As dez ações e as cinco expectativas envolvem três grandes áreas problemáticas para a Odebrecht Agroindustrial: agrícola, financeira e política
A fase conturbada pela qual passa o setor sucroalcooleiro nacional tem na Odebrecht Agroindustrial (ODB Agro) um de seus melhores exemplos. Após terminar com um prejuízo de quase R$ 1,2 bilhão no ciclo 2014/15, a empresa detalhou o conjunto de medidas que adotou para tentar sair da crise em que se encontra.
Com o intuito de reverter esse cenário e retomar “a geração de resultados positivos no futuro”, a ODB Agro apresentou o conjunto de ações estratégicas que conseguiu colocar em prática em relação ao anunciado há um ano.
As dez ações e as cinco expectativas envolvem três grandes áreas problemáticas para a Odebrecht Agroindustrial: agrícola, financeira e política.
A seguir, a companhia explica o que conseguiu fazer, como está resolvendo seus problemas e o que ainda espera que seja feito para as próximas safras.
A fase conturbada pela qual passa o setor sucroalcooleiro nacional tem na Odebrecht Agroindustrial (ODB Agro) um de seus melhores exemplos. Após terminar com um prejuízo de quase R$ 1,2 bilhão no ciclo 2014/15, a empresa detalhou o conjunto de medidas que adotou para tentar sair da crise em que se encontra.
Com o intuito de reverter esse cenário e retomar “a geração de resultados positivos no futuro”, a ODB Agro apresentou o conjunto de ações estratégicas que conseguiu colocar em prática em relação ao anunciado há um ano.
As dez ações e as cinco expectativas envolvem três grandes áreas problemáticas para a Odebrecht Agroindustrial: agrícola, financeira e política.
Medidas estratégicas adotadas na safra 2014/15
1. Investir menos e focar em áreas de renovação
A ODB Agro reduziu seu nível de investimentos, priorizando a seletividade do plantio com foco nas áreas de renovação e ganhos de produtividade. A empresa também informa que começou a mudar o mix de plantio, com participação prioritária de cana de 18 meses e utilização de novos implementos e equipamentos que possibilitam o aumento do rendimento médio das colhedoras.
De acordo com a empresa, isso vai acelerar a curva de aprendizado que vem resultando na evolução dos processos agrícolas.
Em 2013/14 a meta da empresa era investir R$1,3 bilhão, na última safra esta meta caiu para 800 milhões. Para a safra atual a empresa espera investir apenas 500 milhões, mesmo valor planejado para 2016/17.
2. Evolução das usinas em segundo plano
Na área industrial, a companhia pretende aplicar menos dinheiro. Assim a Odebrecht não deve fazer novas ampliações, como a recente alteração na usina Rio Claro (GO), que ganhou capacidade para produzir 1,2 milhão de litros de anidro.
3. Menos cana própria
Desenvolvimento de programa de parceria com fornecedores com a finalidade de diminuir o volume de cana própria plantada reduzindo, assim, o volume de investimentos na formação e manutenção da lavoura.
4. Venda da cogeração por R$ 3,7 bilhões
Em 31 de março de 2014, a Companhia efetuou a venda para outra empresa do mesmo grupo, a Odebrecht Energia, de seus ativos de cogeração de energia junto com os direitos de outorga e contratos de comercialização de eletricidade.
O valor total da venda foi de R$ 3,7 bilhões. O montante de R$ 1,153 bilhão já representou desalavancagem financeira imediata da ODB Agro. O valor remanescente de R$ 2,75 bilhões que inclui juros, também impactará na redução da alavancagem financeira da companhia.
5. Logística mais eficiente e CCT melhorado
A companhia pretende reduzir custos agrícolas e otimizar as rotas para corte, carregamento e transporte (CCT) de cana.
6. Carona nas políticas setoriais
A ODB Agro reconhece que o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio (Cide), de R$ 0,22 por litro de gasolina, trouxe “um impacto importante para o preço do combustível e, por consequência, nos preços de etanol”. Assim como o aumento da mistura do etanol anidro à gasolina de 25% para 27% também fomentou as atividades no setor decorrente do aumento da demanda pelo produto.
Com a isenção ou cobrança diferenciada de impostos federais e estaduais, a empresa também conseguiu a monetização dos créditos tributários de ICMS, PIS e Cofins no montante aproximado de R$ 4,7 milhões durante a safra 2014/15.
7. Redução de custos através de sinergias
Foi implantado no segundo semestre de 2014 um programa estruturado de redução de custos buscando, principalmente, sinergia entre as diversas áreas e operações da organização. De acordo com a empresa, isso vai permitir a melhora da margem bruta em função da diluição da estrutura de custos fixos, dado o aumento gradativo do volume de moagem e do reflexo de todas as ações iniciadas na safra 2014/15, que devem ser mantidas ao longo das próximas safras.
8. Alívio de R$ 4,23 bilhões
A empresa cita a entrada de recursos, em novembro de 2014, por meio de emissão de debêntures privadas, no valor de R$ 2 bilhões. Subscritas pela Odebrecht Energia Participações, os recursos foram repassados à companhia e outras controladas por meio de debêntures. Houve ainda capitalização de R$ 1,7 bilhão, sendo R$ 836 milhões em recursos financeiros aportados pela Odebrecht Agroindustrial Investimentos na ODB Agro, por meio de sua controladora Odebrecht S.A. e R$ 827 milhões capitalizados diretamente pela OAI INV com créditos mantidos também com a ODB Agro.
Por último, o Grupo ODB Agro captou recentemente R$ 600 milhões, originados em operações de crédito rural, recebíveis e capital de giro, e anunciou que está negociação para a captação de R$ 1,6 bilhão junto a instituições financeiras com as quais mantém relacionamento.
9. Reestruturação das dívidas
A empresa realizou uma reestruturação de dívidas com clientes e fornecedores, reduzindo as necessidades de capital de giro, no valor aproximado de R$ 730 milhões.
10. Alongamento das dívidas
A companhia alongou o prazo de pagamento da dívida do Grupo ODB Agro alocadas no curto para longo prazo no montante de R$ 7 bilhões, com impacto direto no caixa da safra 14/15. Esse procedimento ainda vai ter impacto estimado em R$ 1,8 bilhão no caixa das próximas três safras.
O que a ODB Agro espera para atual e as próximas safras:
1. Política governamental sólida
A companhia quer o estabelecimento de uma política governamental sólida para os preços dos combustíveis, com aumento complementar da Cide em R$ 0,38 por litro de gasolina na refinaria, conforme pleito do setor. Com isso, na visão da Odebrecht, o governo deveria determinar uma CIDE de R$ 0,60 por litro.
2. Financiamentos diferenciados
A companhia reivindica concessões de benefícios ao setor, por meio de redução da carga tributária e linhas de financiamento mais acessíveis e de custo mais baixo para investimentos na operação, especialmente para formação e manutenção do canavial.
Porém, a esperança da ODB Agro não encontra muito respaldo no BNDES, que já anunciou um corte no ProRenova, o programa de renovação dos canaviais do governo. O banco também afirmou que esta opção de financiamento já não é mais tão relevante para o setor.
3. Os reflexos do aumento da moagem
Na projeção da ODB Agro, o gradativo aumento do volume de moagem esperado para as próximas safras — junto com as demais ações de reestruturação iniciadas em 2014 — diluirá os custos fixos da sua estrutura e deve melhorar a margem bruta da empresa.
4. Mais R$ 2,2 bilhão em caixa
Nesta safra 2015/16, após o encerramento do exercício findo em 31 de março de 2015, o grupo ODB Agro já captou recursos financeiros na ordem de, aproximadamente, R$ 600 milhões, originados em operações de crédito rural, recebíveis e capital de giro, e está em negociação para a captação de R$1,6 bilhão junto às instituições financeiras que mantém relacionamento.
5. Bolso fundo
Caso seja necessário, a companhia afirma que recorrerá a recursos financeiros provenientes de terceiros ou de seus acionistas para garantir a conclusão desses planos e manutenção de seus investimentos e de suas operações, como já feito nos últimos exercícios.
“A administração entende que as ações e planos descritos anteriormente são suficientes para garantir a continuidade da equalização da situação de capital circulante líquido, observada nesta última safra, para as próximas safras, bem como possibilitar a geração de resultados positivos no futuro”, promete a empresa.
NovaCana