Assim, o NovaCana Ethanol Conference, evento que será realizado em São Paulo na próxima segunda-feira, trouxe para a sua programação o painel Perspectivas Econômicas para o Mercado de Açúcar. Entre os tópicos que serão abordados estão os fatores que determinam quem tem vantagem competitiva em relação à commodity, fatores de influência na relação oferta-demanda e as mudanças na Europa e seus impactos mundiais na produção e nos preços.
Há 17 anos acompanhando o setor de commodities, Marcelo Teixeira foi o escolhido para a moderação do debate desse painel. Atualmente, ele é correspondente para o serviço internacional da Reuters News em São Paulo, sendo um dos responsáveis pela cobertura da área de açúcar e etanol.
Formado em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Teixeira possui especialização em política externa e economia política internacional pela Harvard University e em jornalismo ambiental pelo instituto alemão InWent. Durante nove anos, ele foi editor do serviço em português de notícias sobre commodities e energia da Reuters no Brasil. Também já atuou com o setor de carbono e mudanças climáticas como correspondente para a Reuters Point Carbon.
O painel acontece no dia 27 de junho, das 17h50 às 18h50, e trará a presença do gerente do departamento de pesquisa setorial do Rabobank, Andy Duff, e do chefe de negociação da Sucden do Brasil, Luiz Silvestre Coelho.
A atual situação das exportações brasileiras de açúcar é derivada não apenas dos resultados da atual safra no país e nas principais regiões produtoras do adoçante, mas também de regulações internacionais, taxas cambiais, perspectivas de consumo e outros fatores.
Abaixo, conheça cinco fatores atuais que estão afetando este mercado.
1. Déficit de produção: Embora os estoques internacionais tenham se acumulado nos últimos anos, o El Niño e a perspectiva de La Niña fizeram com que diversas instituições apostassem em uma produção inferior ao consumo para 2015/16 e 2016/17. A princípio, quanto maior a projeção de déficit, mais elevados ficam os preços – no entanto, esse é um fator dependente do clima e bastante sujeito a especulações.
2. Especulação na ICE: O movimento otimista dos preços na Bolsa de Nova York pode ser interpretado de duas maneiras. Ou realmente existe estímulo para a alta de preços ou apostas especulativas e voláteis estão puxando o mercado. Os fatores baixistas e altistas da commodity precisam ser acompanhados com atenção.
3. Contexto nacional: Uma boa safra para o Brasil tem efeitos positivos e negativos. Ao mesmo tempo em que as usinas querem aproveitar os bons preços ao máximo, um aumento significativo da produção diminui as perspectivas do déficit mundial e, consequentemente, reduz os preços. Além disso, boas safras de outras culturas podem prejudicar a logística de exportações.
4. Safra da Índia: O El Niño prejudicou as colheitas no país e espera-se que a produção da Índia caia pelo segundo ano seguido ao menor nível em sete anos. O clima seco na Índia não mudou e essa perspectiva de queda se reforçou no final de junho. O país, maior consumidor de açúcar do mundo, já está estudando medidas para controlar os preços no mercado interno e existe a possibilidade que passe de um dos maiores exportadores mundiais para um dos maiores importadores.
5. Mudanças na Europa: O fim das cotas de produção na União Europeia deve motivar países como França e Alemanha a elevar sua oferta de açúcar, reduzindo a necessidade de importação do bloco em até 50%. O açúcar que precisará ser importado virá de países com os quais a UE possui acordos de comércio ou cotas sem impostos.
A programação completa do NovaCana Ethanol Conference 2016 está disponível aqui.
novaCana.com