Etanol: Mercado

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Quebra da safra de cana-de-açúcar pode apertar oferta de CBios


Globo Rural - Publicado: 13 Mar 2025 - 09:37 | Atualizado: 13 Mar 2025 - 20:07

A quebra na safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul esperada por boa parte do mercado para a safra 2025/26 e a tendência de redução da produção de etanol devem restringir a oferta de créditos de descarbonização (CBios) neste ano, alertou o acionista e diretor comercial da Usina Alta Mogiana, Luis Gustavo Junqueira Figueireido, durante apresentação na 9ª Abertura de Safra de Cana, Açúcar e Etanol realizada pela Datagro em Ribeirão Preto (SP). Cada CBio equivale a uma tonelada de carbono de emissão evitada com a substituição de combustível fóssil por biocombustível.

Como a demanda por CBios deve crescer neste ano por causa da maior meta de compra determinada pelo governo em relação a 2024, Figueiredo acredita que os preços dos CBios vão subir. Ele não precisou um valor para o qual o CBio pode chegar neste ano nem nos próximos, mas acredita que os preços podem subir de forma considerável, até por causa do cerco legislativo e regulatório contra as distribuidoras que não estão cumprindo suas metas de CBios.

“Quando o CBio atingiu valores perto de R$ 200, houve uma gritaria. Vocês não viram nada ainda”, disse. “Não podemos esquecer que todo produto que depende de clima e de metas difundidas pelo governo pode gerar uma volatilidade muito maior do que a gente imagina”, explicou.

Atualmente, o preço médio do CBio está em R$ 70, em meio a um excedente de CBios. Nos últimos dois anos, o governo revisou para baixo as metas de compra de CBios pelas distribuidoras diante de receios de impacto do CBio nos preços finais de combustíveis.

Estoques

De acordo com levantamento do Santander, em cinco anos, as revisões de meta já desobrigaram as distribuidoras de comprarem 13,55 milhões de CBios. Atualmente, o mercado tem 23,6 milhões de CBios em estoque. Segundo o Santander, se o governo não tivesse alterado as metas anuais, o estoque hoje seria de 878 mil CBios.

Esse excedente de CBios vai na contramão do propósito do RenovaBio, avaliou a líder sênior da rede Agro Corporate do Santander, Caroline Perestrelo. “A ausência de CBios deveria trazer [o mercado para] o objetivo do programa, que é estimular a produção de biocombustíveis. Se você trabalhar com equilíbrio [entre oferta e demanda], vai ter uma dificuldade de subir o [preços do] CBio e de ter um estímulo para a descarbonização”, avaliou.

Além disso, os preços dos CBios têm se mantido em uma faixa de preços restrita há meses, o que para Figueiredo é um sinal não só de oferta em excesso, mas também de descrédito dos participantes no programa.

“Quando ficamos com o mercado ‘lateralizado’ entre R$ 70 e R$ 80 por um período grande, isso mostra que tanto o produtor está perdendo interesse pelo programa quanto o comprador. E isso é negativo para o futuro do programa”, disse.

Figueiredo, da Usina Alta Mogiana, concorda: “o mercado não está tão eficiente quanto deveria. Não estamos vendo incentivo de produção de etanol como o programa previu lá atrás”, criticou. Para ele, o aumento da produção de etanol nos últimos anos ocorreu por uma coincidência com a entrada em operação de várias usinas de etanol de milho, e não por mérito do RenovaBio.

Ele disse acreditar que essa descrença dos participantes do mercado pode mudar agora com a nova "Lei dos CBios", que proíbe os produtores de combustíveis e venderem seus produtos para as distribuidoras que não comprarem seus CBios dos anos passado e estão inadimplentes com o RenovaBio.

“Meu recado para as distribuidoras é: aproveite os preços baixos de R$ 70 e comprem CBio. Façam estoque de CBio”, concluiu.

Camila Souza Ramos