No momento em que a Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar, enfrenta a sua pior seca consecutiva em três décadas, analistas da indústria local e traders globais consideram que o plano do governo para obrigar os produtores a exportarem a commodity pode estar indo por água abaixo
No momento em que a Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar, enfrenta a sua pior seca consecutiva em três décadas, analistas da indústria local e traders globais consideram que o plano do governo para obrigar os produtores a exportarem a commodity pode estar indo por água abaixo.
No momento em que a Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar, enfrenta a sua pior seca consecutiva em três décadas, analistas da indústria local e traders globais consideram que o plano do governo para obrigar os produtores a exportarem a commodity pode estar indo por água abaixo.
Esse contexto pode ter impactos relevantes no cenário futuro da commodity. Em relação ao clima, dados do Departamento Meteorológico Indiano mostram que as chuvas durante o período de monções, de junho a setembro, foram apenas 86% do seu nível normal.A escassez de chuvas de monções em mais de 10% é classificada como uma seca severa.
Com a previsão do término antecipado da temporada de chuvas, o tempo seco também desestimula os agricultores a investirem em novas plantações, o que pode impactar no futuro dos canaviais.
Ao mesmo tempo, a proposta da Índia para forçar os produtores a exportar milhões de toneladas de açúcar excedente irá falhar sem subsídios significativos ou, pelo menos, penalidades para o não cumprimento, disseram nesta sexta-feira (02) fontes comerciais e industriais ouvidas pela Reuters.
A administração do país vem pressionando usinas a vender açúcar no mercado internacional e usar os rendimentos para sanar enormes dívidas com os fornecedores de cana, além de reduzir os estoques domésticos.
No mês passado foram anunciadas as novas regras, que tornam obrigatório o aumento das exportações dos produtores de açúcar para pelo menos 4 milhões de toneladas na presente temporada, iniciada ontem (1º).
Apesar de uma recuperação no mercado de futuros de açúcar bruto que levou à maior alta desde julho, influenciada pelo aumento do preço da gasolina brasileira, que deve aumentar a demanda por etanol, os preços ainda não estimulam as exportações indianas. O patamar considerado como o mais provável para o estímulo à negociação do açúcar bruto é a partir de 13,5 e 14 centavos de dólar por libra-peso.
"Não há paridade de exportação no nível atual. O governo tem de fornecer subsídios para tornar as exportações viáveis. Sem subsídio, as usinas não podem suportar perdas adicionais ", disse Sanjeev Babar, diretor-gerente da federação das cooperativa das fábricas de açúcar do Estado de Maharashtra, principal região produtora de cana.
O governo deu um subsídio de 4.000 rúpias por tonelada para as exportações de açúcar bruto em 2014/15, exercício findo em 30 de setembro, para ajudar a reduzir os estoques depois de cinco anos de produção excedente.
"Entrei em contato com mais de uma dúzia de fábricas em Maharashtra para saber se eles podem fornecer açúcar bruto para as exportações nos próximos meses. Ninguém está pronto para produzir bruto para as exportações. Eles primeiro querem saber se o governo vai dar-lhes um subsídio à exportação”, disse um operador de trading global baseado em Mumbai.
O governo ainda não deixou claro se irá prorrogar subsídios na temporada 2015/16, iniciada em 1º de outubro.
Traders disseram que o plano do governo também não tinha força. "O governo não estabeleceu penalidades para o não cumprimento", disse um analista sênior ocidental.
O recente recuperação nos preços locais fez com que as exportações se tornassem menos lucrativa para as usinas, disse o comerciante. Os futuros de açúcar da Índia subiram um quarto desde que, no final de julho, caíram para seu nível mais baixo em mais de seis anos.
Tom McNeill, diretor de analista da australiana Verde Pool, previu exportações mais modestas de açúcar da Índia, de 1,8 milhões de toneladas, em 2015/16, acrescentando que ele foi "sempre um pouco cético em relação aos grandes planos na Índia."
Na temporada de moagem passada, que começou em 1º de outubro de 2014, a Índia exportou 1,3 milhões de toneladas.
A entidade que representa as usinas de cana do país, Indian Sugar Mills Association, estima em 27 milhões de toneladas a produção da commodity durante a safra 2015/16, o que representa uma queda de 5% em relação à temporada anterior.
David Brough e Rajendra Jadhav - Reuters
Informações adicionais de Agrimoney.
Tradução e adaptação NovaCana