Os analistas são cautelosos em anunciar uma virada do mercado, mesmo após a queda acumulada de quase 20% no ano – e de quase 70% em relação às altas de 2011
Para apostar na alta dos futuros de açúcar, é preciso ser um investidor valente.
Após despencaram 3% para 11,61 centavos de dólar por libra-peso, menor cotação em seis anos, os contratos futuros da commodity esboçaram uma reação nesta sexta-feira, sendo negociados a 11,72 centavos antes do fechamento – alta de 0,7%.
Apesar disso, os analistas são cautelosos em anunciar uma virada do mercado, mesmo após a queda acumulada de quase 20% no ano – e de quase 70% em relação às altas de 2011.
Para apostar na alta dos futuros de açúcar, é preciso ser um investidor valente.
Após despencaram 3% para 11,61 centavos de dólar por libra-peso, menor cotação em seis anos, os contratos futuros da commodity esboçaram uma reação nesta sexta-feira, sendo negociados a 11,72 centavos antes do fechamento – alta de 0,7%.
Apesar disso, os analistas são cautelosos em anunciar uma virada do mercado, mesmo após a queda acumulada de quase 20% no ano – e de quase 70% em relação às altas de 2011.
Fator real
Embora a baixa esteja ligada a um acúmulo de contratos após vários anos de produção excedente, o desequilíbrio na oferta não é a única ameaça para o preço do produto.
O real fraco também teve seu impacto, reduzindo o valor em dólar de ativos em que o Brasil – líder mundial na produção de açúcar – é um grande player.
Tracey Allen, analista-sênior de commodities do banco holandês Rabobank, especializado em financiamento agrícola, notou uma “pronunciada influência do fator câmbio” na mínima da última sessão, citando o real em queda.
Em dado momento o real chegou a estar em baixa de 1,6%, mas recuperou-se após o Banco Central brasileiro reafirmar o seu compromisso no combate à inflação, levando o mercado a reagir.
“Estamos vendo uma forte relação entre a cotação das moedas e o preço do açúcar”, observa Allen. “Estamos acompanhando bem de perto os mercados de câmbio.”
Com o real desvalorizado, os produtores brasileiros acabam fechando contratos com valores mais baixos em dólar.
El Niño
Perguntada se há algo que possa resgatar a commodity dessa estagnação em que se encontra, a analista menciona o clima: “Ainda está todo mundo de olho no El Niño”.
O El Niño tem um efeito ambivalente sobre a produção de açúcar nas Américas: tende a aumentar a incidência de chuvas, o que é bom para a lavoura da cana, mas pode reduzir o teor de açúcar nas plantas, predispondo-as a usar suas reservas para o crescimento.
Já na Índia, segundo maior produtor mundial, o fenômeno climático tem uma marcada tendência a causar seca.
A previsão do Sistema Meteorológico Indiano é que a monção deste ano, que ainda está começando, fique em 88% do normal, abaixo do ponto em que provoca estiagem.
Essa tendência do El Niño no Sudeste Asiático também pode prejudicar a produção de açúcar na Tailândia – segundo maior exportador do produto – e na Indonésia.
“Último sinal de desespero”
Contudo, com uma monção fraca, Allen acredita que o efeito sobre a produção deve ser limitado este ano, quando o Rabobank prevê uma “safra recorde na Índia”.
Robin Shaw, analista de açúcar da corretora Marex Spectron, de Londres, também não hesita em minimizar os possíveis efeitos negativos de uma monção indiana: “Para mim, é sempre o último sinal de desespero quando você começa a se interessar pelo clima.”
Shaw ressaltou os bons níveis de água na Índia, onde metade da safra está irrigada, o que significa quaisquer efeitos negativos da monção provavelmente só seriam sentidos com mais força em 2016, caso o nível dos reservatórios baixe.
“Barca sem leme”
No centro-sul do Brasil, onde se concentra o plantio de cana, por enquanto a produção de açúcar é menor do que no ano passado, em função de mais cana estar sendo destinada à fabricação de etanol.
Porém, os dados mais recentes sobre a colheita, que começou em abril, confirmam que não haverá queda significativa na produção brasileira ou nos estoques de açúcar, ainda que o mercado mundial venha a produzir abaixo da demanda na temporada 2015-2016.
O fato de os produtores estarem mantendo os níveis de produção, insensíveis às baixas cotações da commodity, está transformando o mercado de açúcar numa “barca sem leme”, lento na correção do excesso de oferta global.
“Ponto de menor resistência”
Se é que o mercado tem alguma direção, parece que é para baixo.
Segundo Shaw, a forte queda dos contratos futuros, na quinta, alcançando a menor cotação em seis anos, “só aconteceu porque o mercado segurou até não poder mais”.
“O caminho para cima está bloqueado, o caminho para baixo está livre”, diz o analista, observando que uma alta prolongada pode dar início a um movimento de venda das amplas reservas globais. “O ponto de menor resistência é para baixo.”
Para os que esperam uma alta do açúcar, há uma esperança: as cotações dessa commodity costumam recuperar-se justo quando há um grande consenso de que vão continuar em declínio. Será que os futuros de açúcar finalmente encontraram um piso?
William Clarke
Fonte: Agrimoney, tradução e adpatação NovaCana