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Mercado está mais otimista que usinas para a safra de cana 2023/24

Levantamento da Conab e o de consultorias especializadas diferem em 14,68 milhões de toneladas na moagem para o Centro-Sul

NovaCana 9 min de leitura

Todos os anos, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) faz quatro sondagens com usinas sobre a safra de cana-de-açúcar no Brasil. A entidade, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresenta estimativas a respeito de moagem, área plantada, produtividade e fabricação de açúcar e de etanol.

Os levantamentos são produzidos a partir de consultas às usinas em operação no país – segundo o Mapa, atualmente são 350 unidades. Assim, é possível ter um panorama das perspectivas do próprio setor em relação à temporada em andamento.

Na primeira pesquisa para 2023/24, divulgada no final de abril, a companhia aponta que a moagem de cana-de-açúcar poderá crescer 4,4%, alcançando as 637,1 milhões de toneladas. Dentro deste total, a região Centro-Sul seria responsável por 577,33 milhões de toneladas.

A estimativa da Conab está 2,5%, ou 14,38 milhões de toneladas, abaixo do previsto por 18 empresas especializadas consultadas pelo NovaCana no começo do mês. Na média, as consultorias esperam o processamento de 592,01 milhões de toneladas até o encerramento do ciclo.

Assim, apesar de ambos os levantamentos esperarem uma melhora ante 2022/23, os números da Conab demonstram um leve pessimismo por parte das usinas. Ambas as pesquisas foram realizadas em abril deste ano.

Este é o segundo ano consecutivo em que o levantamento da Conab e a consulta do NovaCana com empresas especializadas destoam entre si. Na temporada 2022/23, a diferença foi similar, com 15,05 milhões de toneladas.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere mais detalhes a respeito das expectativas de moagem e fabricação de açúcar e de etanol, além de um comparativo dos levantamentos realizados pela Conab nos dez últimos anos.

Todos os anos, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) faz quatro sondagens com usinas sobre a safra de cana-de-açúcar no Brasil. A entidade, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresenta estimativas a respeito de moagem, área plantada, produtividade e fabricação de açúcar e de etanol.

Os levantamentos são produzidos a partir de consultas às usinas em operação no país – segundo o Mapa, atualmente são 350 unidades. Assim, é possível ter um panorama das perspectivas do próprio setor em relação à temporada em andamento.

Na primeira pesquisa para 2023/24, divulgada no final de abril, a companhia aponta que a moagem de cana-de-açúcar poderá crescer 4,4%, alcançando as 637,1 milhões de toneladas. Dentro deste total, a região Centro-Sul seria responsável por 577,33 milhões de toneladas.

A estimativa da Conab está 2,5%, ou 14,38 milhões de toneladas, abaixo do previsto por 18 empresas especializadas consultadas pelo NovaCana no começo do mês. Na média, as consultorias esperam o processamento de 592,01 milhões de toneladas até o encerramento do ciclo.

Assim, apesar de ambos os levantamentos esperarem uma melhora ante 2022/23, os números da Conab demonstram um leve pessimismo por parte das usinas. Ambas as pesquisas foram realizadas em abril deste ano.

Este é o segundo ano consecutivo em que o levantamento da Conab e a consulta do NovaCana com empresas especializadas destoam entre si. Na temporada 2022/23, a diferença foi similar, com 15,05 milhões de toneladas.

Uma safra de volta à normalidade

Depois de um período para recuperação, a expectativa é que os canaviais voltem a produzir em patamares já conhecidos pelas usinas na safra 2022/23. A Conab acredita que, além do aumento no rendimento, haverá uma expansão de 1,5% na área cultivada, que pode chegar a 8,41 milhões de hectares.

“O maior crescimento de área [de cultivo] é justificado pelo aumento das áreas de expansão e renovação”, explica a entidade. Isso, de acordo com a Conab, tende a impactar diretamente a produtividade, já que os primeiros cortes da cana-de-açúcar apresentam maior rendimento.

Assim, a companhia aponta que o rendimento no Brasil poderá alcançar 75,75 toneladas por hectare, o que representaria um aumento de 2,9% ante as 73,61 t/ha da safra passada. O Centro-Sul, por sua vez, pode ter um acréscimo anual de 3,5%, alcançando 77,3 t/ha.

Por sua vez, os especialistas consultados pelo NovaCana esperam mais chuvas para esta temporada, o que pode ser benéfico para este índice. Apesar disso, a StoneX explica em seu relatório que o cenário também pode resultar em atrasos na colheita.

O maior nível de precipitações, inclusive, deu um ritmo mais lento à primeira quinzena da atual temporada, segundo a União da Indústria da Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica). A entidade ressalta que as chuvas foram tão intensas que inviabilizaram a colheita.

A Conab, neste primeiro levantamento, acredita que as usinas do Centro-Sul poderão moer 577,33 milhões de toneladas na safra 2023/24. A estimativa está 14,68 milhões de toneladas abaixo da previsão média do mercado, de 592,01 milhões de toneladas.

Apesar da discrepância entre os números, o resultado previsto pela companhia representa um aumento anual de 5,3%. Isso demonstra que tanto o mercado quanto as próprias usinas estão mais otimistas com a produção deste ciclo.

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Em 2022/23, a primeira perspectiva da Conab era de uma moagem de 539,05 milhões de toneladas no Centro-Sul; também levemente abaixo das expectativas do mercado, que apontava para 554,1 milhões de toneladas. Ao final da temporada, o resultado ficou entre os dois valores, com 548,28 milhões de toneladas.

Na temporada 2021/22, por outro lado, tanto o mercado quanto as usinas acreditavam que a safra poderia alcançar mais de 570 milhões de toneladas. As expectativas, entretanto, foram abaladas pela quebra da safra, que fechou em 523,11 milhões de toneladas.

Uma safra doce

As empresas especializadas apontam que o ciclo 2023/24 será, assim como o último, mais doce – afinal, o mercado de açúcar ainda está em alta e deve ser mais lucrativo aos produtores. Além disso, grandes países produtores, como Índia, Tailândia e Austrália, devem apresentar safras menores, trazendo mais um fator altista para os preços da commodity.

Por esta razão, a média das consultorias aponta que 47,4% da matéria-prima deverá ser voltada para a fabricação de açúcar. O valor representa um crescimento de 1,6 ponto percentual ante o índice de 2022/23, de 45,9%.

Neste ano, a Conab não divulgou as expectativas das usinas em relação ao mix. Em seu relatório, o órgão governamental afirma que esta definição ainda seria preliminar, pois “o comportamento do mercado, entre outras variáveis no decorrer do ciclo, é passível de mudanças”.

Além disso, a companhia também considera que, neste momento, a maior produção atual de açúcar se deve aos contratos já firmados anteriormente. Ela também aponta a baixa competitividade do etanol ante a gasolina.

No ano passado, por outro lado, houve uma dissonância de 3,7 pontos percentuais. A Conab apontou para um mix 49,2% açucareiro, em relação aos 45,5% do mercado.

Ao fim da safra, a Unica registrou um mix de produção 45,9% voltado ao adoçante.

Já em relação ao volume de açúcar a ser produzido, os números da Conab voltam a destoar das estimativas feitas pelas empresas especializadas. As usinas esperam fabricar 35,15 milhões de toneladas do adoçante no Centro-Sul, o que representaria um acréscimo anual de 4,2%.

Com 37,16 milhões de toneladas, a média das projeções do mercado aponta para uma alta de 10,2% na produção da commodity.

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De acordo com os números da Unica, por sua vez, a produção do ano-safra passado foi de 33,73 milhões de toneladas no Centro-Sul.

Um pouco menos de etanol

Apesar do mercado de açúcar seguir em alta, a Conab estima que a fabricação de etanol a partir da cana deverá apresentar um crescimento de 0,6% no Brasil, somando 27,53 bilhões de litros.

A companhia destaca que o anidro, a ser misturado à gasolina, deverá ter um acréscimo anual de 5,6%. Já o hidratado, utilizado para abastecer diretamente os veículos, deverá passar por uma redução de 0,1%.

Por sua vez, a perspectiva para o biocombustível fabricado a partir do milho é de um crescimento de 42%, totalizando 5,64 bilhões de litros. A Conab espera que o etanol do grão alcance um novo recorde, sendo responsável pelo aumento do volume produzido no país.

O órgão governamental ainda relata que a região Centro-Sul, responsável por 91,4% da produção de etanol nacional, deverá produzir 25,16 bilhões de litros de etanol de cana, em uma alta anual de 2,8%, ante os 24,48 bilhões de litros vistos na safra 2022/23.

Considerando os biocombustíveis fabricados a partir das duas matérias-primas, o volume total deverá alcançar os 30,8 bilhões de litros, de acordo com a Conab.

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O número está levemente abaixo da média entre as consultorias especializadas. Elas consideram que o etanol deverá alcançar uma produção de 31,2 bilhões de litros em 2023/24, em um aumento anual de 7,9%.

Do montante, 25,6 bilhões de litros viriam da cana, enquanto os 5,6 bilhões restantes seriam de etanol de milho.

Diferentes perspectivas

O NovaCana também compilou os dados divulgados pela Conab no começo das últimas dez safras, assim como o último levantamento feito a cada ano pela instituição. Desta forma, é possível visualizar as mudanças entre as expectativas do próprio setor no decorrer de cada temporada.

Entre as 539,05 milhões de toneladas previstas na primeira estimativa para a safra 2022/23, e a última, que contemplou 555,02 milhões de toneladas, houve um acréscimo de 3% – ou 15,97 milhões de toneladas.

Neste caso, o otimismo em relação à recuperação dos canaviais foi se fortalecendo.

conab mercado levantamentos 160523

Em 2021/22, ocorreu o inverso. A Conab iniciou os levantamentos com uma expectativa de 574,8 milhões de toneladas. Ao passar dos meses, entretanto, com os problemas climáticos enfrentados, a companhia retraiu sua estimativa para 530,3 milhões de toneladas – uma variação negativa de 7,7%, ou 44,5 milhões de toneladas.

Esta foi a maior retração vista nas perspectivas da Conab desde o início da série histórica, em 2010/11.

Contando as dez últimas temporadas, metade delas viu as estimativas subirem. De maneira geral, estes movimentos aconteceram em ciclos alternados; as únicas quedas seguidas foram registradas entre 2016/17 e 2018/19.

Giully Regina – NovaCana

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