi visto no dia 11 e o menor, no dia 13.
Segundo a B3, ocorreram 1,2 mil negociações no período, movimentando 2,52 milhões de CBios.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
No dia 14 de março, a B3 fechou a sessão com 22,45 milhões de créditos em circulação. O montante seria o suficiente para alcançar 55,6% da meta atual do programa, de 40,39 milhões de CBios.
Do total de títulos disponíveis no mercado, 61,7%, ou 13,85 milhões, estavam em posse das usinas certificadas no RenovaBio. As distribuidoras detinham 8,46 milhões, ou 37,7%. Os 145,51 mil créditos restantes (0,6%) estavam com investidores sem metas.

Na primeira metade de março, 2,04 milhões de títulos foram aposentados. Em comparação com os 8,03 milhões de CBios que foram retirados de circulação no mesmo período de 2024, houve uma queda de 74,6%. Na ocasião, entretanto, as distribuidoras se preparavam para fechar o ciclo de 2023, que teve sua data limite postergada para o final março.
No acumulado do ano, 2,5 milhões de CBios foram retirados de circulação.
Somando os créditos em circulação, os aposentados em 2025 e os 181 mil títulos que foram retirados de circulação de forma antecipada no ano passado, o volume chega a 25,15 milhões de CBios, ou 62,2% da meta anual.

Em 12 de março, de acordo com a B3, companhias sem metas a cumprir no programa aposentaram 23 mil créditos. Já no dia 14, outros 200 CBios foram retirados de circulação pela chamada “parte não obrigada”.
Segundo as regras do RenovaBio, a retirada de títulos feita pelas “partes não obrigadas” pode ser deduzida dos objetivos finais do programa. Com isso, as aposentadorias feitas durante o ciclo 2024 devem ser contabilizadas neste ano.
Entre os dias 5 e 14 de março, as sucroenergéticas certificadas no RenovaBio emitiram 1,32 milhão de créditos. O volume representa uma queda de 23,2% em comparação com 1,71 milhão de títulos escriturados no mesmo período de 2024.
Com uma possível quebra de safra de cana-de-açúcar à frente, a oferta de CBios pode ser mais apertada em 2025, alertou o acionista e diretor comercial da usina Alta Mogiana, Luis Gustavo Junqueira Figueiredo. Segundo ele, a demanda pelos créditos deve aumentar devido a meta atual e, por isso, o executivo acredita que os preços podem subir.
Desde o começo do ano, já foram escriturados 8,56 milhões de títulos.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 326 usinas estão atualmente certificadas para a emissão dos créditos do RenovaBio. Destas, três fabricam biometano e outras 36, biodiesel.
Dentre as 287 usinas de etanol certificadas, 272 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; sete processam cana e milho; sete apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Desde o início do programa, em 2020, até agora, 167,3 milhões de créditos foram emitidos pelas usinas.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou no último dia 10, em reunião da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiep), que o governo irá editar um decreto para regulamentar as novas regras do RenovaBio.
Em dezembro, uma nova lei endureceu penalidades contra distribuidoras que não cumprem suas metas no programa e, também, incluiu os produtores de biomassa nos ganhos do mercado de CBios.
Por enquanto, o Itaú BBA afirma que as novas punições ainda geram dúvidas. O banco cita como exemplo a proibição a refinarias, usinas e importadores de comercializarem com distribuidoras inadimplentes no programa. A lista deverá ser atualizada pela ANP.
Giully Regina – NovaCana
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