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Após polêmica, novo etanol da Raízen tem posição rebaixada na Califórnia

california 040614Governo da Califórnia acabou revendo sua posição após os argumentos da Raízen para emplacar o novo etanol terem sido alvos de várias críticas, inclusive da Odebrecht
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A Raízen Energia perdeu parcialmente a briga para que o governo da Califórnia, principal estado importador do etanol de cana-de-açúcar nos Estados Unidos, aprovasse uma nova classificação para o etanol produzido na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). A situação teve intervenção até da Odebrecht.

A lei californiana oferece um dos mercados mais atrativos do mundo para a energia renovável e esta reavaliação faz com que as vantagens financeiras que a Raízen obteria com a produção deste etanol fiquem reduzidas.

Apesar da decisão do governo da Califórnia ter atrapalhado os planos da empresa, a iniciativa conseguiu obter vantagens para a empresa.

A Raízen Energia perdeu parcialmente a briga para que o governo da Califórnia, principal estado importador do etanol de cana-de-açúcar nos Estados Unidos, aprovasse uma nova classificação para o etanol produzido na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP).

A iniciativa tornaria a produção da Costa Pinto quatro vezes mais "limpa" do que o etanol brasileiro melhor classificado no Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono (LCFS – Low Carbon Fuel Standard), lei californiana relacionada à qualidade do ar que oferece um dos mercados mais atrativos do mundo para a energia renovável. O diferencial estaria no uso exclusivo do melaço, como matéria-prima do combustível, ao invés do caldo extraído diretamente da moagem.

A solicitação da Raízen sustenta que o melaço é considerado um subproduto de baixo valor, oriundo da produção de açúcar, e resultaria em um mínimo impacto na mudança do uso indireto da terra (ILUC na sigla inglesa). Nas contas da Raízen, este novo etanol emitiria apenas 14,93 gramas de CO2 equivalente por megajoule (g CO2e/MJ). No entanto, em decisão divulgada recentemente, o conselho californiano discordou e considerará a pegada do etanol de melaço da Costa Pinto de 46,43 g CO2e/MJ.

A reavaliação faz com que as vantagens financeiras que a Raízen obteria com a produção e exportação deste etanol fiquem reduzidas, uma vez que o biocombustível de melaço foi reclassificado ambientalmente.

Críticas

A mudança por parte da Califórnia veio após sete comentários serem enviados – um deles da Odebrecht Agroindustrial – contestando os critérios e os cálculos adotados na definição da intensidade de carbono (CI, na sigla original).

Mas, mesmo com a revisão, o número continua sendo mais vantajoso do qualquer uma das das demais classificações já atribuídas ao etanol brasileiro.

Anteriormente a Raízen havia confirmado ao portal NovaCana o uso exclusivo da matéria-prima alternativa. Sobre a pontuação pleiteada justificou que a Costa Pinto possui "100% de mecanização, produz etanol integralmente a partir do melaço e realiza cogeração de energia elétrica a partir do bagaço".

Inicialmente o conselho californiano avaliou o etanol de melaço como um subproduto de baixo valor que estaria sendo reaproveitado na usina da Raízen. A proposta era semelhante a de destilarias da Guatemala, Nicarágua e Indonésia que foram precursoras em solicitar ao Carb classificação privilegiada para o etanol de melaço.

Na decisão final, o Carb explica: "A equipe reavaliou a medida em que os mercados brasileiros de açúcar, etanol e melaço são semelhantes aos mercados da Indonésia e da América Central. O resultado foi uma descoberta que os mercados em que atua a Raízen COPI [Costa Pinto] tem pouca semelhança com os correspondentes mercados da Indonésia e da América Central".

O conselho informa que os outros países – que têm como principal alvo a produção de açúcar – têm plantas exclusivas para a fabricação de cada um dos derivados de cana. Nesses casos, todo o caldo é destinado para a fabricação do adoçante, que como subproduto do processo oferece o melaço, quando já esgotado seu conteúdo de açúcar altamente polarizado (sacarose). O subproduto, que seria comumente vendido nos mercados locais para alimentação animal, é então transportado para destilarias independentes que usam do melaço para a fabricação do etanol. Já a produção das usinas brasileiras, ocorre de forma integrada para etanol e açúcar, sendo o melaço tradicionalmente utilizado como matéria-prima complementar ao caldo para a produção do biocombustível.

A resposta aos comentários diz ainda que a diferença entre estes mercados indica "que o melaço utilizado na usina Raízen COPI pode ter um efeito significativo sobre a demanda por caldo de cana e, por extensão, a quantidade de terra sob cultivo de cana-de-açúcar. Não há nenhuma base, portanto, para reduzir a contribuição de ILUC para a intensidade de carbono (CI) do caminho melaço da Raízen COPI". A empresa brasileira ainda "reconheceu a presença de açúcares sacarose em seu melaço 'não esgotado'".

Assim, o Carb avalia que o melaço não é um subproduto de baixo valor no caso da unidade da Raízen, mas sim uma matéria-prima. A distinção do conselho condiciona a produção do etanol da Costa Pinto a ser totalmente feita a partir do melaço.

Amanda SchArr - NovaCana
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