Agência de avaliação de risco manteve classificação da companhia em Caa1, mas alterou perspectiva de negativa para estável
Em uma atualização de sua ação de rating referente à Usina Coruripe, a agência de classificação de risco Moody’s optou por manter a classificação Caa1 ao grupo, elevando a perspectiva de negativa para estável – o que indica que não devem ocorrer rebaixamentos em breve. Segundo a agência, esta nota representa um grau especulativo de crédito, sujeito a um alto risco.
“A estabilização das perspectivas de Coruripe reflete principalmente a conclusão de um acordo com credores, o que reduzirá o risco de refinanciamento ao estender uma dívida bancária de mais de R$ 1,7 bilhão – mais da metade da dívida total – de um cronograma de amortização de três anos para um de cinco anos”, justifica a Moody’s.
De acordo com o diretor financeiro da Coruripe, Thierry Soret, a avaliação reconhece a melhora do perfil financeiro da empresa. “A negociação também envolveu um bônus adimplência que implica em uma redução no custo dos empréstimos, tanto em dólar quanto em real”, explica Soret em nota enviada à imprensa.
Segundo a Moody’s, a perspectiva estável dos ratings incorpora a perspectiva de que a Coruripe apresentará um cronograma de amortização de dívida mais adequado nas próximas safras e que os resultados operacionais e a geração de fluxo de caixa permanecerão sólidos.
“Também esperamos que a Coruripe mantenha sua estratégia de gestão de passivos a fim de adequar o cronograma de amortização de dívidas às suas necessidades de investimento”, afirma.
Para saber mais sobre as perspectivas da Moody’s em relação aos resultados e ao perfil de endividamento da Coruripe, acesse o texto completo (exclusivo para assinantes).
Em uma atualização de sua ação de rating referente à Usina Coruripe, a agência de classificação de risco Moody’s optou por manter a classificação Caa1 ao grupo, elevando a perspectiva de negativa para estável – o que indica que não devem ocorrer rebaixamentos em breve. Segundo a agência, esta nota representa um grau especulativo de crédito, sujeito a um alto risco.
“A estabilização das perspectivas de Coruripe reflete principalmente a conclusão de um acordo com credores, o que reduzirá o risco de refinanciamento ao estender uma dívida bancária de mais de R$ 1,7 bilhão – mais da metade da dívida total – de um cronograma de amortização de três anos para um de cinco anos”, justifica a Moody’s.
De acordo com o diretor financeiro da Coruripe, Thierry Soret, a avaliação reconhece a melhora do perfil financeiro da empresa. “A negociação também envolveu um bônus adimplência que implica em uma redução no custo dos empréstimos, tanto em dólar quanto em real”, explica Soret em nota enviada à imprensa.
Segundo a Moody’s, a perspectiva estável dos ratings incorpora a perspectiva de que a Coruripe apresentará um cronograma de amortização de dívida mais adequado nas próximas safras e que os resultados operacionais e a geração de fluxo de caixa permanecerão sólidos.
“Também esperamos que a Coruripe mantenha sua estratégia de gestão de passivos a fim de adequar o cronograma de amortização de dívidas às suas necessidades de investimento”, afirma.
Ainda assim, a Moody’s complementa que a nota Caa1 se deve a um perfil de liquidez fraco e ao alto risco de refinanciamento, mesmo com a extensão da dívida. Em relatório, a agência pondera que a classificação da Coruripe já leva em consideração que a companhia está entre os 10 maiores grupos sucroenergéticos do Brasil, com capacidade de moagem de 15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra e alta utilização da capacidade, com índice superior a 97%.
“As classificações também refletem sua organização em cluster com amplo acesso à cana-de-açúcar e infraestrutura logística e sua diversificação geográfica que oferece alguma proteção contra o clima e outros riscos de eventos localizados, ao mesmo tempo que permite uma produção mais estável ao longo do ano, devido aos diferentes períodos de colheita”, complementa.
Segundo a Moody’s, a Coruripe possui uma estrutura de custos flexível, que permite uma redução na volatilidade. A agência também classifica como positivo que o preço pago aos fornecedores de cana-de-açúcar esteja vinculado ao índice Consecana. Ela ainda cita que, em março de 2020, a Coruripe tinha um caixa de R$ 605 milhões, ante os R$ 316 milhões vistos no final da safra anterior.
Por fim, a agência relata que o desempenho operacional do Coruripe melhorou em 2019/20. “Estimamos que os resultados permanecerão nos trilhos durante 2020, apesar da volatilidade causada pela pandemia de coronavírus”, completa.
Na safra 2019/20, a receita da Coruripe foi de R$ 2,3 bilhões, 16,1% acima do resultado visto na safra anterior. Já o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 33%, chegando a R$ 1,02 bilhão. Com uma moagem recorde de 14,63 milhões de toneladas, a Coruripe também pôde aproveitar os melhores preços de açúcar e etanol.
“Desde 2018, a empresa aumentou os investimentos para melhorar a qualidade da cana-de-açúcar e a eficiência industrial, ações que ajudaram a sustentar os resultados operacionais observados”, assegura a Moody’s.
Para 2020/21, a expectativa é de uma moagem de 14,76 milhões de toneladas, chegando a um Ebitda de R$ 1,2 bilhão. “Apesar do surto de covid-19 e dos preços mais baixos do etanol, os resultados de Coruripe serão sustentados por maiores volumes de moagem, maiores preços do açúcar em reais e hedges já existentes para o açúcar a um preço médio de R$ 1.453/t”, completa.
O mix de produção previsto para a temporada envolve o direcionamento de 59% da cana para a produção de açúcar. Em 2019/20, este índice foi de 54%.
Alongamento da dívida
Com os alongamentos da dívida, a Moody’s afirma que a Coruripe terá cerca de R$ 843 milhões em vencimentos para a safra 2020/21. Dentro deste montante, R$ 455 milhões são referentes a capital de giro e linhas de financiamento à exportação. Antes, o cronograma de amortização previa R$ 1,3 bilhão para a safra 2020/21.
“Os credores que fazem parte do contrato de extensão já possuíam como garantia a usina Iturama e outros ativos, e receberão uma garantia adicional de um terreno com valor estimado em R$ 400 milhões e o segundo precatório do Instituto de Açúcar e Etanol (IAA), contabilizado a um valor de mais de R$ 3 bilhões”, detalha o relatório da avaliação.
Agora, em vez de três amortizações de R$ 571 milhões em 2021, 2022 e 2023, a Coruripe deve amortizar R$ 171 milhões na safra atual e fazer pagamentos anuais de R$ 256 milhões anuais, além de uma parcela de R$ 513 milhões em 2025.
Os novos termos também preveem uma redução na alavancagem da companhia, que deve ser igual ou inferior a 3 vezes, com o compromisso de redução em 0,2 pontos por safra. “O acordo anterior tinha um covenant que se mostrou incompatível com os altos gastos de capex da empresa, o crescente endividamento em dólar, os menores níveis de moagem e o Ebitda”, afirma a Moody’s, que completa: “A Coruripe havia violado tal acordo em março de 2019 e março de 2020”.
Renata Bossle – NovaCana