Mesmo estando oficialmente em período de entressafra, o mercado de etanol segue aquecido e as usinas certificadas no programa RenovaBio aceleraram as emissões de créditos de descarbonização (CBios).
Na segunda quinzena de dezembro foram escriturados 2,14 milhões de títulos, alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de créditos realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.

Considerando todo o ano de 2023, 35,62 milhões de créditos foram emitidos. O montante representa uma alta de 14,1% em relação à 2022.
Desde o encerramento do prazo para a entrega da meta referente à 2022, em outubro do ano passado, o mercado recebeu 10,68 milhões de CBios.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 5,5 milhões de créditos referentes à meta de 2023 foram aposentados até o final de setembro. Este volume, somado aos CBios em circulação e aos aposentados desde então, chega a 43,02 milhões de títulos, o suficiente para atender a meta atualizada para 2023, com excedente de 2,25 milhões de créditos.
Ainda de acordo com a ANP, 325 unidades participam do RenovaBio atualmente, sendo que quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Desde o início do programa até o momento, 116,23 milhões de CBios foram emitidos.
Com mais CBios no mercado, os preços apresentaram sua segunda queda quinzenal seguida, depois de três períodos consecutivos de aumento. Na segunda metade de dezembro, o valor médio dos créditos ficou em R$ 105,91, queda de 6,9% em relação ao começo do mês.

O preço ainda ficou 6,7% abaixo da média de 2023, de R$ 113,57. O valor, entretanto, está 21,5% acima da média histórica do programa, de R$ 87,14.
Na última quinzena do ano, os CBios foram comercializados entre R$ 100 e R$ 121,25 – ambos os valores foram registrados no dia 21. Desde o início do RenovaBio, os preços dos créditos variaram entre R$ 15 e R$ 209,05.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
No final de novembro, a ANP disponibilizou o módulo para contratos de longo prazo na Plataforma CBio. Anteriormente, a B3 afirmou ao NovaCana que as negociações a termo já estavam disponíveis em seu sistema. De acordo com a registradora, as operações serão divulgadas na data de registro e, caso não sejam liquidadas, serão retiradas do histórico.
No dia 2 de janeiro de 2024, a B3 iniciou a sessão com 28,28 milhões de créditos em circulação. Do total, 63,4%, ou 17,94 milhões de créditos, estavam em posse das distribuidoras que têm metas a cumprir no programa.
Já as usinas certificadas detinham 8,95 milhões de CBios, o equivalente a 31,6% do montante. Por fim, os 1,4 milhão de títulos restantes (4,9%) estavam com investidores sem metas.

Segundo os objetivos individuais publicados pela ANP, que considera o volume de créditos não aposentados em 2022, as distribuidoras precisarão retirar de circulação 40,95 milhões de CBios até março deste ano. Os créditos atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 69,1% desta quantia.
Além disso, entre outubro e dezembro de 2023, 9,4 milhões de créditos foram aposentados, com 4,29 milhões saindo de circulação na última quinzena. Em comparação com os 7,72 milhões de créditos aposentados na segunda metade de dezembro de 2022, houve uma queda de 44,4%.
No total, o volume aposentado desde 1º de outubro corresponde a 22,9% do objetivo das distribuidoras para este ano.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feita pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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