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Petrobras revela prejuízo histórico com etanol e biodiesel: R$ 300 milhões em três meses

pbio usina vermelho 100815Contabilizando todas as perdas registradas até agora, os biocombustíveis já custaram R$ 1,37 bilhão ao caixa da Petrobras

NovaCana 6 min de leitura

Ficou pesado. A área de biocombustíveis da Petrobras conseguiu em três meses alcançar uma marca negativa histórica. Entre abril e junho deste ano os registros mostram que a estatal assumiu um prejuízo de R$ 304 milhões com etanol e biodiesel. Embora o negócio nunca tenha dado lucro para a Petrobras, o último prejuízo divulgado representa um novo patamar de perdas para a divisão.

Esta é a pior marca já registrada no segmento pela estatal, que controla, por meio da subsidiária Petrobras Biocombustível (PBio), investimentos em noves usinas de etanol – das sucroalcooleiras Guarani (SP), Nova Fronteira (GO) e Bambuí (MG), em que detém participação acionária – e três de biodiesel.

A cada três meses a empresa vinha perdendo cerca de R$ 63 milhões, em média. O prejuízo de agora é superior à perda acumulada em todo ano de 2014, de R$ 298 milhões.

O portal NovaCana apresenta as explicações para esta perda recorde e os detalhes do resultado da empresa com os biocombustíveis.

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Ficou pesado. A área de biocombustíveis da Petrobras conseguiu em três meses alcançar uma marca negativa histórica. Entre abril e junho deste ano os registros mostram que a estatal assumiu um prejuízo de R$ 304 milhões com etanol e biodiesel. Embora o negócio nunca tenha dado lucro para a Petrobras, o último prejuízo divulgado representa um novo patamar de perdas para a divisão.

Esta é a pior marca já registrada no segmento pela estatal, que controla, por meio da subsidiária Petrobras Biocombustível (PBio), investimentos em noves usinas de etanol – das sucroalcooleiras Guarani (SP), Nova Fronteira (GO) e Bambuí (MG), em que detém participação acionária – e três de biodiesel.

O prejuízo do segundo trimestre de 2015, acentua em 360% o resultado líquido negativo em R$ 66 milhões, registrado no mesmo período de 2014. Considerando o histórico de resultados trimestrais, que jamais esteve no azul, o avanço violento do déficit pode ser considerado irreversível para este ano.

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No relatório de resultados, apresentado nesta sexta-feira (07) ao mercado, a estatal fornece apenas uma explicação superficial. A maior parcela deste prejuízo não envolveu a parte operacional do negócio, mas foi resultado de uma “provisão para perda em investimentos, devido às mudanças decorrentes do Plano de Negócios e Gestão 2015/19”.

O portal NovaCana entrou em contato com a Petrobras para saber quais seriam estes investimentos que a estatal estaria já considerando como perdas, mas, apesar das solicitações, a estatal respondeu que o que tem a informar já está noticiado em seuas demonstrações financeiras.

Considerando apenas o resultado operacional da área de biocombustíveis, negativo em R$ 66 milhões, houve uma melhora de 8% ante a perda de R$ 72 milhões registrada no mesmo período de 2014.

Fatia visível

Se, antes, as perdas com biocombustíveis cabiam de forma relativamente confortável nos resultados do grupo como um todo, dessa vez, o caso é bem diferente. O lucro líquido da Petrobras, integrados todos os segmentos, no segundo trimestre foi de R$ 531 milhões, queda de 90% sobre os R$ 5,33 bilhões registrados no primeiro trimestre.

Isso eleva substancialmente o peso negativo dos biocombustíveis para o resultado final. No trimestre anterior, as perdas com biocombustíveis encolheram os lucros do grupo em pífios 0,9%. Já no trimestre atual essa o prejuízo com biocombustíveis representa 57,2% do lucro auferido.

Se contabilizarmos todas as perdas incorridas até agora, os biocombustíveis já custaram R$ 1,37 bilhão ao caixa da Petrobras.

No semestre, investidas apresentaram déficit de R$ 279 milhões

No acumulado do primeiro semestre de 2015, o prejuízo com a área de biocombustíveis já soma R$ 353 milhões, valor 150% superior aos R$ 141 milhões em perdas informadas no mesmo intervalo do ano passado. Além da provisão de perdas em investimentos, pesam as “perdas do setor de etanol devido à redução dos preços médios de realização”.

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A receita semestral com vendas de etanol e biodiesel somaram R$ 308 milhões, valor que sequer cobriu os custos de produção, de R$ 340 milhões. Com isso, a companhia já largou com um prejuízo bruto de R$ 32 milhões, acentuado por despesas de vendas e custos de pesquisa, para uma perda operacional de R$ 111 milhões. No entanto, este valor representa uma melhora de 20% na comparação com o desempenho operacional negativo em R$ 138 milhões na mesma fase de 2014.

O principal vilão para um resultado financeiro tão ruim foi na participação em investimentos onde as perdas saltaram de R$ 49, em 2014, para R$ 279 milhões no novo balanço.

O Ebitda (sigla, em inglês, para Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado ao valor justo dos ativos biológicos foi de R$ 97 milhões, ante R$ 122 milhões aferidos no primeiro semestre de 2014.

Foram realizados R$ 39 milhões em investimentos no segmento durante a primeira metade do ano, valor 105% superior aos R$ 19 milhões realizado um ano antes.

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Desvalorização dos ativos

O relatório mostra também um encolhimento de R$ 324 milhões no valor dos ativos da área de biocombustíveis, que passou de R$ 2,947 bilhões para R$ 2,623 bilhões, o que representa uma queda de 11% no patrimônio, em relação a 31 de dezembro de 2014.

Conforme o documento, uma parte da variação resultou da avaliação dos investimentos com o reconhecimento de perda por desvalorização de R$ 167 milhões no segmento, decorrente da decisão de excluir um projeto em andamento no horizonte do plano de negócios até 2019.

Na apresentação de resultados, a companhia não menciona detalhes sobre a venda de ativos, prevista no plano de desinvestimento da estatal e que pode significar a saída do segmento de biocombustíveis. A Agência Estado noticiou na semana passada que existe a previsão de que a saída dos investimentos em etanol e biodiesel fique para 2017 e 2018.

Na semana passada, a Tereos Internacional reiterou que aporte de R$ 250 milhões da PBio na Guarani, programado para outubro, não está comprometido. O investimento faz parte de um acordo de R$ 1,6 bilhão, firmado em 2010, para que a estatal detenha 46% da Guarani.

Atualização, às 8h38, 11/08/2015

O texto foi modificado para incluir a resposta da Petrobras, enviada após a publicação da reportagem.

Ao questionamento sobre qual investimento no segmento de biocombustível foi reconhecido como perda, por desvalorização de R$ 167 milhões, decorrente da decisão da exclusão de projeto em andamento, a estatal respondeu: "o que temos a informar no momento é o que saiu na nota explicativa das DFP do 1º Sem 2015".

Amanda SchArr e Fábio Rodrigues — NovaCana

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