Na primeira quinzena do ano, as emissões de créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, desaceleraram. No período, as usinas certificadas escrituraram 1,01 milhão de títulos, queda de 11,5% em comparação com os 1,15 milhão vistos no começo de 2023.
Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de créditos realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.

No acumulado do ano passado, 35,62 milhões de CBios foram emitidos.
Considerando desde o encerramento do prazo para a entrega da meta referente à 2022, em outubro do ano passado, o mercado recebeu 11,7 milhões de CBios.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 5,5 milhões de créditos relacionados à meta de 2023 foram aposentados até o final de setembro.
Este volume, somado aos CBios em circulação e aos aposentados desde então, chega a 44,17 milhões de títulos, o suficiente para atender a meta atualizada para 2023, com excedente de 3,22 milhões de créditos.
Ainda de acordo com a ANP, 325 unidades participam do RenovaBio atualmente, sendo que quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Desde o início do programa, em 2020, até agora, 117,24 milhões de créditos já foram emitidos.

Com menos CBios sendo disponibilizados, os preços apresentaram uma leve oscilação positiva na primeira quinzena de janeiro, depois de duas quedas seguidas. No período, o valor médio dos papéis ficou em R$ 108,62, alta de 2,6% ante a segunda metade de dezembro.
O preço médio de 2024 também está 24,2% acima da média histórica do RenovaBio, de R$ 87,43.

Nas primeiras semanas do ano, os CBios foram comercializados entre R$ 100 e R$ 113,50. O valor mais baixo foi registrado no dia 12, enquanto o mais alto foi visto no dia 15.
Desde o início do RenovaBio, os preços dos créditos variaram entre R$ 15 e R$ 209,05.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
No final de novembro, a ANP disponibilizou o módulo para contratos de longo prazo na Plataforma CBio.
Anteriormente, a B3 afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estavam disponíveis em seu sistema. De acordo com a registradora, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
No dia 16 de janeiro, a B3 iniciou sessão com 28,96 milhões de CBios em circulação. Do total, 19,03 milhões, ou 65,7%, estavam em posse das distribuidoras, que possuem metas individuais no programa.
As usinas certificadas, por sua vez, detinham 29,3%, totalizando 8,49 milhões de CBios. Já os 1,43 milhão restantes (4,9%), estavam com investidores sem metas.

Segundo os objetivos individuais publicados pela ANP, que considera o volume de créditos não aposentados em 2022, as distribuidoras precisarão retirar de circulação 40,95 milhões de CBios até março deste ano. Os créditos atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 70,7% desta quantia.
Além disso, entre outubro de 2023 e o começo de janeiro, 9,71 milhões de créditos foram aposentados, com 318,06 mil saindo de circulação na última quinzena. Em comparação com os 3,7 milhões de créditos aposentados na primeira metade de janeiro de 2023, houve uma queda de 91,4%.
No total, o volume aposentado desde 1º de outubro corresponde a 23,7% do objetivo das distribuidoras para este ano.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feita pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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