Os últimos anos têm sido de dificuldades financeiras para a usina Ester. Considerando a série histórica iniciada em 2009, a companhia registrou lucros líquidos em apenas duas oportunidades: em 2010 e na safra 2020/21. Em 2022/23 – última temporada da sucroenergética antes do início de sua recuperação judicial –, o prejuízo líquido foi de R$ 95,73 milhões, superando as perdas do ano anterior em 123,2%.
A usina localizada em Cosmópolis (SP) protocolou seu pedido de recuperação em maio do ano passado, dois meses após o encerramento da temporada. Na ocasião, a companhia afirmou que a iniciativa foi tomada por “motivos externos” à operação, visando a recuperação financeira da empresa.
O plano de recuperação, por sua vez, foi aprovado pelos credores em novembro, em um movimento celebrado pelo CFO da companhia, Igor Cafeli: “Segundo comentários do mercado, foi a aprovação sucroalcooleira mais rápida da história”. Conforme ata enviada pela empresa, a Ester possuía, naquele momento, 913 credores e débitos que somavam R$ 495,6 milhões.
Em sua divulgação de resultados mais recente, a sucroenergética comenta o contexto de dificuldades. Segundo o texto, a safra 2021/22 foi marcada por uma seca intensa no outono e temperaturas baixas, inclusive com geadas.
“Esses fenômenos diminuíram a produtividade dos canaviais, inclusive com a antecipação de colheita de algumas áreas. Os impactos destes episódios ainda foram percebidos na safra 2022/23, dificultando a melhoria da produtividade agroindustrial da companhia”, detalha.
Além disso, a Ester cita que altas taxas de juros e créditos sujeitos a variações cambiais teriam “desequilibrado” seus resultados. “O panorama de grandes investimentos indispensáveis ao cultivo e manutenção do canavial, associado as constantes quebras de safra em função do clima e elevação dos custos de produção, principalmente em função da guerra da Ucrânia, fez com que a companhia se sujeitasse à necessidade de se alavancar cada vez mais”, resume.
Saiba mais no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Histórico de resultados da companhia
- Desempenho operacional em 2022/23
- Receita bruta por produto
- Relação entre receitas e custos
- Evolução do lucro bruto
- Resultados financeiros
- Posicionamento das dívidas
- Contexto da recuperação judicial
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