NovaCana

Os motivos que levaram a Vignis a pedir recuperação judicial

Em entrevista ao NovaCana, diretor-presidente do grupo explica como a empresa pretende se recuperar das dificuldades financeiras

NovaCana 5 min de leitura

O Grupo Vignis teve seu pedido de recuperação judicial aceito na última semana. Seus próximos passos são apresentar o plano de reestruturação, que será avaliado pelos credores, e seguir no processo para continuidade das pesquisas em biotecnologia focadas em variedades de cana-de-açúcar, mais especificamente, na cana-energia.

O principal argumento defendido na petição inicial é que a empresa precisa desta recuperação, no valor de R$ 10 mil, pois erros na gestão e quebra de contratos importantes levaram a uma situação financeira sensível.

Em entrevista exclusiva ao NovaCana, o diretor-presidente da Vignis, Luis Claudio Rubio, relata quais foram os motivos que levaram à recuperação judicial e explica quais são os próximos planos dos sócios para a empresa.

Confira na versão completa:

- Os motivos que levaram à recuperação judicial
- Os próximos planos dos sócios para a empresa
- O histórico do grupo Vignis

O Grupo Vignis teve seu pedido de recuperação judicial aceito na última semana. Seus próximos passos são apresentar o plano de reestruturação, que será avaliado pelos credores, e seguir no processo para continuidade das pesquisas em biotecnologia focadas em variedades de cana-de-açúcar, mais especificamente, na cana-energia.

O principal argumento defendido na petição inicial é que a empresa precisa desta recuperação, no valor de R$ 10 mil, pois erros na gestão e quebra de contratos importantes levaram a uma situação financeira sensível.

O diretor-presidente da Vignis, Luis Claudio Rubio, conta que, quando ele e o engenheiro agrônomo Sizuo Matsuoka abriram a Vignis, o plano principal era ser uma empresa de biotecnologia voltada ao melhoramento genético para a cana-de-açúcar, produzindo, assim, variedades como a cana-energia.

Porém, ao fechar contrato com várias empresas – não só do setor sucroenergético, que era seu principal alvo –, eles passaram a ser responsáveis também pelo processo de produção da cana, do plantio à colheita. Assim, tiveram que se concentrar intensamente na operação, área que eles não tinham know-how suficiente para bancar.

“O processo de plantio era todo operado por nós. Assim, deixamos de fazer o que éramos realmente bons – o melhoramento genético – e nos concentramos em coisas que não sabíamos fazer tão bem. Focamos em operações, mas o processo de plantio é bastante complicado”, relembra Rubio.

Um dos seus maiores contratos, fechado com a Odebrecht, envolvia a entrega de mais de 750 mil toneladas de cana no ano passado. “Porém, não conseguimos produzir e entregar, causando um distrato no contrato”, explica o presidente. “O que era para ser rentável virou prejuízo e acabou refletindo em todos os nossos negócios”, lamenta.

Como os donos da Vignis perceberam que não dariam conta de entregar a cana colhida conforme determinado previamente, foram rompendo os contratos com outras empresas, o que acarretou em novos custos, esvaziando o caixa do grupo até que a recuperação judicial se tornasse necessária.

Os próximos passos

Agora, com a recuperação deferida, o plano dos sócios é seguir fazendo o que fazem de melhor: trabalhar com biotecnologia e melhoramento genético em busca de novas variedades da cana-de-açúcar.

“Como a juíza do caso afirmou, a Vignis tem total viabilidade para voltar a funcionar normalmente, pois o nosso trabalho mantém os bons resultados de sempre”, reitera Rubio. “Vamos seguir com os estudos para criar variedades mais ricas de cana-de-açúcar e que atendam às demandas dos produtores brasileiros”.

Depois da experiência negativa que tiveram com a operação de um canavial, os sócios fecharam esse setor da empresa e, agora, seguem apenas com os laboratórios e com a equipe que trouxe bons resultados até o momento.

A perspectiva, ainda de acordo com Rubio, é se voltar apenas ao mercado da cana-de-açúcar. Dessa forma, ele aponta que não pretende fechar contratos com empresas de outros setores – como Votorantim e Caramuru Alimentos – pois a Vignis definiu que não trabalhará novamente com plantio.

Variedade para o mercado brasileiro

A dedicação exclusiva ao mercado fará com que os estudos da Vignis se concentrem em uma variedade que seja intermediária entre a cana-de-açúcar padrão e a cana-energia. “Ela manterá o que a cana-energia tem de melhor – o sistema radicular, que garante uma alta produtividade – e será fibrosa, mas também terá uma grande quantidade de açúcar, atendendo à demanda dos produtores do país”, explica Rubio.

De acordo com o presidente, essa variedade é perfeita para a produção de açúcar e etanol, porém, é mais forte, cresce bem e tem boa concentração de açúcares em comparação com a cana tradicional. Para os produtores que se interessarem, a planta ainda terá fibra o suficiente para aumentar a produção de energia pela queima de biomassa.

“Continuamos acreditando totalmente nessa variedade e seguiremos produzindo mudas de alto rendimento para oferecer aos produtores”, conclui Rubio. Assim, ele explica, as empresas serão responsáveis pelo plantio e pela colheita, e deverão pagar os royalties da utilização dessa variedade à Vignis, que seguirá com estudos e inovações.

Rafaella Coury - NovaCana

Compartilhar: