Financeiro

Bancos formalizam acordo com Coruripe para ampliar prazo de pagamento de dívida

Negociação firmada com as instituições financeiras estabeleceu alongamento do fluxo de pagamento de três para cinco anos


Usina Coruripe - 12 ago 2020 - 14:19

As instituições financeiras Itaú e Rabobank anunciaram, neste mês, a conclusão do acordo firmado com a Usina Coruripe para ampliação do prazo de pagamento de uma dívida de R$ 1,7 bilhão da empresa.

Os dois bancos foram os coordenadores do reperfilamento das dívidas da Coruripe e ficaram responsáveis, junto a um sindicato composto por outras seis instituições financeiras, pela aprovação do alongamento do fluxo de pagamento de três para cinco anos. A negociação também envolveu um bônus adimplência que implica em uma redução no custo dos empréstimos, tanto em dólar quanto em real.

Segundo comunicado enviado pela Coruripe, as tratativas comerciais foram bem sucedidas e o acordo garante a alteração do cronograma de pagamento, sendo 10% da dívida na safra vigente e de 15% em cada uma das próximas quatro safras, com liquidação dos 30% finais em 2025.

De acordo com o presidente da Coruripe, Mario Lorencatto, a formalização da negociação com os credores marca um novo ciclo na empresa, permitindo a readequação dos prazos de vencimentos da dívida em relação à projeção da geração de caixa das atividades operacionais. “Teremos um fluxo de caixa mais adequado, com redução de R$ 400 milhões na necessidade de captação na safra atual, como contrapartida a uma estrutura de garantias mais robusta”, afirma.

Ele explica que houve adoção de novo covenant, com a previsão de melhoria da relação dívida líquida/Ebitda de 3 vezes (em março de 2020) para 2 vezes (em março de 2025). Também foram reestruturadas as garantias, com adição de parte das terras em alienação e ações do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em segundo grau. O fluxo de desembolso das parcelas de principais e juros será em setembro, dezembro e março.

Além dessas iniciativas, a companhia trabalha em um programa de eficiência, que deve garantir aproximadamente R$ 90 milhões adicionais em economia, bem como em frentes inovadoras na gestão de fornecedores de cana e automação de processos corporativos. “Nossa empresa se reposicionou em todos os fundamentos nos últimos dois anos e temos recebido o reconhecimento de nossos parceiros de mercado”, afirma Lorencatto.

Resultados trimestrais

As quatro unidades da Usina Coruripe em Minas Gerais registraram forte ritmo de produção de açúcar entre abril e junho deste ano (primeiro trimestre da safra 2020/21). No período, a moagem acumulada de cana-de-açúcar foi 4,6% superior ao que havia sido planejado: foram processadas cerca de 4,64 milhões de toneladas enquanto o volume previsto era de 4,43 milhões de toneladas.

Com eficiência industrial de 88,44% na safra atual, a empresa teve uma produção de açúcar equivalente 9,6% maior que o resultado no mesmo período da safra 2019/2020.

A receita líquida consolidada, de abril a junho de 2020, foi de R$ 486,4 milhões – 39,6% maior que o previsto. Em relação ao mesmo período da safra passada, houve um crescimento de 26%.

Segundo a companhia, o resultado foi motivado principalmente pelo aumento significativo do volume de vendas de açúcar VHP e leve aumento do tipo cristal. “A melhora na qualidade da matéria-prima e na eficiência industrial impactou positivamente nossa produção”, afirma Lorencatto.

Nos três primeiros meses da safra 2020/21, o lucro operacional da empresa foi de R$ 91,2 milhões com margem de 18,8%, enquanto a perspectiva inicial era de R$ 15,7 milhões com margem de 4,5% (no mesmo período da safra anterior, o resultado foi de R$ 17 milhões, com margem de 4,4%).

Ainda conforme a companhia, o resultado de lucro operacional foi impulsionado pelo aumento das vendas e, principalmente, pelos preços líquidos realizados bem superiores ao previsto e aos valores obtidos na safra anterior.

Já o Ebitda ajustado acumulado no primeiro trimestre da safra atual foi de R$ 161,4 milhões, com margem de 33,2% sobre a receita líquida. Em relação ao projetado para o mesmo período, o desempenho e a margem foram superiores: a companhia previa R$ 104,5 milhões, com margem de 30%. No mesmo período da safra 2019/20, o Ebitda ajustado foi de R$ 128,5 milhões, com margem de 33,3% sobre a receita líquida.

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