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Com perda de R$ 1,5 bi em 2018/19, Atvos, da Odebrecht, volta a registrar prejuízo

Companhia entrou em recuperação judicial em maio, dois meses após o encerramento da safra

NovaCana 8 min de leitura

Desde a aquisição da ETH Bioenergia pela Odebrecht, na safra 2012/13, os resultados líquidos da companhia apresentaram um prejuízo acumulado de R$ 6,09 bilhões, uma média de R$ 870,9 milhões por safra. Com esse desempenho – e uma dívida de R$ 10,48 bilhões com empréstimos e financiamentos –, a Atvos encontrou dificuldades em negociar seus débitos com instituições como Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A situação acabou resultando no pedido de recuperação judicial da companhia.

Em 2018/19, a antiga Odebrecht Agroindustrial apresentou perdas de 1,47 bilhões, revertendo o lucro líquido de R$ 493,7 milhões registrado na temporada anterior. Os valores foram divulgados no mais recente balanço financeiro da companhia.

Ainda de acordo com a Atvos, a safra foi marcada por uma “acentuada volatilidade” nos preços de etanol e açúcar. “O fator positivo foi o elevado consumo do etanol no Brasil, com crescimento de 18% em relação à safra 2017/18”, aponta.

Porém, a empresa teria sido prejudicada pela greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, que “impactou significativamente” as operações agroindustriais e, consequentemente, o fluxo de caixa. Para completar, intempéries climáticas – com períodos de estiagem e chuvas excessivas –, levaram a uma perda de produtividade.

Conforme os números apresentados, os canaviais da Atvos registraram uma produtividade média de 64,9 t/ha, o que representa uma queda de 0,6% ante as 65,3 t/ha vistas em 2017/18. No total, a companhia registrou uma moagem de 26,67 milhões de toneladas – ainda que isso represente um crescimento de 3,2% em relação à safra anterior, o valor ficou distante da perspectiva de 29,3 milhões de toneladas, divulgada há um ano.


Leia mais:

- Histórico do desempenho operacional da companhia: lucro bruto, receitas e custos
- Volumes produzidos e comercializados na safra 2018/19
- Perfil das dívidas da Atvos e negociações com credores

Desde a aquisição da ETH Bioenergia pela Odebrecht, na safra 2012/13, os resultados líquidos da companhia apresentaram um prejuízo acumulado de R$ 6,09 bilhões, uma média de R$ 870,9 milhões por safra. Com esse desempenho – e uma dívida de R$ 10,48 bilhões com empréstimos e financiamentos –, a Atvos encontrou dificuldades em negociar seus débitos com instituições como Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A situação acabou resultando no pedido de recuperação judicial da companhia.

Em 2018/19, a antiga Odebrecht Agroindustrial apresentou perdas de 1,47 bilhões, revertendo o lucro líquido de R$ 493,7 milhões registrado na temporada anterior. Os valores foram divulgados no mais recente balanço financeiro da companhia.

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Ainda de acordo com a Atvos, a safra foi marcada por uma “acentuada volatilidade” nos preços de etanol e açúcar. “O fator positivo foi o elevado consumo do etanol no Brasil, com crescimento de 18% em relação à safra 2017/18”, aponta.

Porém, a empresa teria sido prejudicada pela greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, que “impactou significativamente” as operações agroindustriais e, consequentemente, o fluxo de caixa. Para completar, intempéries climáticas – com períodos de estiagem e chuvas excessivas –, levaram a uma perda de produtividade.

Conforme os números apresentados, os canaviais da Atvos registraram uma produtividade média de 64,9 t/ha, o que representa uma queda de 0,6% ante as 65,3 t/ha vistas em 2017/18. No total, a companhia registrou uma moagem de 26,67 milhões de toneladas – ainda que isso represente um crescimento de 3,2% em relação à safra anterior, o valor ficou distante da perspectiva de 29,3 milhões de toneladas, divulgada há um ano.

Desempenho operacional

O resultado de 2018/19 trouxe a primeira piora no resultado bruto da companhia. A Atvos registrou um lucro bruto de R$ 176,69 milhões, um decréscimo de 68,2% frente ao lucro de R$ 561,95 milhões apresentado um ano antes.

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Isso aconteceu em decorrência de um aumento de 7,7% nos custos de produção, que saltaram de R$ 3,69 bilhões em 2017/18 para R$ 3,97 bilhões em 2018/19. Na mesma comparação, contudo, a receita cresceu apenas 0,9%, indo de R$ 4,24 bilhões para R$ 4,28 bilhões.

Analisando apenas esses dois indicadores é possível ver como a margem de operação da Atvos é apertada – afinal, os custos de produção representaram 92,8% da receita da companhia. Na safra anterior, esse índice foi de 87%, o melhor já registrado pela companhia. Ainda assim, a situação já foi pior: até 2015/16, a Atvos tinha custos superiores às receitas.

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Conforme números divulgados pela companhia, a empresa produziu 212 mil toneladas de açúcar na safra, uma redução de 54% em relação a 2017/18. A produção de etanol anidro também caiu, passando para 529 milhões de litros, ante os 641 milhões de litros registrados um ano antes.

Essa mudança aconteceu também por conta da priorização da produção de etanol hidratado. Na safra 2018/19, apenas 6% da matéria-prima foi direcionada para a produção de açúcar, ante 15% na temporada anterior. Além disso, 74% da produção de etanol foi de hidratado, frente a 64% em 2017/18.

Com isso, a produção de etanol hidratado aumentou em 31%, chegando a 1,54 bilhão de litros. “Com a queda nos preços de açúcar, a estratégia foi orientar o mix para etanol e aumentar a participação em mercados mais rentáveis, como Goiás”, afirma a companhia, que completa: “Obtivemos uma safra recorde de produção de etanol, que chegou a 240 mil litros em julho de 2018, com preços acima da safra anterior. Em volume de vendas, o etanol hidratado observou aumento de 18% ante o ciclo 2017/2018”.

Segundo a companhia, o preço do etanol comercializado subiu 4% no comparativo anual, de R$ 1.556/m³ para R$ 1.618/m³ e o volume vendido foi de 1,47 bilhão de litros. Em contrapartida, o preço do açúcar caiu 18%, de R$ 1.203/t para R$ 933/t e 207 mil toneladas foram comercializadas.

Já a geração de energia elétrica cresceu 3%, indo para 2,82 TWh – desse total, 1,84 TWh foram comercializados a um preço médio de R$ 259/MWh. “Exportamos 70 kW/t de cana e adicionamos ao sistema 4% a mais de energia que o ano anterior: 50% para o mercado regulado, 20% para o mercado livre e 30% no Mercado de Curto Prazo (MCP)”, relata a Atvos.

Recuperação judicial e dívidas

De acordo com a Atvos, o fraco desempenho na temporada foi um dos fatores que levou a companhia a retomar a negociação com os bancos. O objetivo era reestruturar as dívidas junto aos principais credores, em busca do “equacionamento definitivo” da estrutura de capital e do fluxo de caixa.

Considerando apenas empréstimos e financiamentos, em 31 de março de 2019, as dívidas da Atvos com vencimento em até 12 meses somavam R$ 10,27 bilhões. O valor é mais de 4.500% superior à posição registrada um ano antes, quando os débitos com vencimento de curto prazo totalizavam R$ 219 milhões.

Além disso, quando são contabilizados também os empréstimos e financiamentos com vencimento para além desse prazo, as dívidas totalizavam R$ 10,48 bilhões – 9,9% a mais do que o total registrado em 31 de março de 2018. Com isso, a alavancagem da companhia subiu de 5,9 vezes ao final da safra 2017/18 para 6,9 vezes em 2018/19. O valor é calculado pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

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Conforme a Folha de São Paulo, o BNDES é o maior dos credores da Atvos, com R$ 4,1 bilhões a receber. Em seguida vem Banco do Brasil (R$ 3,8 bilhões), Caixa Econômica Federal (R$ 530 milhões), Itaú (R$ 390 milhões) e Bradesco (R$ 260 milhões).

“Inicialmente, as negociações com os credores evoluíram de forma satisfatória, mas, apesar de todos os esforços e dos avanços alcançados, o impasse nas tratativas com um credor específico acabou por impedir que a conclusão da reestruturação financeira da Atvos se desse por meio de um acordo extrajudicial”, relata o documento.

Segundo uma reportagem publicada pelo Valor Econômico, o credor mencionado pela companhia seria o próprio BNDES.


O NovaCana realizou um levantamento de todos os contratos assinados pelo grupo e suas usinas com o BNDES – em nove anos, eles somaram R$ 5,18 bilhões. Clique aqui para saber mais.


De acordo com a Atvos, com a recuperação judicial em andamento, foram suspensas por 180 dias todas as ações e execuções em curso contra o grupo. Também foram dados prazos de 30 dias para a apresentação de habilitações e/ou divergências de créditos e de 60 dias para a elaboração do plano de recuperação judicial da empresa.

Renata Bossle – NovaCana

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