Companhia, que recentemente adquiriu sua primeira unidade em São Paulo, obteve uma receita líquida de R$ 1,09 bilhão na safra encerrada em março deste ano
Com duas usinas em seu estado de origem, a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) começou a safra 2022/23 com o anúncio da aquisição da unidade Vale do Paraná, localizada em Suzanápolis (SP). A compra veio após uma temporada de resultados recordes.
“A usina Vale do Paraná possui uma indústria muito moderna, está em região com período de chuvas mais regular e conta com irrigação de 85% de seus canaviais. A aquisição significa aumento de produção de etanol, retorno à produção de açúcar e diversificação de risco climático”, comemora o diretor da Melhoramentos, Gastão Mesquita Filho.
Em 2021/22, a Melhoramentos registrou um lucro líquido de R$ 342,62 milhões, 74,4% acima dos R$ 196,41 milhões vistos no ciclo anterior. O resultado também marca o segundo aumento consecutivo: em 2020/21, o desempenho superou em 108,2% os R$ 94,33 milhões observados no período de janeiro de 2019 a março de 2020.
Além disso, trata-se do maior resultado da série histórica, iniciada em 2017.
Saiba mais no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Histórico de resultados da companhia
- Evolução dos custos de produção e da receita líquida
- Resultados financeiros da Melhoramentos
- Perfil do endividamento
Com duas usinas em seu estado de origem, a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) começou a safra 2022/23 com o anúncio da aquisição da unidade Vale do Paraná, localizada em Suzanápolis (SP). A compra veio após uma temporada de resultados recordes.
“A usina Vale do Paraná possui uma indústria muito moderna, está em região com período de chuvas mais regular e conta com irrigação de 85% de seus canaviais. A aquisição significa aumento de produção de etanol, retorno à produção de açúcar e diversificação de risco climático”, comemora o diretor da Melhoramentos, Gastão Mesquita Filho.
Em 2021/22, a Melhoramentos registrou um lucro líquido de R$ 342,62 milhões, 74,4% acima dos R$ 196,41 milhões vistos no ciclo anterior. O resultado também marca o segundo aumento consecutivo: em 2020/21, o desempenho superou em 108,2% os R$ 94,33 milhões observados no período de janeiro de 2019 a março de 2020.
Além disso, trata-se do maior resultado da série histórica, iniciada em 2017.

Os números da Melhoramentos foram divulgados pela própria companhia por meio de sua página de relacionamento com investidores.
Embora a empresa não apresente dados de moagem e produção, Mesquita Filho confirma que a sucroenergética enfrentou intempéries climáticas. “Nossa expectativa inicial era muito boa, mas os canaviais foram afetados por um período de estiagem seguido de três geadas muito severas nos meses de junho e julho. Dessa forma, deixamos de capturar os aumentos e observamos uma quebra de 10% a 15% em relação ao previsto”, afirma.
Apesar disso, as perspectivas são de recuperação. Na Vale do Paraná, a companhia pretende moer 1,3 milhões de toneladas em 2021/22, chegando a 2,5 milhões de toneladas em 2024/25 e a 3 milhões de toneladas em 2025/26.
“Trabalhamos nos últimos anos para obter um significativo aumento de produtividade em nossos canaviais. Nossa meta é atingir produtividades de três dígitos – acima de 100 t/ha”, relata. O objetivo, de acordo com o diretor, é ocupar toda a capacidade das plantas, que ultrapassou 8 milhões de toneladas com a aquisição da Vale do Paraná.
Receita recorde
Em 2021/22, a sucroenergética superou pela primeira vez, desde o início da série histórica, a marca de R$ 1 bilhão em receita líquida. O resultado representa um crescimento de 48,2% ante os R$ 736,74 milhões da safra anterior.
No período, os custos de produção também subiram, mas a uma taxa inferior, de 26,1% – eles passaram de R$ 408,69 milhões em 2020/21 para R$ 515,29 milhões na temporada mais recente. Com isso, estes gastos representaram o equivalente a 47,2% da receita líquida, uma queda de 8,3 pontos percentuais na comparação anual.
Ou seja, a cada R$ 100 de receita, a Melhoramento possuía um lucro bruto potencial de R$ 52,80. “Nossa cultura [empresarial] busca constantemente aliar simplicidade e baixos custos com alta produtividade”, garante Mesquita Filho.

Para a contabilização do lucro bruto da safra, entretanto, a companhia ainda considera a desvalorização de seu ativo biológico (cana em pé), o que representou uma perda de R$ 12,38 milhões em 2021/22.
Com isso, o resultado operacional da sucroenergética na temporada totalizou 564,1 milhões, avanço de 62,7% frente aos R$ 346,65 milhões da safra anterior. O valor é mais um dos recordes da empresa na série histórica.

Despesas financeiras em alta
Apesar deste desempenho operacional, a Melhoramentos viu seu resultado potencial diminuir por conta de um aumento nas despesas financeiras, que foram de R$ 134,85 milhões em 2021/22 – 67,9% maiores que na safra anterior.
Segundo o balanço da companhia, o valor se refere a gastos com empréstimos, variações no valor justo e reduções no valor de ativos financeiros. “Custos de empréstimo que não são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável são mensurados no resultado através do método de juros efetivos”, complementa.
Além disso, as receitas financeiras, referentes aos juros recebidos sobre aplicações, somaram R$ 41,14 milhões na safra, uma queda de 8,1% na comparação anual.

Considerando os dois valores, o resultado financeiro da sucroenergética foi uma perda de R$ 93,71 milhões em 2021/22, um crescimento de 163,9% ante o prejuízo de R$ 35,51 milhões da temporada que o antecedeu.
Perfil do endividamento
Em 31 de março de 2022, as dívidas brutas da Melhoramentos com empréstimos e financiamentos estavam em uma posição 35,6% superior que a vista um ano antes, tendo passado de R$ 711,01 milhões para R$ 964,43 milhões.
“Aumentamos nosso endividamento por força de ampliações das unidades e, mais recentemente, pela aquisição que realizamos esse ano. Temos duas metas paras as próximas safras: reduzir o endividamento e buscar atingir e manter as capacidades máximas de moagem de nossas plantas”, afirma Mesquita Filho.
Conforme as demonstrações financeiras da Melhoramentos, a maior parte da elevação se deve a captações para capital de giro. Ao final do exercício anterior, elas representavam um endividamento de R$ 362,77 milhões. Já na posição mais recente, o volume chega a R$ 577,28 milhões – sendo R$ 263,8 milhões com vencimento ao longo da safra 2022/23.
Além disso, a Melhoramentos também possui R$ 385,17 milhões comprometidos com debêntures e R$ 1,99 milhão referente a um empréstimo obtido junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio do Fundo de Financiamento para Aquisição de Máquinas e Equipamentos Industriais (Finame).

A companhia também contabilizou um crescimento anual de 98% no total de débitos que possuem vencimento em até 12 meses. Ao final da safra 2021/22, este número era de R$ 269,6 milhões, ante os R$ 136,16 milhões de um ano antes.
Com isso, uma dívida de R$ 694,83 milhões é referente a empréstimos e financiamentos com vencimento em médio e longo prazo – em 31 de março de 2021, este valor era de R$ 574,85 milhões.
Renata Bossle – NovaCana