Companhia, localizada em Cosmópolis (SP), ampliou perdas em 164,6% e teve prejuízo de R$ 56,1 milhões em 2019/20
Um prejuízo de R$ 247,16 milhões acumulado ao longo de nove anos. Esta é a soma dos resultados líquidos da usina Ester, localizada em Cosmópolis (SP), que não registra lucro desde 2010.
Na safra 2019/20, a companhia teve uma perda de R$ 56,08 milhões. O valor é 164,6% maior que o registrado na temporada anterior, quando o resultado líquido foi negativo em R$ 21,2 milhões. Também se trata do maior valor registrado na década, ultrapassando o prejuízo de R$ 50,12 milhões registrado em 2013/14 (período de 15 meses).
Entre os fatores que levaram a este resultado estão os aumentos nos custos com vendas e administrativos, que, no total, foram de R$ 30,59 milhões e R$ 40,19 milhões, respectivamente. Em comparação com o somatório de R$ 40,98 milhões em 2018/19, os montantes representaram um crescimento de 72,7%.
Além disso, a Ester também sofreu um maior impacto da variação cambial durante a safra.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Histórico decenal de resultados
- Resultado financeiro da usina Ester: receitas, pagamento de juros e impacto cambial
- Lucro bruto da companhia
- Relação entre as receitas operacionais e os custos de produção
- Posição da dívida com empréstimos e financiamentos
Um prejuízo de R$ 247,16 milhões acumulado ao longo de nove anos. Esta é a soma dos resultados líquidos da usina Ester, localizada em Cosmópolis (SP), que não registra lucro desde 2010.
Na safra 2019/20, a companhia teve uma perda de R$ 56,08 milhões. O valor é 164,6% maior que o registrado na temporada anterior, quando o resultado líquido foi negativo em R$ 21,2 milhões. Também se trata do maior valor registrado na década, ultrapassando o prejuízo de R$ 50,12 milhões registrado em 2013/14 (período de 15 meses).

Entre os fatores que levaram a este resultado estão os aumentos nos custos com vendas e administrativos que, no total, foram de R$ 30,59 milhões e R$ 40,19 milhões, respectivamente. Em comparação com o somatório de R$ 40,98 milhões em 2018/19, os montantes representaram um crescimento de 72,7%.
Além disso, a Ester também sofreu um maior impacto da variação cambial durante a safra. Em 2019/20, as flutuações monetárias levaram a uma perda de R$ 30,39 milhões – um pouco além do dobro do valor perdido na safra anterior, R$ 14,90 milhões.
Na comparação entre as temporadas também houve um aumento de 2% nas despesas com juros, que passaram de R$ 54,05 milhões para R$ 55,15 milhões. Este valor, entretanto, foi totalmente compensado pelo aumento de 30,4% nas receitas financeiras, que subiram de R$ 7,41 milhões para R$ 9,67 milhões.

Com isso, o resultado financeiro da companhia – que considera o impacto cambial, as receitas e despesas financeiras – foi uma perda de R$ 75,87 milhões em 2019/20. Na safra anterior, a perda foi de R$ 61,54 milhões.
Desempenho operacional
Apesar do prejuízo líquido, a Ester registrou um aumento em seu lucro bruto. Conforme os números divulgados, o resultado foi positivo em R$ 66,23 milhões – um aumento de 20% ante os R$ 55,20 milhões vistos em 2018/19.

Isto foi possível principalmente devido à contabilização de uma valorização de R$ 30,66 milhões no ativo biológico da companhia (cana em pé). Sem ela, a diferença entre a receita operacional líquida e os custos de produção seria positiva em R$ 35,57 milhões, um valor abaixo do apresentado na temporada 2018/19.
Na safra mais recente, as receitas da Ester subiram 19,4%, chegando a R$ 352,77 milhões. Os custos, entretanto, tiveram uma elevação ainda maior: 31,5%. Com isso, as despesas chegaram a R$ 317,20 milhões, ante os R$ 241,14 milhões observados um ano antes.
A redução na margem também pode ser observada pelo indicador que relaciona diretamente os custos e a receita. Em 2018/19, os gastos foram equivalentes a 81,6% dos rendimentos; na safra mais recente, este valor subiu em mais de oito pontos percentuais, chegando a 89,9%.

Perfil da dívida
Em 31 de março de 2020, a Ester apresentava um endividamento de R$ 350,21 milhões com empréstimos e financiamentos – 10,9% a mais que a posição registrada um ano antes.
Conforme os números divulgados pela companhia, mais de 40% deste valor (R$ 143,51 milhões) tem vencimento previsto para esta safra. Para efeitos de comparação, os débitos de curto prazo em 31 de março de 2019 somavam R$ 91,08 milhões, um montante 36,5% menor.

Desta forma, o endividamento de médio e longo prazos visto ao final da safra 2019/20 era de R$ 206,70 milhões. Neste caso, a quantia mais recente é 8% menor que a posição de R$ 224,64 milhões apresentada pela Ester um ano antes.
Renata Bossle – NovaCana