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Aos poucos, novas variedades de cana ganham espaço no plantio do Centro-Sul

Pesquisa do IAC sobre as intenções das usinas listou os 18 principais cultivares para a região; RB867515 ainda é a favorita

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A produtividade de um canavial depende de uma série de fatores. Embora muitos elementos estejam fora do alcance do produtor, como intempéries climáticas, é possível ter controle sobre alguns deles por meio da escolha das variedades a serem plantadas. Há exemplares mais resistentes a pragas, adaptados a solos e outras condições específicas, além de propícios para a colheita mecanizada.

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da secretaria de agricultura e abastecimento de São Paulo, realiza anualmente uma pesquisa em que elenca as usinas com melhores práticas de manejo varietal. Além disso, destaca a intenção de plantio nas principais regiões canavieiras, traçando quais variedades os produtores pretendem utilizar na próxima safra.

Assinado pelos consultores Marcos Landell e Rubens Braga, o mais recente levantamento sobre o tema lista os cultivares de preferência dos produtores entre abril de 2022 e março de 2023. Até novembro do ano passado, foram ouvidas 166 unidades, totalizando 884,45 mil hectares.

A pesquisa demonstra que apenas três variedades apresentaram aumento em suas intenções de plantio. Duas delas têm 20 anos de cruzamento, mas apenas dois de liberação: IACSP01-5503 e CTC2994. Já a RB975242 tem 25 anos de cruzamento e sete de uso comercial.

Isso demonstra que, ainda que a passos curtos, as variedades mais novas têm ganhado espaço nos canaviais.

Outro ponto é que, apesar de ser a maior sondagem neste quesito, o levantamento atual viu uma queda de 24 usinas respondentes – em 2021, foram contabilizadas 190 unidades. Já o território total analisado teve uma retração de 4,9%.

A pesquisa define a parcela ocupada pelas variedades de cana que estão sendo plantadas nas unidades consultadas. De acordo com os especialistas, um maior número de opções pode diminuir perdas provocadas por novas doenças, por exemplo. O IAC recomenda que o produtor não tenha mais de 15% de sua área com apenas um cultivar.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere mais detalhes e análises sobre as principais variedades do Centro-Sul e um gráfico interativo com as mais plantadas nos estados do Centro Sul e também nas regiões de São Paulo.

A produtividade de um canavial depende de uma série de fatores. Embora muitos elementos estejam fora do alcance do produtor, como intempéries climáticas, é possível ter controle sobre alguns deles por meio da escolha das variedades a serem plantadas. Há exemplares mais resistentes a pragas, adaptados a solos e outras condições específicas, além de propícios para a colheita mecanizada.

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da secretaria de agricultura e abastecimento de São Paulo, realiza anualmente uma pesquisa em que elenca as usinas com melhores práticas de manejo varietal. Além disso, destaca a intenção de plantio nas principais regiões canavieiras, traçando quais variedades os produtores pretendem utilizar na próxima safra.

Assinado pelos consultores Marcos Landell e Rubens Braga, o mais recente levantamento sobre o tema lista os cultivares de preferência dos produtores entre abril de 2022 e março de 2023. Até novembro do ano passado, foram ouvidas 166 unidades, totalizando 884,45 mil hectares.

A pesquisa demonstra que apenas três variedades apresentaram aumento em suas intenções de plantio. Duas delas têm 20 anos de cruzamento, mas apenas dois de liberação: IACSP01-5503 e CTC2994. Já a RB975242 tem 25 anos de cruzamento e sete de uso comercial.

Isso demonstra que, ainda que a passos curtos, as variedades mais novas têm ganhado espaço nos canaviais.

Outro ponto é que, apesar de ser a maior sondagem neste quesito, o levantamento atual viu uma queda de 24 usinas respondentes – em 2021, foram contabilizadas 190 unidades. Já o território total analisado teve uma retração de 4,9%.

A pesquisa define a parcela ocupada pelas variedades de cana que estão sendo plantadas nas unidades consultadas. De acordo com os especialistas, um maior número de opções pode diminuir perdas provocadas por novas doenças, por exemplo. O IAC recomenda que o produtor não tenha mais de 15% de sua área com apenas um cultivar.

Queda de intenções

Entre as 18 variedades com uso identificado pelo IAC no Centro-Sul, a RB867515 – com 36 anos de cruzamento e 25 de liberação – segue na dianteira pelo segundo ano seguido. Mesmo mantendo a colocação, ela teve uma queda de um ponto percentual na intenção de plantio, para 9,2%.

Em área, o cultivar da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) registrou uma retração de 14,2%, saindo dos 94,83 mil hectares em 2021 para 81,37 mil ha no levantamento mais recente.

Enquanto isso, as variedades CTC4 e RB966928 inverteram posições entre um ano e outro. A CTC4 agora aparece em segundo, ocupando 8,9% da intenção, mesmo tendo registrado diminuição de 3,8% na área, que totalizou 78,72 mil ha, ante 81,81 mil ha em 2021. Este cultivar tem 30 anos de cruzamento e 17 de liberação, sendo mais novo que a primeira colocada, mas ainda alguns anos à frente da terceira.

Com 12 anos de comercialização e 26 de cruzamento, a RB966928 pode alcançar uma área de 76,06 mil ha, em uma retração anual de 17,4%. Aliás, esta é a menor porção territorial para a variedade desde o início da série histórica, em 2018. Já a intenção de plantio caiu para 8,6%, empatando com a RB975242.

A RB975242 tem 25 anos de cruzamento e sete de liberação comercial. De acordo com a Ridesa, o cultivar tem um desenvolvimento médio, com colmos de fácil despalha. Conforme a pesquisa, ela pode alcançar uma área plantada de 76,06 mil ha, com aumento anual de 15,2%.

As quatro primeiras variedades somaram 312,21 mil hectares, abrangendo 35,3% do total a ser plantado na amostra da região. Já as outras 14 listadas pelo IAC ficaram com o índice de intenção abaixo de 4%.

A pesquisa ainda possui o grupo “outras”, que soma as variedades que, quando isoladas, representam menos de 1% da área plantada. Este recorte subiu um ponto percentual na amostragem mais recente, totalizando 25,8% da intenção, contra 24,1% em 2021. Ao todo, esses cultivares ocupariam 228,19 mil hectares.

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Entre as 18 variedades com elevada intenção de plantio, apenas duas são novas na listagem: CTC9006 e RB005014. Ambas têm dois anos de comercialização e cerca de duas décadas de cruzamento.

De acordo com a bula técnica divulgada pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o cultivar CTC9006 tem como principais pontos de destaque a produtividade em ambiente restritivo, contando com um alto índice de rendimento no campo.

Já a RB005014 tem um porte alto, crescimento ereto e uma despalha média, segundo a Ridesa. A rede enfatiza que a variedade possui alta produtividade e perfilhamento, além de ter raro florescimento e ótima brotação.

Entre os programas de melhoramentos com maior representatividade na pesquisa do IAC, os destaques foram: Ridesa (52,4%); CTC (29,4%); IAC (9,1%); Monsanto (5,5%); e Copersucar (2,3%).

Apesar de uma leve queda entre um ano e outro, a Ridesa continua com a maior fatia de intenção de plantio – no ano anterior a perspectiva de plantio era de 52,9%. O CTC, por outro lado, passou pela segunda queda consecutiva, saindo de uma intenção de 30,6% em 2021.

Idade das variedades

Uma variedade pode levar por volta de vinte anos entre o seu cruzamento e o pico de área plantada. Para o consultor Rubens Braga, do IAC, a idade ideal para o uso da cana-de-açúcar depende de vários fatores.

Ele explica que, para uma eventual troca, os produtores precisam comparar a produtividade atual do canavial e a expectativa da nova variedade.

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Dentre as 18 listadas, a idade de cruzamento variou entre 37 anos, com a RB855156, e 19 anos, com quatro: CTC9001, CTC9003, CTC9002 e CV7870.

Já em relação ao tempo de comercialização, a RB855156 também é a mais velha, com 26 anos desde a sua liberação. As mais novas, por sua vez, têm dois anos de vendas cada, com duas sendo da Ridesa, RB975033 e RB985476 e duas pertencentes ao CTC, CTC2994 e CTC9006.

Apesar de novos cultivares estarem ganhando espaço, a preferência do produtor ainda é pelas opções mais antigas, que apresentam a maior porcentagem de intenção de plantio.

Variedades em São Paulo e suas regiões

O IAC, além de fazer um acompanhamento da intenção de plantio em todo o Centro-Sul, também divulga dados dos estados e de regiões de São Paulo. Desta forma, é possível observar o avanço de novas variedades em cada localidade.

Mesmo com certa queda entre um ano e outro, o estado paulista ainda se mantém como o mais representativo da amostra, com 506 mil ha e 88 empresas. Entre elas, o principal cultivar – com 10,5% de intenção de plantio – foi o RB975242, subindo da terceira colocação no ano anterior. Ele foi seguido pela RB966928 (9%) e pela RB867515 (8,9%).

Esta terceira variedade teve destaque em suas regiões canavieiras, sendo a principal opção em Araçatuba, com 15,9%, e em Jaú, com 8,3%.

Em São José do Rio Preto, o cultivar se encontra na sexta posição, subindo dois degraus entre um ano e outro. Em Assis, por outro lado, a opção de 26 anos caiu do primeiro lugar para o quarto, com 8,4% de intenção de plantio. Já Piracicaba deixou o cultivar em nono lugar, com 3,9%.

Ribeirão Preto trouxe duas novas variedades para a sua lista e, novamente, deixou de fora a grande campeã nacional, a RB867515. A sua principal opção foi pela RB975242, com 9,4%, seguida pela CTC4, com 9,2%.

Entre as seis regiões de São Paulo acompanhadas pelo IAC, São José do Rio Preto foi a que mais trouxe novas variedades, com quatro mudanças em sua lista. Ela foi seguida por Ribeirão Preto e Piracicaba, com duas. Assis e Jaú fizeram apenas uma alteração cada, enquanto Araçatuba manteve a organização do ano anterior.

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Variedades nos estados

Considerando os estados da região Centro-Sul separadamente, é preciso levar em conta que, apesar de cada território apresentar características específicas, que definem qual seria a melhor variedade a ser plantada, o clima ainda é o que mais pesa. Os estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, por exemplo, não teriam os mesmos resultados caso plantassem as canas utilizadas por Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Goiás, por exemplo, manteve sua preferência pela CTC4 (12,3%), seguida pela RB867515 (11,2%), assim como ocorreu em 2021. Nos 105 mil ha, repartidos entre 20 empresas, a região optou por quatro novas variedades.

Já Mato Grosso do Sul, que somou 102 mil ha e 16 empresas, apresentou duas novidades em sua listagem, a CTC9003 e a CTC20. Com 14,2%, a RB867515 é a favorita no estado, seguida pela CTC4, com 11,2%; invertendo a as opções do estado anterior.

Somando 80 mil ha entre 17 empresas, o Paraná viu a RB988082 encabeçar a lista de intenção com 13,8% da área. Apesar da retração anual de dois pontos percentuais, a variedade manteve a posição do ano anterior.

Entre os 15 principais cultivares vistos no estado, apenas três mudaram de posição entre um ano e outro, demonstrando que a estratégia das usinas paranaenses não se alterou quanto às variedades plantadas. Além disso, o estado, juntamente com Minas Gerais, está entre os únicos que não possuem a RB867515, líder de intenção geral, em suas respectivas listas.

Minas Gerais, por sua vez, trocou seis variedades para plantio. A RB975242 lidera na região, com 8,9% da intenção; segundo a Ridesa, ela apresenta desenvolvimento médio, alta produtividade e não tende a florescer. O estado foi representado por 16 empresas, com 59 mil ha.

Tomando o cuidado de não divulgar dados de apenas uma companhia, o IAC reuniu os números de Bahia e Tocantins na análise estadual. Representados por três empresas e uma área de 12 mil hectares, o agrupamento com as duas unidades da federação apresentou 24,8% da intenção de plantio voltada para a experiente RB867515.

No ano passado, o cultivar também liderou a lista da região, mas em menor porcentagem: 17,6%. Este é o segundo aumento seguido.

Por outro lado, o segundo e terceiro lugares dos estados ficaram com as variedades CTC7515BT (17,4%) e IACSP95-5094 (7,7%), que não apareceram na lista do ano anterior. Além destas, Bahia e Tocantins também trouxeram outras três novidades para seus canaviais.

Da mesma forma, a RB867515 foi a líder no Espírito Santo e em Mato Grosso, com os dois pretendendo plantar 23,3% da área com o cultivar, aumento de 2,6 pontos percentuais para o primeiro e de 6,7 pontos percentuais para o segundo. Ambos os estados também empataram na quantidade de novas variedades em comparação com o ano anterior, acrescentando sete novas opções.

Na amostragem do IAC, o Espírito Santo foi representado por três empresas, totalizando 4 mil ha. Já as quatro companhias mato-grossenses somaram 17 mil ha.

A líder RB867515

Lançada oficialmente em 1997, a RB867515 teve sua área de cultivo incrementada a partir de 2000. De acordo com o documento de variedades da Ridesa, ela resultou de um policruzamento e atingiu cerca de 22% da área total de cana-de-açúcar cultivada no Brasil.

A rede de melhoramento destaca que um dos fatores que contribuiu para o sucesso do cultivar foi a possibilidade de expansão em solos de baixa fertilidade, de textura arenosa e com restrições hídricas, “onde outras variedades não apresentavam o mesmo desempenho”.

Ainda de acordo com o documento da Ridesa, a variedade possui alta produtividade de sacarose, com médio teor de fibra. A RB867515 também apresenta “boa capacidade de brotação mesmo em plantio tardio sob baixa temperatura”, sendo também tolerante à seca em todas as fases do ciclo vegetativo.

Braga, entretanto, reitera que, mesmo com suas boas qualidades agrícolas, esta não é uma variedade moderna. Seu pouco perfilhamento, por exemplo, reduz a produtividade ao longo dos cortes.

O consultor do IAC também afirma que é possível que a RB867515 tenha sido a variedade que mais ficou em primeiro lugar no censo dos canaviais durante os anos pesquisados pelo IAC.

Giully Regina – NovaCana
Com reportagem adicional de Gabrielle Rumor Koster

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