Quando alguns dos maiores grupos sucroenergético do país decidem ampliar a irrigação de seus canaviais, fica claro que o crescimento do setor não pode mais depender apenas do que cai do céu.
As mudanças climáticas têm imposto novos desafios. A safra 2024/25 da região Centro-Sul foi marcada pela escassez de chuvas e altas temperaturas, fatores que resultaram em uma queda de 10,3% na produtividade em comparação à temporada passada, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Especificamente em São Paulo, o maior estado produtor de cana-de-açúcar do país, a perda de rendimento alcançou 14,5%. Além disso, os incêndios que atingiram os canaviais causaram prejuízos de mais de R$ 1,5 bilhão ao setor sucroenergético, segundo números da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).
Diante desse cenário de instabilidade climática, a irrigação e a fertirrigação têm ganhado destaque como investimentos prioritários para as sucroenergéticas. Essas opções permitem que as usinas avancem em moagem, promovendo a expansão vertical da produção por hectare.
Uma pesquisa conduzida pela Embrapa verificou que a produtividade média das áreas irrigadas salta em torno de 70%, passando de 71 toneladas de cana por hectare para 120 t/ha.

O estudo analisou ciclos de 12 anos, com dados reais de usinas. Foram ainda avaliados dois cenários de adaptação às mudanças climáticas, com índices de irrigação cobrindo 32% e 45% da área total.

Um desafio na irrigação dos canaviais é a necessidade de retrofit – ou seja, de modernização – para incluir automação. Com isso, o processo nem sempre atinge o desempenho ideal ao incorporar tecnologias avançadas em equipamentos mecânicos e, às vezes, reaproveitados.
Para resolver essa questão, a especialista em motores MWM se uniu à AGTech, referência em tecnologia para o agronegócio. Juntas, elas desenvolveram a primeira motobomba com automação de fábrica. Esse equipamento, lançado em 2023, já foi adotado por grandes clientes.
Segundo o supervisor de novos negócios da MWM, Thiago Brito, a solução proporciona uma operação mais simples, eficiente e econômica, abordando outro problema das usinas: a escassez de mão de obra qualificada para operar no campo. Com a tecnologia agregada, a irrigação pode ser monitorada à distância, com precisão e em tempo real, via Centro de Operação Agrícola (COA) das usinas.
“Essa automação responde a uma demanda antiga, principalmente dos grandes grupos, que enfrentavam muitos problemas com as soluções disponíveis no mercado, como falhas na automação, falta de suporte à gestão e ausência de monitoramento, comprometendo a sustentabilidade das operações", afirma o CEO e fundador da AGTech, Ingomar Ilson Matte.
Ele demonstra estar animado com a parceria. “Foi uma grande oportunidade fazermos essa união para que os motores já saiam de fábrica com mais garantia. O equipamento tem um versionamento de fábrica e dá segurança absoluta ao comprador. Inclusive, o motor que a MWM lançou no ano passado é fantástico, já testamos e estamos disponibilizando para os clientes”, relata.
Subsidiária da Tupy, a MWM oferece duas opções de motorização para as motobombas: diesel e biometano. Na versão a diesel, o impacto mais significativo, em termos de custos, é a economia de até 20% no consumo de combustível.
“Como um produto que funciona de forma ininterrupta, o gasto de combustível da motobomba é muito elevado. A operação acontece 24 horas por dia, sete dias por semana, com um consumo de 15 a 20 litros de combustível por hora. Assim, toda a economia de combustível acaba tendo um efeito sensível no custo da operação”, observa Thiago Brito.
Com a economia de combustível, a redução da emissão de gases com efeito estufa é estimada em 30 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por ano. Isso reforça a receita das usinas ao levar a um aumento da emissão de créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio.

Com motor "inteligente", motobomba a diesel proporciona economia de combustível e reduz a pegada de carbono do canavial
No contexto em que a redução da pegada de carbono se tornou uma prioridade, as motobombas movidas a biometano (ou GNV) surgem como uma solução competitiva. Foi justamente por conta dessa demanda que a MWM inaugurou sua atuação no segmento.
A fabricante de motores e geradores se viu provocada a propor novas soluções para a irrigação enquanto prestava serviços a uma usina. O cliente estava alterando a motorização de seus caminhões, do diesel para o biometano, de modo a se tornar autossuficiente em combustível. Logo, veio a pergunta: “Será que a mesma combustão não poderia ser aplicada à irrigação?”. Assim, nasceu a primeira motobomba à biometano da MWM.
Com o uso do biocombustível, as motobombas oferecem uma redução de 95% nas emissões de CO2, tornando o processo de irrigação ainda mais sustentável. Segundo a companhia, esse ganho já pode ser visto em clientes que se tornaram autossuficientes em combustível, eliminando a necessidade de aquisição de diesel.
No entanto, a principal barreira para a adoção em larga escala dessa tecnologia é a disponibilidade de biometano, uma vez que, atualmente, poucas sucroenergéticas produzem o gás.
O supervisor de novos negócios da MWM acredita que, com o aumento da preocupação com a sustentabilidade e as metas de ESG, as motobombas movidas a biometano serão gradualmente adotadas.
Entre os clientes da MWM, até mesmo uma usina que atualmente não produz biometano já está testando a nova versão. “Eu entendo que esse será um grande trunfo no futuro. Assim que as usinas tiverem biometano, a opção será essa. Faz muito sentido ter um combustível próprio, sem tributos, em vez do diesel, que é comprado externamente”, completa Thiago Brito.
Segundo a MWM, um dos grandes diferenciais da empresa está no menor tempo de inatividade das motobombas. Esse benefício é atribuído tanto à tecnologia avançada do equipamento quanto ao serviço de assistência técnica e pós-venda oferecido pela empresa.
As motobombas da MWM requerem manutenções preventivas a cada 500 horas de uso, enquanto a concorrência demandaria esse serviço a cada 250 horas. No entanto, como aponta Thiago Brito, é comum que as recomendações do fabricante sejam negligenciadas, o que pode causar problemas operacionais nas usinas.
Para garantir que as manutenções preventivas sejam realizadas no tempo adequado, a MWM monitora seus clientes e envia lembretes periódicos. Além disso, a equipe realiza a entrega técnica dos equipamentos e permanece disponível para contato direto com os operadores das usinas, possibilitando uma comunicação rápida e on-line a qualquer momento.
Se o problema não puder ser resolvido remotamente, o centro de serviço mais próximo da usina é acionado para realizar o atendimento no local. “Em casos de atendimento presencial, o centro já sabe qual é o problema e leva as peças ou os produtos necessários para minimizar o tempo de inatividade da motobomba”, relata a equipe da MWM.
Assim, à medida que o setor sucroenergético enfrenta os impactos das mudanças climáticas e as limitações no uso da terra, a adoção de tecnologias eficientes se torna mais estratégica.
De acordo com a MWM, as motobombas se apresentam como aliadas para otimizar o uso dos recursos hídricos e garantir a sustentabilidade da produção. Para as usinas, que precisam equilibrar a necessidade de alta produtividade com práticas mais responsáveis do ponto de vista ambiental, essas inovações apresentam uma resposta aos desafios do presente e do futuro.
Conteúdo patrocinado por MWM Motobombas – NovaCana
Texto: Amanda Arruda
Infográficos: Thalia Rauane
Edição: Renata Bossle
Revisão: Gabrielle Rumor Koster e Giully Regina