Resultado líquido da companhia também foi impactado por aumentos nos custos de produção; coprodutos do milho minimizaram perdas
Assim como as companhias que processam cana-de-açúcar, a FS – uma das principais produtoras de etanol de milho do Brasil – também sofreu uma retração em seus resultados no terceiro trimestre da safra 2022/23. O período foi marcado pela desoneração dos impostos federais sobre os combustíveis, o que reduziu a competitividade do renovável.
Entre outubro e dezembro de 2022, a FS contabilizou um lucro líquido de R$ 168,32 milhões, queda de 64,2% em relação aos R$ 469,78 milhões vistos no mesmo período do ano anterior. Com isso, no acumulado da temporada, o resultado chega a R$ 709,88 milhões, retração de 35,5% na comparação anual.
O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) trimestral da companhia, por sua vez, caiu 39,1%, para R$ 519,5 milhões. No ano, o acumulado é de R$ 1,9 milhão, diminuição de 4,7%.
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- Resultados trimestrais e acumulados
- Receitas por segmento
- Processamento de milho e produção
- Volumes vendidos
- Investimentos realizados
- Posição das dívidas
Assim como as companhias que processam cana-de-açúcar, a FS – uma das principais produtoras de etanol de milho do Brasil – também sofreu uma retração em seus resultados no terceiro trimestre da safra 2022/23. O período foi marcado pela desoneração dos impostos federais sobre os combustíveis, o que reduziu a competitividade do renovável.
Entre outubro e dezembro de 2022, a FS contabilizou um lucro líquido de R$ 168,32 milhões, queda de 64,2% em relação aos R$ 469,78 milhões vistos no mesmo período do ano anterior. Com isso, no acumulado da temporada, o resultado chega a R$ 709,88 milhões, retração de 35,5% na comparação anual.
O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) trimestral da companhia, por sua vez, caiu 39,1%, para R$ 519,5 milhões. No ano, o acumulado é de R$ 1,9 milhão, diminuição de 4,7%.

Receitas e custos
Ao longo da temporada, a FS contabilizou um aumento de 17,7% na receita líquida, que chegou a R$ 5,68 bilhões. Entretanto, os gastos subiram 42,7%, indo a R$ 3,64 bilhões.
No trimestre, por sua vez, a FS obteve ganhos líquidos de R$ 1,89 bilhão, queda anual de 6,2%. Os custos dos produtos vendidos, por sua vez, subiram 24,7% na mesma comparação, para R$ 1,32 bilhão.
Em relação aos gastos registrados de outubro a dezembro, a FS destaca o maior preço médio do milho (+18,6%) e da biomassa utilizada para geração de energia (+32,3%). Além disso, os custos totais com químicos e enzimas subiram 35,3%, para R$ 31,1 milhões, enquanto despesas salariais subiram 30,1%, para R$ 23 milhões.
Ainda segundo a companhia, no trimestre, houve reduções de 10,6% no volume vendido de etanol e de 26,8% no preço líquido do biocombustível. Ainda assim, o quadro foi minimizado pela comercialização de produtos de nutrição animal e pelas operações de comercialização de milho.
“O preço líquido de venda de etanol no trimestre foi R$ 2,731 por litro, [a queda ocorreu] principalmente devido às reduções na tributação dos combustíveis promovidas pelo governo brasileiro”, justifica e completa: “A participação de etanol anidro vendido aumentou 2,4 pontos percentuais no trimestre, atingindo 51,8% do total de etanol vendido, resultado de iniciativas comerciais para aproveitar a dinâmica de oferta e demanda do mercado, capturando melhores preços líquidos”.

Por sua vez, a receita líquida do segmento de nutrição animal subiu 22,4%, para R$ 362,02 milhões. “A valorização dos preços dos produtos substitutos (derivados de soja e milho), combinado às iniciativas comerciais e melhor posicionamento de preços, foram peças-chave para o aumento”, coloca a FS.
Além disso, a revenda de milho gerou ganhos trimestrais de R$ 326,86 milhões, alta anual de 314,5%. “O volume faturado aumentou para 275,9 mil toneladas, 4,4 vezes superior ao terceiro trimestre de 2021/22, impulsionado pela estratégia de aumentar nossa presença na originação e comercialização de milho”, afirma a companhia, que ressalva: “É importante ressaltar que atuamos apenas em operações back-to-back, sem assumir posições direcionais na comercialização de milho, ou trazer riscos de crédito adicionais ao nosso balanço”.
Produção e vendas
No trimestre, a FS processou 868,23 mil toneladas de milho, alta de 2,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a empresa, o movimento foi motivado pela maior capacidade instalada após melhorias implementadas no primeiro trimestre da temporada. Outro fator foi a melhora no consumo da planta de Sorriso (MT). No acumulado da temporada, entretanto, o montante foi estável, com 2,46 milhões de toneladas.
Com isso, as usinas produziram um total de 381,09 milhões de litros de etanol no trimestre (+4,1%) e 1,08 bilhão de litros no acumulado de nove meses (+1,3%). Ao mesmo tempo, as vendas somaram 362,71 milhões de litros (-10,6%) e 1,02 bilhão de litros (-2,5%), respectivamente.

A fabricação de grãos secos de destilaria (DDG), por sua vez, totalizou 310,89 mil toneladas (+0,8%) no trimestre e 930,9 mil toneladas (+1,1%) no acumulado. Neste caso, a comercialização foi de 301,22 mil toneladas (+5,3%) de outubro a dezembro e de 934,65 mil toneladas (+2,8%) de abril a dezembro.
Investimentos e dívidas
Ainda conforme os resultados da FS, os investimentos no trimestre totalizaram R$ 547,82 milhões, alta anual de 178,7%. A elevação é justificada pelos aportes realizados para a construção da terceira unidade da companhia, em Primavera do Leste (MT).
Considerando o acumulado da temporada, o valor chega a R$ 3,33 bilhões, aumento de 15,6% na comparação com o mesmo período de 2021/22.
Em 31 de dezembro de 2022, segundo a FS, a dívida líquida da companhia totalizava R$ 5,07 bilhões, uma posição 34,4% superior à registrada um ano antes. Com isso, a alavancagem da empresa – calculada pela relação entre a dívida e o Ebitda – passou a ser de 2 vezes, ante o resultado de 1,56 vez no final de 2021.
Por sua vez, a dívida bruta declarada pela empresa é de R$ 6,51 bilhões, alta anual de 32,5%. Entretanto, a soma dos passivos referentes a empréstimos era de R$ 11,2 bilhões (+35,7%) em 31 de dezembro, com R$ 3,91 bilhões comprometidos com vencimento em curto prazo (+301%).
Renata Bossle – NovaCana